Por Daniel dos Santos, Now! Digital
Publicada em 30 de setembro de 2010 às 14h12
Serviço permite “caminhar” virtualmente pelas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com direito a zoom e rotação.
A Google anunciou hoje (30/9) no Brasil a disponibilidade do serviço Street View, com imagens, inicialmente, de ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e de algumas de suas regiões metropolitanas, como São Bernardo do Campo (SP), Niterói (RJ) e Curvello (MG). O Brasil é o primeiro país da América Latina a receber o novo recurso.
Com o serviço, que é muito legal, é possível fazer uma espécie de “caminhada virtual” pelas ruas, com direito a zoom e rotação de 360 graus. O recurso pode ser utilizado via navegador do computador, no site www.exploreostreetview.com.br ou na tela de equipamentos como iPhone, iPod Touch ou iPad. Veja como:
1) Toque no ícone do aplicativo Mapas.
2) Selecione buscar (Av. Paulista, por exemplo).
3) Clique na figura do bonequinho (Pegman).
4) Pronto, você está no endereço desejado, caso seja coberto pelo recurso, claro.
Uma vez na rua desejada, é possível seguir por ela tocando nas setas ou simplesmente girar e mudar de direção, tocando na tela e arrastando seu dedo. Dois toques permitem zoom e um círculo do lado direito inferior mostra sua posição no mapa.
Fonte:http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/09/30/saiba-como-usar-o-google-street-view-brasil-no-iphone-ipad-ou-ipod/#rec:mcl
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sábado, 2 de outubro de 2010
No encurtador de URL da Google, uma surpresa: a criação de códigos QR
Apresentado no fim de 2009, serviço da empresa finalmente passa a operar de modo independente.
A Google começa a oferecer um serviço de encurtamento de URL em modo independente, para concorrer com serviços como o Bit.ly e o brasileiro Migre.me.
google-url-shortener
Chamado Google URL Shortener, o serviço usa uma interface quase tão limpa como a da tela de buscas na web. Há uma caixa para a colagem do endereço longo do site e um botão Shorten (encurtar). Os endereços terão o prefixo http://goo.gl.
O Google URL Shortener já havia sido apresentado em dezembro de 2009 – mas, na época, o serviço só funcionava dentro de aplicações da própria Google.
A página do serviço da Google oferece estatísticas sobre a quantidade de clicks nas últimas duas horas, no dia, na semana e no mês. O usuário que se identificar com sua senha Google poderá construir um histórico do uso da ferramenta.
Na página de ajuda do serviço, a Google afirma que a elaboração do encurtador perseguiu três objetivos: estabilidade, velocidade e segurança. Neste último caso, a empresa afirma que um alerta será exibido caso de uma URL encurtada aponte para um site suspeito de abrigar malware, phishing ou spam.
Em relação a privacidade, a Google explica que as URLs encurtadas não revelam a identidade de quem as criou, e que o histórico das URLs só pode ser acessado pelo dono da conta. Além disso, as informações analíticas para todas as URLs encurtadas são exibidas de forma agregada.
A página de ajuda do serviço não detalha, no entanto, como a Google poderia utilizar as informações armazenadas.
Fonte:http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/09/30/google-estreia-seu-encurtador-de-url/
A Google começa a oferecer um serviço de encurtamento de URL em modo independente, para concorrer com serviços como o Bit.ly e o brasileiro Migre.me.
google-url-shortener
Chamado Google URL Shortener, o serviço usa uma interface quase tão limpa como a da tela de buscas na web. Há uma caixa para a colagem do endereço longo do site e um botão Shorten (encurtar). Os endereços terão o prefixo http://goo.gl.
O Google URL Shortener já havia sido apresentado em dezembro de 2009 – mas, na época, o serviço só funcionava dentro de aplicações da própria Google.
A página do serviço da Google oferece estatísticas sobre a quantidade de clicks nas últimas duas horas, no dia, na semana e no mês. O usuário que se identificar com sua senha Google poderá construir um histórico do uso da ferramenta.
Na página de ajuda do serviço, a Google afirma que a elaboração do encurtador perseguiu três objetivos: estabilidade, velocidade e segurança. Neste último caso, a empresa afirma que um alerta será exibido caso de uma URL encurtada aponte para um site suspeito de abrigar malware, phishing ou spam.
Em relação a privacidade, a Google explica que as URLs encurtadas não revelam a identidade de quem as criou, e que o histórico das URLs só pode ser acessado pelo dono da conta. Além disso, as informações analíticas para todas as URLs encurtadas são exibidas de forma agregada.
A página de ajuda do serviço não detalha, no entanto, como a Google poderia utilizar as informações armazenadas.
Fonte:http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/09/30/google-estreia-seu-encurtador-de-url/
Cinco inovações do Google Labs que podem agradar você
Por CIO/EUA
Publicada em 29 de setembro de 2010 às 08h35
A área do Google reservada ao desenvolvimento de aplicativos e ferramentas apresenta constantemente novos recursos que todos podem testar.
O último lote de aprimoramentos do Google Labs inclui alguns add-ons para o Gmail, recursos adicionais do Google Calendar e até aplicativos para o sistema operacional de smartphones, o Android. Apresentamos cinco dessas inovações e perguntamos: Qual deles você vai usar?
1. Open Spot
Encontrar aquela vaga de estacionamento é uma tarefa das mais ingratas. Agora, usuários de smartphones Android têm um aplicativo só para lhes ajudar nisso.
O Open Spot funciona assim: quando um usuário do aplicativo deixa uma vaga, essa informação é compartilhada com outros que estão em modo de “procura”. De forma a incentivar as pessoas a usar esse aplicativo, na medida em que mais e mais vagas são liberadas pela mesma pessoa, “karma points” (pontos para o karma) são colecionados. Em um mapa, o aplicativo exibe as vagas em aberto e onde o usuário que procura um lugar para estacionar está. Diferentes cores dos marcadores indicam há quanto tempo o lugar está vago.
Para rodar o Open Spot, é necessário ter o Android 2.0 instalado e , por hora, esse recurso funciona apenas nos EUA, no Canadá e na Holanda.
2. Apps search
Quem usa frequentemente o Google Docs tem muitos arquivos armazenados e lembrar dos nomes pode ser algo para lá de trabalhoso.
O novo recurso Apps Search, do Gmail Labs, tem por objetivo facilitar a localização desses arquivos. Normalmente, quando queremos localizar algum conteúdo no Gmail, inserimos o termo buscado em um campo que diz “Search Mail” (procure por mensagens – em tradução livre do inglês).
Mas, se o usuário habilitar o Apps Search (o que pode ser feito a partir da aba correspondente ao Gmail Labs, na interface de configurações do Gmail) o texto do botão muda para “Search mail and docs” (procure por mensagens e por documentos – em tradução livre). De agora em diante, os resultados de pesquisa irão incluir documentos e mensagens de email com o conteúdo digitado.
3. Gentle Reminders
Se você se incomoda com pop-ups estourando em seu monitor para lembrar de reuniões e compromissos, então pode dar uma chance ao novo recurso do Calendar Labs. Cada vez que um evento estiver se aproximando, você verá uma menção no fundo da tela e ouvirá um ”som agradável”. Usuários do Chrome podem configurar diferentes notificações no desktop.
Procure pelo “Gentle Reminders” na interface do Google Calendar, escolha as configurações e clique na aba do Labs.
4. Declinar eventos de forma automática
Mais um recurso do Google Calendar e em fase “Labs”, trata-se de uma configuração que declina automaticamente de convites para eventos, durante os quais você não estará disponível. Depois de acionar esse recurso, também disponível na aba do Labs da interface no Calendar, verá uma opção de “busy” (ocupado) no campo de status do usuário.
5. URLs encurtadas para o Google Maps
“Short URL”, outro novo recurso do Google Maps, encurta automaticamente as URLs para um mapa. Normalmente, ao clicar no botão “Link”, duas URLs longas são geradas: uma para ser inserida em um email e outra para ser integrada ao código HTML de sites.
Habilitar a opção Short URL transforma essas duas URLs em endereços mais compactos, para usar no Twitter e em softwares de mensagens automáticas.
(Kristin Burnham)
Fonte:http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/09/28/cinco-inovacoes-do-google-labs-que-podem-agradar-voce/
Publicada em 29 de setembro de 2010 às 08h35
A área do Google reservada ao desenvolvimento de aplicativos e ferramentas apresenta constantemente novos recursos que todos podem testar.
O último lote de aprimoramentos do Google Labs inclui alguns add-ons para o Gmail, recursos adicionais do Google Calendar e até aplicativos para o sistema operacional de smartphones, o Android. Apresentamos cinco dessas inovações e perguntamos: Qual deles você vai usar?
1. Open Spot
Encontrar aquela vaga de estacionamento é uma tarefa das mais ingratas. Agora, usuários de smartphones Android têm um aplicativo só para lhes ajudar nisso.
