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quinta-feira, 14 de junho de 2012

O CAPITALISMO ‘VERDE’ NA RIO 20



Fonte: Valor Econômico de 11.06.2012
 À primeira vista, uma planície com fortes rajadas de vento no norte do Oregon pode não parecer o mais óbvio dos locais para o Google investir US$ 100 milhões.

Mas é ali que vem tomando forma uma das maiores fazendas eólicas do mundo, e o dinheiro que a empresa destinou ao empreendimento é apenas uma parte dos US$ 915 milhões que o Google investiu em projetos de fontes de energia renováveis nos últimos dois anos.

A empresa não é a única: do outro lado do mundo, a controladora da fabricante dinamarquesa de brinquedos Lego está investindo 3 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 500 milhões) em uma fazenda eólica ao largo da costa da Alemanha. A Ikea, da Suécia, tem uma série de fazendas eólicas em países como a Escócia, França e Alemanha.

Muitas empresas usam credenciais ecológicas como marketing, mas outras vão além da “maquiagem verde”
“Não desejamos nos tornar uma empresa geradora de energia”, diz Rick Needham, diretor da área de energia e sustentabilidade do Google. Essa é também a posição da Ikea ou da Lego, mas o que as três desejam, efetivamente, é promover o uso da eletricidade “verde”.

“E daí?”, poderiam perguntar alguns. Empresas vêm brandindo suas credenciais ambientais desde pelo menos os anos 80, década em que Ed Woolard, então executivo-chefe do grupo químico DuPont, disse que em sua companhia a letra “e” da sigla CEO, de “chief executive officer”, representava “ambiente” (Environment). A empresa, na época, encontrava-se sob fogo cruzado de críticos que a consideravam uma das piores poluidoras do mundo.

Mas algo distinto está acontecendo agora. Um pequeno, mas importante, grupo de empresas começou a adotar estratégias verdes muito mais ambiciosas, que exigem grandes recursos e uma mudança na forma como operam seus negócios.

Essa versão mais proativa de sustentabilidade empresarial poderá revelar-se insustentável. E é fácil descartar a ideia de que seria apenas mais uma tática de relações públicas para os tempos atuais, em que o termo “maquiagem verde” (usar a ecologia em relações públicas como forma de maquiar comportamento empresarial incorreto) tornou-se parte da linguagem cotidiana.

Embora algumas empresas certamente estejam desfilando com suas credenciais verdes como estratégia de marketing para atrair os consumidores, cada vez mais receptivos a questões ambientais, muitas outras parecem na verdade estar avançando muito além da maquiagem verde. Alguns observadores acreditam que estamos no início de uma mudança crucial no comportamento das empresas, que se intensificará à medida que se deparem com problemas cada vez mais profundos decorrentes do aumento populacional e da limitação de recursos.

Essa será a mensagem neste mês no Rio de Janeiro, onde mais de cem líderes mundiais se reunirão para a Rio 20, conferência sobre sustentabilidade organizada pela ONU, que tem esse nome por acontecer 20 anos depois da Eco-92, também realizada na cidade.

Os líderes empresariais terão maior papel neste ano do que em encontros anteriores. Muitos dizem que as empresas agora estão na vanguarda das iniciativas, enquanto os governos, repetidamente, não conseguem chegar a um consenso em torno de políticas policiáveis de crescimento mundial sustentável.
O envolvimento empresarial no encontro de 1992 foi insignificante, diz Rachel Kyte, vice-presidente de desenvolvimento sustentável do Banco Mundial. “Foi uma era diferente”.

Neste ano, em contraste, os executivos constituirão um dos grupos não governamentais mais numerosos no Rio. Pretendem reunir-se durante vários dias, antes do evento formal. Vão elaborar suas próprias estratégias de sustentabilidade e as apresentarão às autoridades.

“O objetivo é criar insumos para as políticas governamentais em escala grande e bastante ambiciosa, e é a primeira vez em que isso acontece”, diz Georg Kell, diretor executivo do Global Compact, da ONU.