O Open Spot funciona assim: quando um usuário do aplicativo deixa uma vaga, essa informação é compartilhada com outros que estão em modo de “procura”. De forma a incentivar as pessoas a usar esse aplicativo, na medida em que mais e mais vagas são liberadas pela mesma pessoa, “karma points” (pontos para o karma) são colecionados. Em um mapa, o aplicativo exibe as vagas em aberto e onde o usuário que procura um lugar para estacionar está. Diferentes cores dos marcadores indicam há quanto tempo o lugar está vago.
Para rodar o Open Spot, é necessário ter o Android 2.0 instalado e , por hora, esse recurso funciona apenas nos EUA, no Canadá e na Holanda.
2. Apps search
Quem usa frequentemente o Google Docs tem muitos arquivos armazenados e lembrar dos nomes pode ser algo para lá de trabalhoso.
O novo recurso Apps Search, do Gmail Labs, tem por objetivo facilitar a localização desses arquivos. Normalmente, quando queremos localizar algum conteúdo no Gmail, inserimos o termo buscado em um campo que diz “Search Mail” (procure por mensagens – em tradução livre do inglês).
Mas, se o usuário habilitar o Apps Search (o que pode ser feito a partir da aba correspondente ao Gmail Labs, na interface de configurações do Gmail) o texto do botão muda para “Search mail and docs” (procure por mensagens e por documentos – em tradução livre). De agora em diante, os resultados de pesquisa irão incluir documentos e mensagens de email com o conteúdo digitado.
3. Gentle Reminders
Se você se incomoda com pop-ups estourando em seu monitor para lembrar de reuniões e compromissos, então pode dar uma chance ao novo recurso do Calendar Labs. Cada vez que um evento estiver se aproximando, você verá uma menção no fundo da tela e ouvirá um ”som agradável”. Usuários do Chrome podem configurar diferentes notificações no desktop.
Procure pelo “Gentle Reminders” na interface do Google Calendar, escolha as configurações e clique na aba do Labs.
4. Declinar eventos de forma automática
Mais um recurso do Google Calendar e em fase “Labs”, trata-se de uma configuração que declina automaticamente de convites para eventos, durante os quais você não estará disponível. Depois de acionar esse recurso, também disponível na aba do Labs da interface no Calendar, verá uma opção de “busy” (ocupado) no campo de status do usuário.
5. URLs encurtadas para o Google Maps
“Short URL”, outro novo recurso do Google Maps, encurta automaticamente as URLs para um mapa. Normalmente, ao clicar no botão “Link”, duas URLs longas são geradas: uma para ser inserida em um email e outra para ser integrada ao código HTML de sites.
Habilitar a opção Short URL transforma essas duas URLs em endereços mais compactos, para usar no Twitter e em softwares de mensagens automáticas.
(Kristin Burnham)
Fonte:http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/09/28/cinco-inovacoes-do-google-labs-que-podem-agradar-voce/
Canadá oferece bolsas de pós-graduação
29/9/2010
Agência FAPESP – O governo do Canadá abriu inscrições para o Programa Vanier de Bolsas de Pós-Graduação, voltado a estrangeiros interessados em realizar pesquisa nas áreas de ciências sociais e humanas, ciências naturais, engenharia e saúde.
As inscrições para 2011 poderão ser feitas até o dia 20 de outubro. Nesta edição do programa são oferecidas vagas em 52 universidades canadenses. O valor da bolsa é de 50 mil dólares canadenses anuais por um período de até três anos.
Para participar do programa os candidatos devem ter cursado até 20 meses do curso de doutorado com média satisfatória e não ter recebido anteriormente nenhuma bolsa do programa Vanier.
Os candidatos devem, em primeiro lugar, escolher entre uma das 52 universidades parceiras para participar da seleção.
A avaliação será feita a partir do desempenho acadêmico e profissional do candidato, por meio dos resultados acadêmicos, prêmios e distinções, programa de estudo e contribuições potenciais para o avanço do conhecimento, experiências profissionais e acadêmicas relevantes, envolvimento com a comunidade, publicações, apresentações em conferências e cartas de recomendação.
O programa é uma iniciativa de três agências de fomento à pesquisa no Canadá: o Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais e Humanas, o Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia e os Institutos de Pesquisa em Saúde do Canadá.
Mais informações: www.canadainternational.gc.ca/brazil-bresil/study-etudie/vanier_scholarship-bourse.aspx?lang=por
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12842/canada-oferece-bolsas-de-pos-graduacao.htm
Agência FAPESP – O governo do Canadá abriu inscrições para o Programa Vanier de Bolsas de Pós-Graduação, voltado a estrangeiros interessados em realizar pesquisa nas áreas de ciências sociais e humanas, ciências naturais, engenharia e saúde.
As inscrições para 2011 poderão ser feitas até o dia 20 de outubro. Nesta edição do programa são oferecidas vagas em 52 universidades canadenses. O valor da bolsa é de 50 mil dólares canadenses anuais por um período de até três anos.
Para participar do programa os candidatos devem ter cursado até 20 meses do curso de doutorado com média satisfatória e não ter recebido anteriormente nenhuma bolsa do programa Vanier.
Os candidatos devem, em primeiro lugar, escolher entre uma das 52 universidades parceiras para participar da seleção.
A avaliação será feita a partir do desempenho acadêmico e profissional do candidato, por meio dos resultados acadêmicos, prêmios e distinções, programa de estudo e contribuições potenciais para o avanço do conhecimento, experiências profissionais e acadêmicas relevantes, envolvimento com a comunidade, publicações, apresentações em conferências e cartas de recomendação.
O programa é uma iniciativa de três agências de fomento à pesquisa no Canadá: o Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais e Humanas, o Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia e os Institutos de Pesquisa em Saúde do Canadá.
Mais informações: www.canadainternational.gc.ca/brazil-bresil/study-etudie/vanier_scholarship-bourse.aspx?lang=por
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12842/canada-oferece-bolsas-de-pos-graduacao.htm
Canções das ruas
29/9/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – A canção ocupa um lugar social e histórico ímpar na cultura brasileira. Discutir como essa forma tão especial de expressão artística pode contribuir para repensar o conceito de cultura da educação é o objetivo do livro Cidade Cantada – Educação e experiência estética, de Julia Pinheiro Andrade.
Para abordar o sentido formativo que a experiência estética pode assumir no campo da educação, a autora discute a forma da canção brasileira a partir de dois exemplos distintos e radicais: o tropicalismo do compositor Tom Zé e o rap do grupo Racionais MC’s.
A obra, lançada em agosto, tem base na dissertação de mestrado de Julia, defendida em 2007 na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP.
Graduada em Geografia na USP, em 2001, a autora atuou em pesquisas em geografia urbana na cidade de São Paulo. Atualmente, é coordenadora pedagógica do Programa Mapa de Educação e Meio Ambiente e assessora da Escola Castanheiras.
Como educadora no ensino fundamental, percebeu que os alunos tinham dificuldades para se identificar e compreender conceitos e processos que explicam a lógica das transformações do espaço urbano, pois mobilizam representações abstratas da cidade.
“Utilizando a música em sala de aula, observei que a abordagem estética fornecia um excelente acesso para diversos temas, pois a canção mobiliza o corpo, as emoções e cognição a um só tempo. Quando a escutamos enquanto forma narrativa, podemos elaborar toda uma experiência sobre a relação entre os sujeitos (o cantor e o ouvinte) e as cidades (a cantada e a vivida). Quando passei a trabalhar com a formação de professores, essa possibilidade ficou ainda mais clara”, disse à Agência FAPESP.
Julia passou então a considerar a possibilidade de abordar a correspondência entre a canção como forma estética, a experiência urbana e as transformações do espaço da cidade.
Inicialmente, seu projeto de mestrado partiria da década de 1950, com o samba do compositor paulista Adoniran Barbosa. “Passaria então pelas ‘descanções’ de Tom Zé – um tropicalismo diferente, que viu as metamorfoses da cidade nas décadas de 1960 e 1970 –, chegando finalmente à música dos Racionais MC’s, que cantaram a cidade implodida por um violento crescimento periférico”, disse.
O estudo acabou se concentrando em Tom Zé e Racionais MC’s, dois momentos contrastantes da cidade e da forma da canção. “Adoniran Barbosa permaneceu como contraponto iluminador, aparecendo como o fio da meada da geografia e da história da canção em São Paulo”, explicou.
No primeiro capítulo, A cidade cantada, a autora apresenta a importância da canção no Brasil. “A canção ocupa na nossa sociedade um lugar social e histórico ímpar, mais presente do que a cultura letrada”, disse.
Para situar o “objeto não identificado da canção popular”, Julia se baseou em autores como José Miguel Wisnik, Luís Tatit, Marcos Napolitano e Celso Favaretto – esse último professor no Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da USP e orientador do estudo.
Delineada a força da canção, a autora define então a importância da cidade cantada. “Uma forma estética capaz de decantar e comunicar a experiência complexa e ambivalente do mundo urbano de hoje. Penso essa possibilidade em São Paulo, cidade ícone do desenvolvimento e da crise nacional”, disse.
O segundo capítulo é um ensaio teórico sobre a importância de trabalhar as diferentes linguagens da cultura em educação. “Procurei refletir sobre como podemos pensar em um projeto de formação cultural a partir de nosso espaço mais cotidiano, a cidade, e, nesse contexto, qual o papel que um trabalho sistemático de escuta de canção pode desempenhar na educação”, explicou.
Dentro desse conceito, Julia discute o valor de trabalhar a arte no contexto escolar, considerando-a uma experiência ampla que engloba simultaneamente sentimentos, razão, emoções e sentidos. A autora procura distinguir o que é a experiência estética e crítica.
“A partir da obra do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), Julia estuda a cultura e a educação dentro de uma modernidade muito crítica, que é a do nosso tempo, entre o moderno e contemporâneo”, disse Favaretto.
O terceiro capítulo discute como fazer o trabalho com a canção. Para isso, é preciso definir o que é a forma canção, como ela se estrutura, como é lida e escutada. “Trata-se de uma forma híbrida entre literatura e música. Procuro trabalhá-la em suas duas dimensões e, a fim de explicitá-las, analiso diversas canções”, afirmou.
Pensadores como Theodor Adorno (1903-1969) e Jean Baudrillard dão o fundamento para a discussão sobre as possibilidades de se pensar a canção como experiência estética, sendo que ela é, ao mesmo tempo, arte e mercadoria, isto é, necessariamente voltada para um determinado consumo.
“Sustento que, no Brasil, a canção é um objeto cultural muito forte pelo fato de unir a experiência cotidiana com uma cultura enciclopédica e, ao mesmo tempo, circular entre as várias classes sociais, fazendo uma ponte entre cultura letrada e cultura oral. Destaco a dialética entre a forma mercadoria e a forma narrativa, que é uma forma estética capaz de compartilhar e decantar experiências”, disse.
Conversações diversas
No quarto capítulo, Julia discute como a canção se manifesta na obra de Tom Zé. Contextualiza sua formação, diferencial em relação ao projeto tropicalista e apresenta a cidade cantada por ele – ou sua “descanção”, como o próprio autor define.
“Analiso como se desdobrou o seu projeto estético ao longo do tempo e como a imagem da cidade volta em suas diversas fases, avaliando as mudanças de instrumentação, estilo, ritmo, letras e maneira de cantar ao longo do tempo, evidenciando as transformações e os processos da cidade”, disse.
“Como trabalha desconstruindo a canção, Tom Zé é especialmente feliz na decantação das metamorfoses da cidade em metrópole, pois incorpora à melodia ruídos, dissonâncias, levadas harmônicas e rítmicas estranhas, como os ostinatos. Sua canção decanta as ambivalências da crise urbana contemporânea.”
Julia analisa depois as mudanças das manifestações musicais brasileiras em direção ao gênero eletrônico, até chegar ao rap ("ritmo e poesia", na sigla em inglês) que, segundo ela, é uma “forma diminuída, mínima, da canção”.
“O rap é coerente com uma experiência da mudança radical da cidade a partir da década de 1990. Faço uma gênese desse gênero nos Estados Unidos e no Brasil e destaco a relação entre os dois países para explicitar o que é o rap e por que podemos considerá-la como uma forma de canção – quando a melodia se reduz à entoação da fala e o ritmo e discurso emergem em primeiro plano”, afirmou.
“Com uma ‘dicção de navalha’ cantada e decantada por um narrador em primeira pessoa, o Racionais MC's conseguiu narrar muito bem a experiência urbana das periferias. O grupo destaca até mesmo a experiência da morte, colocando-a para falar por meio de discurso de bandido baleado, da encenação de tiroteio, do pensamento em flashback e do som ritmado de um eletrocardiograma. Mais do que a descrição factual da periferia, conseguiram narrar experiências fortes e trazer essa parte antes silenciada da cidade para dentro da música”, disse.
A autora utiliza a teoria do filósofo húngaro Georg Lukács (1885-1971) de forma narrativa para discutir como ela é capaz de narrar ou descrever uma experiência. “Faço essa discussão para ver como um grupo de rap consegue criar uma narrativa”, contou.
O último capítulo do livro é, segundo Julia, uma síntese sobre a experiência estética e sua possibilidade de uso com formação de um sujeito – exatamente porque põe em correspondência um sujeito que narra e um outro que ouve, possibilitando que se saia da simples situação de vivências individuais.
“A cultura do nosso tempo é diluída, fragmentada, mas múltipla: a canção pode trazer para a sala de aula diferentes escutas e conversações. Por menos que um professor goste de rap, se ele se propuser a escutar de forma crítica, contextualizando estética e historicamente a canção, poderá chegar a compartilhar experiências com seus alunos”, apontou.
“O livro não propõe estratégias diretas de aplicação da canção em sala de aula, mas dá indicações de como perceber, como criar uma escuta profunda da canção para compreender a experiência do tempo e do espaço contemporâneos”, disse.
*
Título: Cidade Cantada – Educação e experiência estética
Autora: Julia Pinheiro Andrade
Páginas: 274
Preço: R$ 42
Vendas: www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=1193
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12840/cancoes-das-ruas.htm
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – A canção ocupa um lugar social e histórico ímpar na cultura brasileira. Discutir como essa forma tão especial de expressão artística pode contribuir para repensar o conceito de cultura da educação é o objetivo do livro Cidade Cantada – Educação e experiência estética, de Julia Pinheiro Andrade.
Para abordar o sentido formativo que a experiência estética pode assumir no campo da educação, a autora discute a forma da canção brasileira a partir de dois exemplos distintos e radicais: o tropicalismo do compositor Tom Zé e o rap do grupo Racionais MC’s.
A obra, lançada em agosto, tem base na dissertação de mestrado de Julia, defendida em 2007 na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP.
Graduada em Geografia na USP, em 2001, a autora atuou em pesquisas em geografia urbana na cidade de São Paulo. Atualmente, é coordenadora pedagógica do Programa Mapa de Educação e Meio Ambiente e assessora da Escola Castanheiras.
Como educadora no ensino fundamental, percebeu que os alunos tinham dificuldades para se identificar e compreender conceitos e processos que explicam a lógica das transformações do espaço urbano, pois mobilizam representações abstratas da cidade.
“Utilizando a música em sala de aula, observei que a abordagem estética fornecia um excelente acesso para diversos temas, pois a canção mobiliza o corpo, as emoções e cognição a um só tempo. Quando a escutamos enquanto forma narrativa, podemos elaborar toda uma experiência sobre a relação entre os sujeitos (o cantor e o ouvinte) e as cidades (a cantada e a vivida). Quando passei a trabalhar com a formação de professores, essa possibilidade ficou ainda mais clara”, disse à Agência FAPESP.
Julia passou então a considerar a possibilidade de abordar a correspondência entre a canção como forma estética, a experiência urbana e as transformações do espaço da cidade.
Inicialmente, seu projeto de mestrado partiria da década de 1950, com o samba do compositor paulista Adoniran Barbosa. “Passaria então pelas ‘descanções’ de Tom Zé – um tropicalismo diferente, que viu as metamorfoses da cidade nas décadas de 1960 e 1970 –, chegando finalmente à música dos Racionais MC’s, que cantaram a cidade implodida por um violento crescimento periférico”, disse.
O estudo acabou se concentrando em Tom Zé e Racionais MC’s, dois momentos contrastantes da cidade e da forma da canção. “Adoniran Barbosa permaneceu como contraponto iluminador, aparecendo como o fio da meada da geografia e da história da canção em São Paulo”, explicou.
No primeiro capítulo, A cidade cantada, a autora apresenta a importância da canção no Brasil. “A canção ocupa na nossa sociedade um lugar social e histórico ímpar, mais presente do que a cultura letrada”, disse.
Para situar o “objeto não identificado da canção popular”, Julia se baseou em autores como José Miguel Wisnik, Luís Tatit, Marcos Napolitano e Celso Favaretto – esse último professor no Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da USP e orientador do estudo.
Delineada a força da canção, a autora define então a importância da cidade cantada. “Uma forma estética capaz de decantar e comunicar a experiência complexa e ambivalente do mundo urbano de hoje. Penso essa possibilidade em São Paulo, cidade ícone do desenvolvimento e da crise nacional”, disse.
O segundo capítulo é um ensaio teórico sobre a importância de trabalhar as diferentes linguagens da cultura em educação. “Procurei refletir sobre como podemos pensar em um projeto de formação cultural a partir de nosso espaço mais cotidiano, a cidade, e, nesse contexto, qual o papel que um trabalho sistemático de escuta de canção pode desempenhar na educação”, explicou.
Dentro desse conceito, Julia discute o valor de trabalhar a arte no contexto escolar, considerando-a uma experiência ampla que engloba simultaneamente sentimentos, razão, emoções e sentidos. A autora procura distinguir o que é a experiência estética e crítica.
“A partir da obra do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), Julia estuda a cultura e a educação dentro de uma modernidade muito crítica, que é a do nosso tempo, entre o moderno e contemporâneo”, disse Favaretto.