O que vai resultar efetivamente disso ainda não está claro. De qualquer forma, o encontro no Rio evidenciará que atualmente é mais complicado para uma empresa tentar passar-se por defensora ecológica plantando um punhado de árvores numa floresta tropical da Indonésia ou publicando um relatório de sustentabilidade.

Hoje, algumas empresas promovem mudanças bem mais radicais. O Walmart está induzindo milhares de fornecedores a praticar processos produtivos mais verdes. A Puma, fabricante de artigos esportivos, adotou uma contabilidade de “lucros e prejuízos” ambientais, para priorizar que aspectos de suas operações precisam ficar mais verdes. Sob pressão do Greenpeace, o McDonald”s comprometeu-se a não vender frangos alimentados com soja, uma agricultura que vem sendo responsável por desmatamentos na Amazônia.

Muitos observam que o número de empresas que colocam em prática esse tipo de ações continua pequeno e levantam dúvidas sobre se as demais – cujo objetivo supremo é o lucro – podem realmente mudar o rumo de suas agendas sem uma orientação mais firme dos governos. Especialmente as empresas de setores poluentes, como a indústria pesada e a petrolífera, sofrem críticas por recorrer à “maquiagem verde”.

Apesar disso, muitas empresas estão, sem dúvida, sob mais pressões imediatas para reformar seus modelos de negócios, diante de previsões de que a população mundial crescerá de 7 bilhões para 9 bilhões de pessoas até 2050, em grande parte nas economias emergentes. A pressão resultante sobre os recursos naturais, como as fontes de energia, água e alimentos, vem incentivando muitos executivos a imaginar como suas empresas podem enfrentar – ou beneficiar-se – de um mundo onde o barril de água poderá custar US$ 150, para não falar dos barris de petróleo.

Ao mesmo tempo, não há um país ou grupo de países que pareça disposto ou capaz de defender uma agenda internacional, algo que o cientista político americano Ian Bremmer descreve como mundo do “G-zero”, em oposição ao mundo liderado por grupos como o G-7 ou G-20.

Isso oferece às empresas uma oportunidade histórica, diz Paul Polman, holandês de 55 anos que há três anos e meio comanda a Unilever. O executivo é considerado um decano do movimento de sustentabilidade nas empresas. Em 2010, ele respondeu a investidores que discordavam de sua estratégia verde da seguinte forma: “Não coloque seu dinheiro em nossa empresa”. Incansavelmente, ele promoveu esforços que vão de detergentes concentrados (que usam menos água) até ensinar a agricultores indianos que cultivam pepinos a usar menos pesticidas.

Tomando um cafezinho em seu escritório em Londres, ele diz que essas medidas são necessárias devido ao esgotamento cada vez maior dos recursos naturais, associado à pressão das mudanças climáticas e à inação dos políticos presos a uma visão de curto prazo.

“Não vemos, hoje, os governos comandando tanto quanto esperaríamos”, diz ele. “Essa é uma oportunidade única, para as empresas, de assumir cada vez mais essa responsabilidade de oferecer soluções”.

“O que veremos no Rio é uma galvanização inacreditável de empresas que dizem: “Eu vejo os custos todos os dias, vejo os efeitos todos os dias, não consigo funcionar se a sociedade não funciona. Nós precisamos assumir o comando”.

Alguns dizem que as empresas já assumiram a liderança. “Se você pensar onde estão as iniciativas dignas de nota na paisagem da inovação e ideias e pensamentos interessantes, verá que estão quase exclusivamente sendo agora originadas nas empresas”, diz John Elkington, uma das principais figuras do movimento de responsabilidade empresarial.

“Há uma nova geração de CEOs que não estão nisso simplesmente para sentirem-se à vontade quando nadam para lá e para cá na piscina do clube, só para poderem dizer: “Eu recebi um relatório, você recebeu?” Eles estão dizendo: “Isso diz respeito, fundamentalmente, ao futuro do capitalismo, e vamos ter de botar isso em ordem”.