O terceiro capítulo discute como fazer o trabalho com a canção. Para isso, é preciso definir o que é a forma canção, como ela se estrutura, como é lida e escutada. “Trata-se de uma forma híbrida entre literatura e música. Procuro trabalhá-la em suas duas dimensões e, a fim de explicitá-las, analiso diversas canções”, afirmou.
Pensadores como Theodor Adorno (1903-1969) e Jean Baudrillard dão o fundamento para a discussão sobre as possibilidades de se pensar a canção como experiência estética, sendo que ela é, ao mesmo tempo, arte e mercadoria, isto é, necessariamente voltada para um determinado consumo.
“Sustento que, no Brasil, a canção é um objeto cultural muito forte pelo fato de unir a experiência cotidiana com uma cultura enciclopédica e, ao mesmo tempo, circular entre as várias classes sociais, fazendo uma ponte entre cultura letrada e cultura oral. Destaco a dialética entre a forma mercadoria e a forma narrativa, que é uma forma estética capaz de compartilhar e decantar experiências”, disse.
Conversações diversas
No quarto capítulo, Julia discute como a canção se manifesta na obra de Tom Zé. Contextualiza sua formação, diferencial em relação ao projeto tropicalista e apresenta a cidade cantada por ele – ou sua “descanção”, como o próprio autor define.
“Analiso como se desdobrou o seu projeto estético ao longo do tempo e como a imagem da cidade volta em suas diversas fases, avaliando as mudanças de instrumentação, estilo, ritmo, letras e maneira de cantar ao longo do tempo, evidenciando as transformações e os processos da cidade”, disse.
“Como trabalha desconstruindo a canção, Tom Zé é especialmente feliz na decantação das metamorfoses da cidade em metrópole, pois incorpora à melodia ruídos, dissonâncias, levadas harmônicas e rítmicas estranhas, como os ostinatos. Sua canção decanta as ambivalências da crise urbana contemporânea.”
Julia analisa depois as mudanças das manifestações musicais brasileiras em direção ao gênero eletrônico, até chegar ao rap ("ritmo e poesia", na sigla em inglês) que, segundo ela, é uma “forma diminuída, mínima, da canção”.
“O rap é coerente com uma experiência da mudança radical da cidade a partir da década de 1990. Faço uma gênese desse gênero nos Estados Unidos e no Brasil e destaco a relação entre os dois países para explicitar o que é o rap e por que podemos considerá-la como uma forma de canção – quando a melodia se reduz à entoação da fala e o ritmo e discurso emergem em primeiro plano”, afirmou.
“Com uma ‘dicção de navalha’ cantada e decantada por um narrador em primeira pessoa, o Racionais MC's conseguiu narrar muito bem a experiência urbana das periferias. O grupo destaca até mesmo a experiência da morte, colocando-a para falar por meio de discurso de bandido baleado, da encenação de tiroteio, do pensamento em flashback e do som ritmado de um eletrocardiograma. Mais do que a descrição factual da periferia, conseguiram narrar experiências fortes e trazer essa parte antes silenciada da cidade para dentro da música”, disse.
A autora utiliza a teoria do filósofo húngaro Georg Lukács (1885-1971) de forma narrativa para discutir como ela é capaz de narrar ou descrever uma experiência. “Faço essa discussão para ver como um grupo de rap consegue criar uma narrativa”, contou.
O último capítulo do livro é, segundo Julia, uma síntese sobre a experiência estética e sua possibilidade de uso com formação de um sujeito – exatamente porque põe em correspondência um sujeito que narra e um outro que ouve, possibilitando que se saia da simples situação de vivências individuais.
“A cultura do nosso tempo é diluída, fragmentada, mas múltipla: a canção pode trazer para a sala de aula diferentes escutas e conversações. Por menos que um professor goste de rap, se ele se propuser a escutar de forma crítica, contextualizando estética e historicamente a canção, poderá chegar a compartilhar experiências com seus alunos”, apontou.
“O livro não propõe estratégias diretas de aplicação da canção em sala de aula, mas dá indicações de como perceber, como criar uma escuta profunda da canção para compreender a experiência do tempo e do espaço contemporâneos”, disse.
*
Título: Cidade Cantada – Educação e experiência estética
Autora: Julia Pinheiro Andrade
Páginas: 274
Preço: R$ 42
Vendas: www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=1193
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12840/cancoes-das-ruas.htm
Reconstrução ocular
29/9/2010
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – O olho é revestido pela superfície mais especializada do corpo humano. Essa superfície é composta pelos epitélios da córnea, limbo e conjuntiva e necessita da lubrificação do filme lacrimal para manter sua função.
No limbo residem células-tronco que regeneram o epitélio compacto e transparente da córnea. O epitélio, por sua vez, é considerado o tecido mais ricamente inervado do ser humano. Na conjuntiva residem células produtoras de mucina e células do sistema imune, fundamentais para a defesa do olho.
Essa superfície altamente diferenciada e complexa pode ser alvo de diferentes tipos de agressões físicas, químicas e biológicas, que repercutem diretamente na função visual e qualidade de vida.
Estudar as estruturas envolvidas e desenvolver técnicas para contornar e evitar as chamadas doenças que acometem essa área nobre do corpo humano foi o objetivo da pesquisa “Reconstrução da superfície ocular: aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos”, coordenada pelo professor Rubens Belfort Mattos Júnior, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e apoiada pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático.
“A superfície ocular é muito importante em inúmeros aspectos. Procuramos abordar nesse projeto os aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos dos problemas que afetam esse tecido”, disse Belfort à Agência FAPESP.
Uma das técnicas desenvolvidas no âmbito do projeto foi o transplante de membrana amniótica para a reparação da superfície ocular. Esse tecido, que é obtido da placenta, possui propriedades cicatrizantes e antiinflamatórias, além de ser considerado imunologicamente inerte. Pode ser conservado congelada em meio de cultura por meses, o que facilita a sua aplicação terapêutica.
A membrana amniótica se mostrou eficaz no tratamento da superfície ocular no caso de queimaduras, na síndrome de Stevens Johnson (forma grave de eritema bolhoso), no pterígio (espessamento vascularizado da conjuntiva) e na reparação dos afinamentos da córnea.
Outro estudo envolveu a aplicação de células-tronco do limbo na regeneração da superfície da córnea. “Não temos a necessidade de uma célula com pluripotencialidade, o que nos interessa são as funções ligadas ao olho nas quais a aplicação das células-tronco adultas do limbo apresentam bons resultados”, disse Belfort.
Segundo ele, as células-tronco límbicas podem ser transplantadas de um olho saudável para o outro comprometido em um mesmo paciente ou ainda serem recebidas de outra pessoa.
Outra vertente do Temático incluiu o cultivo em laboratório e o transplante das células-tronco do limbo para reparar a superfície ocular danificada, o que colocou a equipe da Unifesp em pé de igualdade com os grupos mais avançados nesse tipo de pesquisa, segundo Belfort.
“No mundo, poucos países estão no mesmo patamar. Itália, Alemanha, Inglaterra, Japão, Cingapura e Índia – e agora o Brasil – são os mais importantes”, afirmou.
Novo laboratório
Além do limbo, outras possíveis fontes de células-tronco são células da conjuntiva e dentes de leite. Um trabalho feito em parceria entre pesquisadores da Unifesp e do Instituto Butantan está experimentando células-tronco extraídas da polpa desses dentes também na reconstrução da superfície ocular.
A técnica de aplicação sobre a córnea é similar: o novo tecido cultivado em laboratório é aplicado sobre o olho, seguido de enxerto de membrana amniótica para proteger as células transplantadas.
Belfort destaca que o Projeto Temático possibilitou a criação do Laboratório de Biologia Celular em Oftalmologia da Unifesp, unidade especializada no cultivo de células-tronco epiteliais da superfície ocular, cujos equipamentos foram adquiridos com apoio da FAPESP.
A pesquisa ainda recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto de Visão, instituição filantrópica ligada ao Departamento de Oftalmologia da Unifesp.
“Um dos grandes méritos desse Temático foi consolidar um núcleo de pesquisa e formar novos talentos, como José Álvaro Pereira Gomes, que foi co-coordenador do projeto”, disse Belfort. Gomes defendeu sua livre-docência durante o projeto e atualmente também é professor do Departamento de Oftalmologia da Unifesp.
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12839/reconstrucao-ocular.htm
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – O olho é revestido pela superfície mais especializada do corpo humano. Essa superfície é composta pelos epitélios da córnea, limbo e conjuntiva e necessita da lubrificação do filme lacrimal para manter sua função.
No limbo residem células-tronco que regeneram o epitélio compacto e transparente da córnea. O epitélio, por sua vez, é considerado o tecido mais ricamente inervado do ser humano. Na conjuntiva residem células produtoras de mucina e células do sistema imune, fundamentais para a defesa do olho.
Essa superfície altamente diferenciada e complexa pode ser alvo de diferentes tipos de agressões físicas, químicas e biológicas, que repercutem diretamente na função visual e qualidade de vida.
Estudar as estruturas envolvidas e desenvolver técnicas para contornar e evitar as chamadas doenças que acometem essa área nobre do corpo humano foi o objetivo da pesquisa “Reconstrução da superfície ocular: aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos”, coordenada pelo professor Rubens Belfort Mattos Júnior, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e apoiada pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático.
“A superfície ocular é muito importante em inúmeros aspectos. Procuramos abordar nesse projeto os aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos dos problemas que afetam esse tecido”, disse Belfort à Agência FAPESP.
Uma das técnicas desenvolvidas no âmbito do projeto foi o transplante de membrana amniótica para a reparação da superfície ocular. Esse tecido, que é obtido da placenta, possui propriedades cicatrizantes e antiinflamatórias, além de ser considerado imunologicamente inerte. Pode ser conservado congelada em meio de cultura por meses, o que facilita a sua aplicação terapêutica.
A membrana amniótica se mostrou eficaz no tratamento da superfície ocular no caso de queimaduras, na síndrome de Stevens Johnson (forma grave de eritema bolhoso), no pterígio (espessamento vascularizado da conjuntiva) e na reparação dos afinamentos da córnea.
Outro estudo envolveu a aplicação de células-tronco do limbo na regeneração da superfície da córnea. “Não temos a necessidade de uma célula com pluripotencialidade, o que nos interessa são as funções ligadas ao olho nas quais a aplicação das células-tronco adultas do limbo apresentam bons resultados”, disse Belfort.
Segundo ele, as células-tronco límbicas podem ser transplantadas de um olho saudável para o outro comprometido em um mesmo paciente ou ainda serem recebidas de outra pessoa.
Outra vertente do Temático incluiu o cultivo em laboratório e o transplante das células-tronco do limbo para reparar a superfície ocular danificada, o que colocou a equipe da Unifesp em pé de igualdade com os grupos mais avançados nesse tipo de pesquisa, segundo Belfort.
“No mundo, poucos países estão no mesmo patamar. Itália, Alemanha, Inglaterra, Japão, Cingapura e Índia – e agora o Brasil – são os mais importantes”, afirmou.
Novo laboratório
Além do limbo, outras possíveis fontes de células-tronco são células da conjuntiva e dentes de leite. Um trabalho feito em parceria entre pesquisadores da Unifesp e do Instituto Butantan está experimentando células-tronco extraídas da polpa desses dentes também na reconstrução da superfície ocular.
A técnica de aplicação sobre a córnea é similar: o novo tecido cultivado em laboratório é aplicado sobre o olho, seguido de enxerto de membrana amniótica para proteger as células transplantadas.
Belfort destaca que o Projeto Temático possibilitou a criação do Laboratório de Biologia Celular em Oftalmologia da Unifesp, unidade especializada no cultivo de células-tronco epiteliais da superfície ocular, cujos equipamentos foram adquiridos com apoio da FAPESP.
A pesquisa ainda recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto de Visão, instituição filantrópica ligada ao Departamento de Oftalmologia da Unifesp.
“Um dos grandes méritos desse Temático foi consolidar um núcleo de pesquisa e formar novos talentos, como José Álvaro Pereira Gomes, que foi co-coordenador do projeto”, disse Belfort. Gomes defendeu sua livre-docência durante o projeto e atualmente também é professor do Departamento de Oftalmologia da Unifesp.
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12839/reconstrucao-ocular.htm
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Independent: Dilma será mulher mais poderosa do mundo
agestado
Reportagem do jornal britânico The Independent sobre a eleição presidencial no Brasil diz que a candidata do PT, Dilma Rousseff, se prepara para ser "a mulher mais poderosa do mundo". Para o jornal, "sua amplamente prevista vitória na eleição presidencial do próximo domingo será saudada com alegria por milhões".
De acordo com o Independent, Dilma "marca o desmantelamento final do 'Estado de segurança nacional', um arranjo que os governos conservadores nos Estados Unidos e na Europa já viram como seu melhor artifício para manter um status quo podre, que manteve uma vasta maioria na América Latina na pobreza, enquanto favorecia seus amigos ricos".
O jornal explica que a petista será "a mulher mais poderosa do mundo" porque, como chefe de Estado, ela terá um cargo superior ao da chanceler alemã, Angela Merkel, e ao da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Além disso, "seu enorme país de 200 milhões de pessoas está festejando sua nova riqueza em petróleo".
"A taxa de crescimento do Brasil, que rivaliza com a da China, é uma que a Europa e Washington só podem invejar", diz a reportagem, que inclui um perfil biográfico da candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte:http://br.eleicoes.yahoo.net/noticias/2806/independent-dilma-sera-mulher-mais-poderosa-do-mundo
Reportagem do jornal britânico The Independent sobre a eleição presidencial no Brasil diz que a candidata do PT, Dilma Rousseff, se prepara para ser "a mulher mais poderosa do mundo". Para o jornal, "sua amplamente prevista vitória na eleição presidencial do próximo domingo será saudada com alegria por milhões".
De acordo com o Independent, Dilma "marca o desmantelamento final do 'Estado de segurança nacional', um arranjo que os governos conservadores nos Estados Unidos e na Europa já viram como seu melhor artifício para manter um status quo podre, que manteve uma vasta maioria na América Latina na pobreza, enquanto favorecia seus amigos ricos".
O jornal explica que a petista será "a mulher mais poderosa do mundo" porque, como chefe de Estado, ela terá um cargo superior ao da chanceler alemã, Angela Merkel, e ao da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Além disso, "seu enorme país de 200 milhões de pessoas está festejando sua nova riqueza em petróleo".
"A taxa de crescimento do Brasil, que rivaliza com a da China, é uma que a Europa e Washington só podem invejar", diz a reportagem, que inclui um perfil biográfico da candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte:http://br.eleicoes.yahoo.net/noticias/2806/independent-dilma-sera-mulher-mais-poderosa-do-mundo
Um abismo chamado educação
JC e-mail 4104, de 27 de Setembro de 2010.
O nome do jogo é qualidade. A batalha do ensino, que define o futuro dos meninos, vai ser decidida dentro da sala de aula
No próximo governo, a parte mais importantes da política social pode ser a que vai tratar de educação. Uma das principais explicações sobre por que o crescimento econômico nesta década tem sido tão favorável aos pobres - a renda do trabalho da base da pirâmide cresce muito mais rápido do que a do topo - é a redução das desigualdades educacionais no Brasil. Que, ainda assim, permanecem gigantescas.
Para manter e acelerar essa melhora, o novo presidente terá de investir bem mais na qualidade da educação no ensino básico. Até agora, o avanço tem sido mais na escolaridade média, medida em anos de estudo, e não no nível de aprendizado dos alunos.
Pode parecer surpreendente que um país com qualidade sofrível de ensino na rede pública esteja reduzindo diferenças educacionais ao ponto de estreitar a diferença de renda entre ricos e pobres. Mas o especialista Naércio Menezes, professor e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, garante que é isso mesmo:
"Quando colocamos quase todas as crianças no fundamental - um processo iniciado na década de 90 - e elas começaram a chegar em maior número ao ensino médio, e a se matricular no ensino superior, a desigualdade começou a cair. Isso ocorreu mesmo sem melhora efetiva da qualidade da educação, só pelo acesso."
O efeito da escolarização no mercado de trabalho pode ser medido, explica Menezes, pela redução dos diferenciais de renda associados à educação. Quando a qualificação é escassa, o seu preço sobe. No Brasil, esses diferenciais são muito grandes, revelando que ainda persiste um abismo de diferenças educacionais.
Ainda assim, o "prêmio" salarial pelo diploma universitário começou a recuar a partir de 2005, e o relativo ao ensino médio já encolhe desde 2002 - não por coincidência, momento muito próximo do início da redução mais intensa da desigualdade da renda do trabalho nos últimos anos. Segundo Naércio, o único diferencial educacional que ainda está crescendo é o da pós-graduação.
O impulso educacional na redução da desigualdade deve continuar nos próximos anos, por inércia, à medida que sucessivas gerações cheguem ao mercado de trabalho com um nível cada vez maior de anos médios de estudo (hoje está por volta de 7,5 anos, para a população de 15 ou mais de idade).
Esse é um efeito, porém, que pode diminuir, na proporção em que o país vá completando o trabalho de universalizar a educação básica. Dessa forma, o ataque à má qualidade do ensino público será cada vez mais importante. A boa notícia é que os especialistas já começam a enxergar a luz no fim do túnel também no front da qualidade, embora os avanços sejam muito tênues.
O economista Fernando Veloso, especialista em educação do Ibmec, no Rio, acha que, como no caso da política macroeconômica, há uma linha de continuidade na política educacional de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela consiste basicamente na montagem de um amplo sistema de avaliação de escolas.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), um exame de avaliação de Português e Matemática no ensino fundamental, existe desde 1990. Foi em 1995, porém, que o Saeb passou por uma reformulação metodológica que o tornou comparável ano a ano - o que permite avaliar a melhora ao longo do tempo.
"Foi uma mudança fundamental", diz Veloso. Ainda no governo Fernando Henrique, foram criados o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Provão, para avaliar as universidades (descontinuado durante o governo Lula, que estabeleceu um outro sistema de avaliação do ensino superior).