Mas há limites evidentes ao que uma empresa estruturada para gerar valor para seus acionistas, está disposta a fazer na ausência de regulamentação governamental.

Em outras palavras, será que a Coca-Cola teria algum dia abandonado volutariamente o uso de garrafas tamanho família para seu refrigerante, proibida pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, na semana passada?

Isso está no cerne da argumentação de pelo menos um dos executivos que estarão a caminho do Rio, neste mês. James Cameron, do grupo de investimento londrino Climate Change Capital, concorda com que as empresas estão fazendo muito mais para cumprir objetivos ambientais.

“Mas, em muitos aspectos, o objetivo delas não é esse”, diz ele. “É um ajuste incômodo. O objetivo dessas empresas não deixou de ser gerar lucros e distribuí-los aos acionistas”.

O desafio, considera ele, é capitalizar o know-how que está sendo desenvolvido nas principais empresas e usá-lo com mais eficácia.

O grupo de defensores do verde abriga apenas cerca de 1% das empresas com receita acima de US$ 1 bilhão.

Por outro lado, o grupo de defensores do verde ainda é muito pequeno. Corresponde apenas a cerca de 1% das empresas com receita acima de US$ 1 bilhão, diz David Metcalfe, principal executivo do Verdantix, uma empresa de pesquisas e consultoria, que divide essas empresas em dois segmentos.

Em primeiro lugar, há as “evangélicas”, como a Unilever, a Philips, companhia holandesa fabricante de produtos eletrônicos, ou a britânica Marks and Spencer, para as quais a sustentabilidade é “um sistema de crenças”, muitas vezes motivadas pelas opiniões de um CEO sobre tendências de longo prazo, como a escassez de recursos naturais. Embora o Google enfatize pretender que seu parque gerador de energia eólica seja lucrativo, o empreendimento é, na realidade, um exemplo da iniciativa de uma empresa de enveredar numa área de atuação não essencial para se preparar para uma nova paisagem comercial.

E há também os “capitalistas da sustentabilidade”, como a GE ou a Siemens, que investem em empreendimentos como energia eólica ou em tecnologia para aumentar a eficiência do uso da água porque veem oportunidades de crescimento em curto prazo.

Apesar do que Metcalfe descreve como esforços “desesperados” para estabelecer um vínculo entre sustentabilidade e lucros, ele diz que “ainda não se chegou, absolutamente, a uma conclusão” sobre a existência desse vínculo, e sugere que a atual campanha empresarial em defesa da sustentabilidade pode ser frágil.

“A grande interrogação é até que ponto as evangélicas conseguirão converter as pessoas, e com que rapidez”, diz ele. “Acho que muitos conselhos de administração serão, positiva ou negativamente, influenciados pelo êxito ou não das evangélicas”.

Já há sinais de defecções. Neste ano, a Tesco, grupo britânico de supermercados, revelou estar abandonando um plano que pretende colocar nas embalagens de produtos, rótulos informando sobre seu “impacto de carbono”, anunciado em 2007 durante tempos mais prósperos.

Finalmente, há a questão possivelmente mais básica sobre as ambiciosas políticas de sustentabilidade empresarial: estão, essas políticas, gerando grandes resultados?

“Em nível geral, a resposta é, inequivocamente, “não”", diz John Sauven, do Greenpeace Reino Unido, apontando para o aumento incessante das emissões de carbono, a pesca excessiva, a devastação florestal e a extinção de espécies em todo o mundo.

“Mas quando focamos o comportamento empresarial individual, observamos algumas mudanças bastante significativas”, acrescenta ele, explicando que as empresas multinacionais, como a Nestlé e a Unilever, podem produzir um grande impacto ao decidirem tornar suas enormes cadeias de suprimento tão ambientalmente saudáveis quanto for possível.