No início do primeiro mandato de Lula, o enfoque na avaliação pareceu ameaçado, mas ele foi retomado ainda em 2005, com Tarso Genro como ministro da Educação, quando foi criada a Prova Brasil, um exame censitário (para todos os alunos) que avalia o ensino de Português e Matemática na 4ª e 8ª séries do fundamental em todas as escolas públicas urbanas do Brasil (com mais de 20 alunos nas séries avaliadas).
Com a chegada de Fernando Haddad ao Ministério da Educação, em julho de 2005, a opção pela avaliação como eixo da política educacional cristalizou-se. Em 2007, o sistema se sofisticou com a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um indicador divulgado a cada dois anos que classifica todas as escolas públicas da Prova Brasil. No caso, combinando o resultado neste exame com a "taxa de rendimento escolar" (que leva em conta a aprovação e a evasão).
O Ideb também estabeleceu metas anuais de melhora, até 2021, para cada escola pública, cada município e cada unidade da Federação. O objetivo mais geral é que o Brasil chegue em 2022 ao nível médio atual de qualidade de educação dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a maioria dos quais é rica. O Ideb prevê suporte federal para as redes e escola com piores resultados.
Todo esse arcabouço de avaliação de qualidade de ensino, e mais o teste internacional Pisa - no qual o Brasil é comparado com um grupo de países, basicamente os da OCDE, e tem ficado nas últimas colocações -, tiveram o desagradável mérito de revelar em detalhes o quadro lamentável da educação brasileira.
Como explica Menezes, as avaliações mostraram queda da qualidade de ensino entre 1995 e 2001, mas que pode ser explicada basicamente pelo ingresso no sistema educacional de contingentes que estavam fora. "Quando o pessoal é absorvido, começa a haver um melhora", adverte.
A partir de 2003, nota-se algum avanço, mas lento e concentrado nos níveis iniciais do fundamental, refletindo-se nas avaliações da 4ª série. Mais recentemente, o Ideb também mostrou sinais positivos na 8ª série, mas a melhora da qualidade do ensino médio tem sido mínima.
O grande desafio para o próximo governo, segundo Veloso, é aprender a utilizar o mapa das avaliações para se chegar a uma qualidade superior de ensino. Uma dificuldade adicional para o governo federal é que, devido à estrutura federativa do Brasil, a educação básica é atribuição de Estados e municípios, e há muitos limites ao que Brasília pode fazer de forma centralizada.
Para o especialista, o governo federal pode atuar incentivando e financiando inovações, avaliando e disseminando informações sobre experiências de sucesso e criando um arcabouço institucional que permita maior autonomia na gestão escolar.
A ideia é que o sistema de avaliações irá paulatinamente emitindo sinais sobre o que dá certo ou não nas dezenas de milhares de escolas brasileiras. A partir dessa base de informações, escolas, cidades e Estados, com o eventual apoio de Brasília, buscarão copiar e adaptar para si as soluções mais bem sucedidas reveladas pelo sistema de avaliação.
Na verdade, esse é um processo que já começa a acontecer. A ideia de oferecer bônus por desempenho de professores, por exemplo, espraiou-se pelos Estados de São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e a cidade do Rio de Janeiro.
Um exemplo bem concreto de como um bom projeto pode replicar-se são as escolas de ensino médio em tempo integral em Pernambuco, uma iniciativa do empresário Marcos Magalhães que se transformou em política pública. Agora, a secretária de Educação do município do Rio, Claudia Costin, resolveu adotar uma iniciativa parecida a partir de 2011, o chamado Ginásio Carioca, para o segundo segmento do fundamental, que vai da 5ª à 8ª série.
Tanto no caso de Pernambuco quanto no projeto do Ginásio Carioca há características, como cargas horárias de ensino elevadas e bônus por desempenho a professores (combinados com maior cobrança de resultado), que já se provaram eficazes nos Estados Unidos, em escolas voltadas a alunos de famílias carentes, que já chegam à sala de aula com uma imensa defasagem criada pelo ambiente familiar. Outra característica das duas experiências brasileiras é o trabalho em tempo integral dos professores, raro no país.
Os especialistas apontam diversos outros gargalos e problemas na trajetória de melhora da qualidade da educação no Brasil. Uma questão fundamental, principalmente para os alunos das famílias carentes, é a creche. Outro, a pré-escola. Já está amplamente comprovado, particularmente pelo trabalho de James Heckman, prêmio Nobel de Economia, que a intervenção para reduzir as defasagens educacionais é tão mais eficaz quanto mais prematura ocorrer.
Em termos quantitativos, o Brasil tem feito progressos nessa área. O porcentual de crianças de 4 e 5 anos na pré-escola subiu de 40% para 75% desde a década de 90. Menezes nota que é animador o fato de que, em Estados do Nordeste como Piauí e Ceará, aquele proporção chega a 90%.
Veloso observa, entretanto, que os estudos de Heckman indicam que não basta ter creches, que muitas vezes não passam de "depósitos de criança". É preciso uma intervenção bem planejada, com professores treinados para estimular crianças pequenas.
A lista de pendências na educação brasileira é grande, e inclui questões como a repetência, a qualidade dos professores, os cursos de pedagogia (excessivamente teóricos, na visão de Veloso e Menezes) e, no ensino superior, uma definição mais clara da estratégia - Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nota que o Pró-Uni, que distribui bolsas para pobres em universidades privadas, e a expansão da rede de universidades públicas, onde ricos têm mais facilidade de ingressar, são iniciativas quase contraditórias.
Existe ainda a questão dos gastos totais em Educação, que atingiram 4,7% do PIB em 2008, num grande avanço em relação aos 3,9% de 2005. Essa proporção deve aumentar, com a recente retirada dos gastos de educação da esfera remanejável pelo esquema da Desvinculação de Recursos da União (DRU).
Apesar da extensa e difícil agenda, há um relativo otimismo quanto às perspectivas da educação no Brasil, baseado exatamente na continuidade de política pragmáticas e orientadas por resultados, que prevalece desde a década de 90.
Menezes nota, porém, que ainda há muita gente na área de Educação que é contrária à cultura de avaliação, de indicadores e de comparar escolas. O maior risco, para ele, "é retroceder a uma política exclusivamente de demandas fáceis, como aumentar gastos com educação e salário de professores". Isso não significa ser contra essas políticas, mas sim ter claro que a melhora da qualidade da educação está intimamente ligada à melhora da qualidade do gasto com educação.
(Fernando Dantas)
(O Estado de SP, 27/9)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=73707
O nome do jogo é qualidade. A batalha do ensino, que define o futuro dos meninos, vai ser decidida dentro da sala de aula
No próximo governo, a parte mais importantes da política social pode ser a que vai tratar de educação. Uma das principais explicações sobre por que o crescimento econômico nesta década tem sido tão favorável aos pobres - a renda do trabalho da base da pirâmide cresce muito mais rápido do que a do topo - é a redução das desigualdades educacionais no Brasil. Que, ainda assim, permanecem gigantescas.
Para manter e acelerar essa melhora, o novo presidente terá de investir bem mais na qualidade da educação no ensino básico. Até agora, o avanço tem sido mais na escolaridade média, medida em anos de estudo, e não no nível de aprendizado dos alunos.
Pode parecer surpreendente que um país com qualidade sofrível de ensino na rede pública esteja reduzindo diferenças educacionais ao ponto de estreitar a diferença de renda entre ricos e pobres. Mas o especialista Naércio Menezes, professor e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, garante que é isso mesmo:
"Quando colocamos quase todas as crianças no fundamental - um processo iniciado na década de 90 - e elas começaram a chegar em maior número ao ensino médio, e a se matricular no ensino superior, a desigualdade começou a cair. Isso ocorreu mesmo sem melhora efetiva da qualidade da educação, só pelo acesso."
O efeito da escolarização no mercado de trabalho pode ser medido, explica Menezes, pela redução dos diferenciais de renda associados à educação. Quando a qualificação é escassa, o seu preço sobe. No Brasil, esses diferenciais são muito grandes, revelando que ainda persiste um abismo de diferenças educacionais.
Ainda assim, o "prêmio" salarial pelo diploma universitário começou a recuar a partir de 2005, e o relativo ao ensino médio já encolhe desde 2002 - não por coincidência, momento muito próximo do início da redução mais intensa da desigualdade da renda do trabalho nos últimos anos. Segundo Naércio, o único diferencial educacional que ainda está crescendo é o da pós-graduação.
O impulso educacional na redução da desigualdade deve continuar nos próximos anos, por inércia, à medida que sucessivas gerações cheguem ao mercado de trabalho com um nível cada vez maior de anos médios de estudo (hoje está por volta de 7,5 anos, para a população de 15 ou mais de idade).
Esse é um efeito, porém, que pode diminuir, na proporção em que o país vá completando o trabalho de universalizar a educação básica. Dessa forma, o ataque à má qualidade do ensino público será cada vez mais importante. A boa notícia é que os especialistas já começam a enxergar a luz no fim do túnel também no front da qualidade, embora os avanços sejam muito tênues.