“Isso é muito difícil de implementar”, diz ele. “É também algo relativamente novo para elas. Mas estão fazendo isso, e estão investindo somas muito consideráveis de dinheiro”.

Isso é inegável. Mas teremos de esperar até a realização da Rio 30 para ver se essas iniciativas irão realmente mudar a maneira como as empresas são operadas.

Essa deverá ser a maior conferência já organizada pela ONU, sendo uma oportunidade histórica para os líderes mundiais resolverem uma longa lista de problemas ambientais e sociais do mundo.
Mas, a apenas algumas semanas do início da conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável na cidade brasileira do Rio de Janeiro, ainda está longe de ser claro o que dela resultará.

Acredita-se que cem líderes venham a participar da conferência Rio 20. Mas Barack Obama, o presidente dos EUA, em meio de uma campanha eleitoral, estará ausente. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e primeiro-ministro britânico, David Cameron, também não virão.

E alguns que inicialmente planejavam comparecer, inclusive uma delegação do Parlamento Europeu, abandonaram a ideia, quando confrontados com os preços estratosféricos dos hotéis em uma cidade cujo número de leitos é estimado em 33 mil, em comparação com os 50 mil visitantes esperados para a cúpula.

Outro empecilho está no fato de alguns hotéis insistirem em que os hóspedes façam reservas para pelo menos uma semana, mesmo que desejem permanecer apenas alguns dias, o que não é um sinal animador para uma cidade que sediará a Copa do Mundo de futebol em 2014 e a Olimpíada de 2016.

Alguns problemas estão fora de controle dos organizadores. A data original da conferência teve de ser transferida por coincidir com o Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth II, do Reino Unido. Ninguém poderia ter imaginado que a conferência seria realizada na mesma semana em que a Grécia realizará uma eleição crítica para o destino da zona do euro.

No entanto, muita gente está mais preocupada com os resultados das negociações sobre os resultados da própria cúpula. Elas têm sido tão turbulentas, que diplomatas ainda estavam se reunindo em Nova York, na semana passada, para tentar transformar um texto final desconexo num documento político que apresentasse um pouco mais de foco.

“Parece inexistir um senso de urgência, o que é preocupante”, diz Peter Paul van de Wijs, do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. “O que está em discussão é totalmente inadequado para uma conferência mundial”, acrescenta Daniel Mittler, diretor de assuntos políticos do Greenpeace International. “Esses tipos de eventos deveriam se preocupar em promover mudanças transformacionais”.

Mas alguns analistas continuam otimistas. “As coisas progrediram consideravelmente nos últimos dias”, disse Farroq Ullah, do Stakeholder Forum, um grupo de defesa da sustentabilidade do ambiente. “Acho que chegaremos a um bom ponto com o documento resultante do encontro”.

ECONOMIA DO CONHECIMENTO



Fonte: Eloi S. Garcia, 11.06.2012
Lutar pela ciência e tecnologia é importante para a defesa do crescimento econômico de um país.
Temos que divulgar de todas as maneiras os êxitos que tivemos, nos últimos 10 anos, em nossa produção científica e tecnológica e nos investimentos de agências com Capes, Cnpq e fundações estaduais nestas áreas. Está havendo uma conscientização cada vez maior da população pela importância da ciência para a economia brasileira.

Devemos também desenvolver o conceito da ciência como bem de um povo e uma coisa boa para a população. Todos devem participar e se envolver na cultura da formação científica e tecnológica. Principalmente os jovens e estudantes, pois nas mãos deles estão a capacidade e a invenção do futuro produtivo de nosso país. Por isso nos preocupam quaisquer tipos de reduções orçamentárias, das agências estaduais e federais, pois em pesquisa isto é terrível.

Estas áreas são as apostas que temos pela frente. Todos os países que decidiram investir em ciência estão sofrendo menos com a crise econômica mundial. Não existe outra solução. A indústria inovadora e o rendimento industrial dependem destas áreas. Os países que reduziram o investimento em ciência e tecnologia estão reconhecendo os resultados negativos obtidos. A Alemanha, por exemplo, que continuou investindo nestas áreas, reconhece a situação e está mostrando nitidamente que o investimento em ciência melhora o desenvolvimento e a economia em época de crise.