O economista Fernando Veloso, especialista em educação do Ibmec, no Rio, acha que, como no caso da política macroeconômica, há uma linha de continuidade na política educacional de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela consiste basicamente na montagem de um amplo sistema de avaliação de escolas.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), um exame de avaliação de Português e Matemática no ensino fundamental, existe desde 1990. Foi em 1995, porém, que o Saeb passou por uma reformulação metodológica que o tornou comparável ano a ano - o que permite avaliar a melhora ao longo do tempo.
"Foi uma mudança fundamental", diz Veloso. Ainda no governo Fernando Henrique, foram criados o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Provão, para avaliar as universidades (descontinuado durante o governo Lula, que estabeleceu um outro sistema de avaliação do ensino superior).
No início do primeiro mandato de Lula, o enfoque na avaliação pareceu ameaçado, mas ele foi retomado ainda em 2005, com Tarso Genro como ministro da Educação, quando foi criada a Prova Brasil, um exame censitário (para todos os alunos) que avalia o ensino de Português e Matemática na 4ª e 8ª séries do fundamental em todas as escolas públicas urbanas do Brasil (com mais de 20 alunos nas séries avaliadas).
Com a chegada de Fernando Haddad ao Ministério da Educação, em julho de 2005, a opção pela avaliação como eixo da política educacional cristalizou-se. Em 2007, o sistema se sofisticou com a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um indicador divulgado a cada dois anos que classifica todas as escolas públicas da Prova Brasil. No caso, combinando o resultado neste exame com a "taxa de rendimento escolar" (que leva em conta a aprovação e a evasão).
O Ideb também estabeleceu metas anuais de melhora, até 2021, para cada escola pública, cada município e cada unidade da Federação. O objetivo mais geral é que o Brasil chegue em 2022 ao nível médio atual de qualidade de educação dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a maioria dos quais é rica. O Ideb prevê suporte federal para as redes e escola com piores resultados.
Todo esse arcabouço de avaliação de qualidade de ensino, e mais o teste internacional Pisa - no qual o Brasil é comparado com um grupo de países, basicamente os da OCDE, e tem ficado nas últimas colocações -, tiveram o desagradável mérito de revelar em detalhes o quadro lamentável da educação brasileira.
Como explica Menezes, as avaliações mostraram queda da qualidade de ensino entre 1995 e 2001, mas que pode ser explicada basicamente pelo ingresso no sistema educacional de contingentes que estavam fora. "Quando o pessoal é absorvido, começa a haver um melhora", adverte.
A partir de 2003, nota-se algum avanço, mas lento e concentrado nos níveis iniciais do fundamental, refletindo-se nas avaliações da 4ª série. Mais recentemente, o Ideb também mostrou sinais positivos na 8ª série, mas a melhora da qualidade do ensino médio tem sido mínima.
O grande desafio para o próximo governo, segundo Veloso, é aprender a utilizar o mapa das avaliações para se chegar a uma qualidade superior de ensino. Uma dificuldade adicional para o governo federal é que, devido à estrutura federativa do Brasil, a educação básica é atribuição de Estados e municípios, e há muitos limites ao que Brasília pode fazer de forma centralizada.
Para o especialista, o governo federal pode atuar incentivando e financiando inovações, avaliando e disseminando informações sobre experiências de sucesso e criando um arcabouço institucional que permita maior autonomia na gestão escolar.
A ideia é que o sistema de avaliações irá paulatinamente emitindo sinais sobre o que dá certo ou não nas dezenas de milhares de escolas brasileiras. A partir dessa base de informações, escolas, cidades e Estados, com o eventual apoio de Brasília, buscarão copiar e adaptar para si as soluções mais bem sucedidas reveladas pelo sistema de avaliação.
Na verdade, esse é um processo que já começa a acontecer. A ideia de oferecer bônus por desempenho de professores, por exemplo, espraiou-se pelos Estados de São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e a cidade do Rio de Janeiro.
Um exemplo bem concreto de como um bom projeto pode replicar-se são as escolas de ensino médio em tempo integral em Pernambuco, uma iniciativa do empresário Marcos Magalhães que se transformou em política pública. Agora, a secretária de Educação do município do Rio, Claudia Costin, resolveu adotar uma iniciativa parecida a partir de 2011, o chamado Ginásio Carioca, para o segundo segmento do fundamental, que vai da 5ª à 8ª série.
Tanto no caso de Pernambuco quanto no projeto do Ginásio Carioca há características, como cargas horárias de ensino elevadas e bônus por desempenho a professores (combinados com maior cobrança de resultado), que já se provaram eficazes nos Estados Unidos, em escolas voltadas a alunos de famílias carentes, que já chegam à sala de aula com uma imensa defasagem criada pelo ambiente familiar. Outra característica das duas experiências brasileiras é o trabalho em tempo integral dos professores, raro no país.
Os especialistas apontam diversos outros gargalos e problemas na trajetória de melhora da qualidade da educação no Brasil. Uma questão fundamental, principalmente para os alunos das famílias carentes, é a creche. Outro, a pré-escola. Já está amplamente comprovado, particularmente pelo trabalho de James Heckman, prêmio Nobel de Economia, que a intervenção para reduzir as defasagens educacionais é tão mais eficaz quanto mais prematura ocorrer.
Em termos quantitativos, o Brasil tem feito progressos nessa área. O porcentual de crianças de 4 e 5 anos na pré-escola subiu de 40% para 75% desde a década de 90. Menezes nota que é animador o fato de que, em Estados do Nordeste como Piauí e Ceará, aquele proporção chega a 90%.
Veloso observa, entretanto, que os estudos de Heckman indicam que não basta ter creches, que muitas vezes não passam de "depósitos de criança". É preciso uma intervenção bem planejada, com professores treinados para estimular crianças pequenas.
A lista de pendências na educação brasileira é grande, e inclui questões como a repetência, a qualidade dos professores, os cursos de pedagogia (excessivamente teóricos, na visão de Veloso e Menezes) e, no ensino superior, uma definição mais clara da estratégia - Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nota que o Pró-Uni, que distribui bolsas para pobres em universidades privadas, e a expansão da rede de universidades públicas, onde ricos têm mais facilidade de ingressar, são iniciativas quase contraditórias.
Existe ainda a questão dos gastos totais em Educação, que atingiram 4,7% do PIB em 2008, num grande avanço em relação aos 3,9% de 2005. Essa proporção deve aumentar, com a recente retirada dos gastos de educação da esfera remanejável pelo esquema da Desvinculação de Recursos da União (DRU).
Apesar da extensa e difícil agenda, há um relativo otimismo quanto às perspectivas da educação no Brasil, baseado exatamente na continuidade de política pragmáticas e orientadas por resultados, que prevalece desde a década de 90.
Menezes nota, porém, que ainda há muita gente na área de Educação que é contrária à cultura de avaliação, de indicadores e de comparar escolas. O maior risco, para ele, "é retroceder a uma política exclusivamente de demandas fáceis, como aumentar gastos com educação e salário de professores". Isso não significa ser contra essas políticas, mas sim ter claro que a melhora da qualidade da educação está intimamente ligada à melhora da qualidade do gasto com educação.
(Fernando Dantas)
(O Estado de SP, 27/9)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=73707
Uso de bombas lógicas preocupa Exército brasileiro
Pedro Peduzzi - Agência Brasil - 23/09/2010
Bomba lógica
O chefe do Estado-Maior do Exército, general Marius Luiz Carvalho Teixeira Neto, usou hoje uma versão militar dos termos usados por especialistas em tecnologia digital para demonstrar a necessidade de o Brasil se preparar para eventuais ataques cibernéticos.
"Não vou falar tudo. Apenas vou dizer duas palavras: procurem saber o que significa bomba lógica", disse o general, sem dar explicações, durante o 10º Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, promovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
"Bomba lógica é um programa malicioso (malwares) que se instala em computadores de forma similar aos vírus. Muitos desses malwares têm como objetivo destruir dados ou danificar o disco rígido. Se ativado em computadores estratégicos, pode resultar em grandes prejuízos para o Estado", explicou o perito criminal federal Paulo Quintiliano, especialista em crimes cibernéticos.
Em inglês, esse tipo de ataque é conhecido como time bombs.
Uso militar dos malwares
Segundo ele, muitos desses aplicativos possuem gatilhos para serem disparados de forma simultânea por diversos computadores. "Há uma certa predileção de ciberterroristas por esse tipo de malware. Alguns grupos políticos costumam espalhar bombas lógicas para serem disparadas em datas especiais. Assim, tentam chamar atenção para algum evento ocorrido naquela data", explicou Quintiliano.
Apesar de não ser especialista no assunto, o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Octávio Brandão Caldas Netto, disse que a entidade reúne muitos peritos no assunto. Por isso, não estranhou a declaração do chefe do Estado-Maior do Exército. Para ele, é provável que o Brasil esteja preocupado com o uso militar das bombas lógicas.
"Não há nada comprovado. O que ouvi são relatos de especialistas em informática, sobre a possibilidade de fabricantes de armamentos venderem equipamentos bélicos a outros países contendo bombas lógicas que poderiam ser ativadas caso as armas sejam usadas contra o país de origem", disse Brandão à Agência Brasil.
Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bombas-logicas&id=020175100923&ebol=sim
Bomba lógica
O chefe do Estado-Maior do Exército, general Marius Luiz Carvalho Teixeira Neto, usou hoje uma versão militar dos termos usados por especialistas em tecnologia digital para demonstrar a necessidade de o Brasil se preparar para eventuais ataques cibernéticos.
"Não vou falar tudo. Apenas vou dizer duas palavras: procurem saber o que significa bomba lógica", disse o general, sem dar explicações, durante o 10º Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, promovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
"Bomba lógica é um programa malicioso (malwares) que se instala em computadores de forma similar aos vírus. Muitos desses malwares têm como objetivo destruir dados ou danificar o disco rígido. Se ativado em computadores estratégicos, pode resultar em grandes prejuízos para o Estado", explicou o perito criminal federal Paulo Quintiliano, especialista em crimes cibernéticos.
Em inglês, esse tipo de ataque é conhecido como time bombs.
Uso militar dos malwares
Segundo ele, muitos desses aplicativos possuem gatilhos para serem disparados de forma simultânea por diversos computadores. "Há uma certa predileção de ciberterroristas por esse tipo de malware. Alguns grupos políticos costumam espalhar bombas lógicas para serem disparadas em datas especiais. Assim, tentam chamar atenção para algum evento ocorrido naquela data", explicou Quintiliano.
Apesar de não ser especialista no assunto, o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Octávio Brandão Caldas Netto, disse que a entidade reúne muitos peritos no assunto. Por isso, não estranhou a declaração do chefe do Estado-Maior do Exército. Para ele, é provável que o Brasil esteja preocupado com o uso militar das bombas lógicas.
"Não há nada comprovado. O que ouvi são relatos de especialistas em informática, sobre a possibilidade de fabricantes de armamentos venderem equipamentos bélicos a outros países contendo bombas lógicas que poderiam ser ativadas caso as armas sejam usadas contra o país de origem", disse Brandão à Agência Brasil.
Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bombas-logicas&id=020175100923&ebol=sim
Supervírus de computador ataca usina nuclear iraniana
Jonathan Fildes - BBC - 23/09/2010
Guerra cibernética
Um tipo de vírus de computador, dos mais sofisticados já detectados, pode ter como alvo infraestrutura iraniana de "alto valor", segundo especialistas ouvidos pela BBC.
A complexidade do malware Stuxnet, programa que permite o acesso remoto ao computador infectado, sugere que ele deve ter sido criado por algum governo nacional, de acordo com alguns analistas.
Acredita-se que o vírus seja o primeiro especialmente criado para atacar infraestruturas reais, como usinas hidroelétricas e fábricas.
Uma pesquisa da Symantec, empresa norte-americana de segurança informática, sugere que quase 60% de todas as infecções mundiais ocorrem no Irã.
"O fato de que vemos mais infecções no Irã do que em qualquer outro lugar do mundo nos faz pensar que o país era alvo", diz Liam O'Murchu, da Symantec.
O Stuxnet foi detectado por uma empresa de segurança de Belarus em junho, embora esteja circulando desde 2009 e vem sendo intensivamente estudado desde então.
Stuxnet
O Stuxnet, ao contrário da maioria dos vírus virtuais, não está conectado com a internet. Ele infecta máquinas Windows por meio de portas USB e pen drives usados para transportar arquivos.
Uma vez que infecta uma máquina da intranet, a rede interna, da empresa, o vírus busca uma configuração específica de um software para controle industrial feito pela Siemens.
O Stuxnet passa então a dar à máquina novas instruções "desligando motores, mexendo no monitoramento de temperaturas, desligando refrigeradores, por exemplo", diz O'Murchu.
"Nunca vimos este tipo de ataque antes", diz ele.
Se não encontra a configuração específica, o vírus permanece inofensivo.
Arma estatal
O Stuxnet impressiona pela complexidade do código usado e por usar muitas técnicas diferentes.
"Ele apresenta muitas tecnologias que não conhecemos", disse O'Murchu, que cita as formas de se manter escondido em pen drives e os métodos de infecção.
"É um projeto enorme, muito bem planejado e financiado", diz ele.
Sua análise é similar a de outros especialistas.
"Com as provas que temos, é evidente e provável que o Stuxnet seja uma arma de sabotagem direcionada, que contou com informações de membros da indústria", disse o especialista em Tecnologia da Informação industrial Ralph Langner em artigo publicado na internet.
"Não se trata de um hacker trabalhando no porão da casa dos pais. Ele tem uma quantidade incrível de códigos apenas para infectar outras máquinas", diz ele.
"Para mim, os recursos necessários para realizar um ataque destes apontam para um governo", diz ele.
Usina nuclear
Langner sugeriu que o Stuxnet pode ter atacado a usina nuclear de Bushehr.
O especialista afirma que uma foto supostamente tirada na usina sugere que esta usa sistemas da Siemens, embora "não configurados ou licenciados corretamente".
Outros especialistas especularam que o vírus pode estar atacando a usina de enriquecimento de urânio de Natanz. Mas O'Murchu e outros dizem que não há evidências de quais seriam os alvos específicos.
Um porta-voz da Siemens disse que empresa não comentaria "especulações sobre o alvo do vírus", afirmando que a usina iraniana foi construída por uma empresa russa, sem qualquer envolvimento de sua companhia.
"A Siemens deixou o país há quase 30 anos", disse ele.
O'Murchu apresentará um estudo sobre o vírus em uma conferência em Vancouver, Canadá, em 29 de setembro.
Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=supervirus-computador-ataca-ira&id=020175100923&ebol=sim
Guerra cibernética
Um tipo de vírus de computador, dos mais sofisticados já detectados, pode ter como alvo infraestrutura iraniana de "alto valor", segundo especialistas ouvidos pela BBC.
A complexidade do malware Stuxnet, programa que permite o acesso remoto ao computador infectado, sugere que ele deve ter sido criado por algum governo nacional, de acordo com alguns analistas.
Acredita-se que o vírus seja o primeiro especialmente criado para atacar infraestruturas reais, como usinas hidroelétricas e fábricas.
Uma pesquisa da Symantec, empresa norte-americana de segurança informática, sugere que quase 60% de todas as infecções mundiais ocorrem no Irã.
"O fato de que vemos mais infecções no Irã do que em qualquer outro lugar do mundo nos faz pensar que o país era alvo", diz Liam O'Murchu, da Symantec.
O Stuxnet foi detectado por uma empresa de segurança de Belarus em junho, embora esteja circulando desde 2009 e vem sendo intensivamente estudado desde então.
Stuxnet
O Stuxnet, ao contrário da maioria dos vírus virtuais, não está conectado com a internet. Ele infecta máquinas Windows por meio de portas USB e pen drives usados para transportar arquivos.
Uma vez que infecta uma máquina da intranet, a rede interna, da empresa, o vírus busca uma configuração específica de um software para controle industrial feito pela Siemens.
O Stuxnet passa então a dar à máquina novas instruções "desligando motores, mexendo no monitoramento de temperaturas, desligando refrigeradores, por exemplo", diz O'Murchu.
"Nunca vimos este tipo de ataque antes", diz ele.
Se não encontra a configuração específica, o vírus permanece inofensivo.
Arma estatal
O Stuxnet impressiona pela complexidade do código usado e por usar muitas técnicas diferentes.
"Ele apresenta muitas tecnologias que não conhecemos", disse O'Murchu, que cita as formas de se manter escondido em pen drives e os métodos de infecção.
"É um projeto enorme, muito bem planejado e financiado", diz ele.
Sua análise é similar a de outros especialistas.
"Com as provas que temos, é evidente e provável que o Stuxnet seja uma arma de sabotagem direcionada, que contou com informações de membros da indústria", disse o especialista em Tecnologia da Informação industrial Ralph Langner em artigo publicado na internet.
"Não se trata de um hacker trabalhando no porão da casa dos pais. Ele tem uma quantidade incrível de códigos apenas para infectar outras máquinas", diz ele.
"Para mim, os recursos necessários para realizar um ataque destes apontam para um governo", diz ele.
Usina nuclear
Langner sugeriu que o Stuxnet pode ter atacado a usina nuclear de Bushehr.
O especialista afirma que uma foto supostamente tirada na usina sugere que esta usa sistemas da Siemens, embora "não configurados ou licenciados corretamente".
Outros especialistas especularam que o vírus pode estar atacando a usina de enriquecimento de urânio de Natanz. Mas O'Murchu e outros dizem que não há evidências de quais seriam os alvos específicos.
Um porta-voz da Siemens disse que empresa não comentaria "especulações sobre o alvo do vírus", afirmando que a usina iraniana foi construída por uma empresa russa, sem qualquer envolvimento de sua companhia.
"A Siemens deixou o país há quase 30 anos", disse ele.
O'Murchu apresentará um estudo sobre o vírus em uma conferência em Vancouver, Canadá, em 29 de setembro.
Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=supervirus-computador-ataca-ira&id=020175100923&ebol=sim
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