Uma política governamental importante é pensar como distribuir recursos financeiros nestas áreas, pois uma redução orçamentária em ciência e tecnologia, que pode causar uma economia em curto prazo, pode também afetar drasticamente a competitividade de um país em um futuro próximo. Os pesquisadores brasileiros, nos últimos anos, têm obtidos excelentes resultados nestas áreas. Temos aumentado, cada vez mais, o sucesso e a divulgação da ciência brasileira no exterior. Devemos continuar incrementando nossa participação internacional.

A economia mundial se baseia no conhecimento científico e tecnológico. Não há outra maneira para defender países como o nosso a não ser lutando pelo aumento da capacidade científica de nossos estudantes. Nosso país é imenso e com uma diversidade bem reconhecida. Esta diversidade é nossa grande vantagem e necessidade para produzir diferentes tipos de ciência, tecnologia e inovação.

Somente podemos evitar a crise com maior reconhecimento do empreendedorismo, valor do esforço pela competição criativa e inteligente, e buscar no país a solução de nossos problemas.

* Eloi Garcia, ex-presidente e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, é membro da Academia Brasileira de Ciências.

A CURA DA TERRA JÁ EXISTE





Fonte: Stephen Leahy, da Inter Press Service – IPS, de 06.06.2012
Uxbridge, Canadá, 6/6/2012 – O Ártico alcançou uma concentração recorde de dióxido de carbono de 400 partes por milhão (ppm). A última vez que a Terra registrou níveis semelhantes foi há três milhões de anos, durante a era do Plioceno. Então, as temperaturas do Ártico eram entre 10 e 14 graus mais altas e, as globais, quatro graus mais elevadas. Nesta primavera boreal, todos os centros de pesquisa no Alasca, na Groenlândia, Noruega, Islândia, e inclusive Mongólia, registraram níveis superiores à barreira dos 400 ppm pela primeira vez, informaram cientistas.

Entretanto, a média mundial é de 392 ppm, e para chegar aos 400 ainda falta muito. Se os níveis de dióxido de carbono (CO2) não baixarem, ou, pior, aumentarem, o planeta inevitavelmente alcançará temperaturas mais altas, e para isto não serão necessários milhões de anos. Se não houver grande redução nas emissões de gases gerados por combustíveis fósseis, quem nascer hoje poderá viver em um mundo superaquecido em quatro graus quando for adulto. Este aumento fará com que a maior parte da Terra fique inabitável. Um mundo mais quente significará a morte para muitas pessoas no mundo, afirmou Chris West, do Programa de Impacto Climático, da britânica Universidade de Oxford.

Esta semana, a Agência Internacional de Energia informou que as emissões mundiais de CO2 cresceram 3,2% em 2011, com relação a 2010. Esta é precisamente a direção errada: as liberações de gases devem diminuir 3% ao ano para se ter alguma esperança quanto a um futuro de clima estável. Até 2050, em um mundo com mais habitantes, as emissões de carbono deveriam cair pela metade. Isto é impossível? Não. Várias análises diferentes mostram como isso pode ser alcançado.

Por exemplo, a consultoria holandesa Ecofys publicou em 2010 um estudo técnico intitulado O Informe de Energia, no qual demonstra como o mundo poderia usar somente fontes renováveis até 2050. O Greenpeace tem um plano denominado (R)evolução Energética, e a Agência Internacional de Energia conta com o seu próprio estudo, chamado Cenário 450. Não existe carência de conhecimento técnico sobre como reduzir as emissões.

Alguns países já começaram a tomar medidas. A Alemanha obteve mais de 30% de sua energia com a luz solar de um único dia claro na última semana de maio. Em lugar de utilizar suas 20 ou mais centrais de carvão, este país empregou energia de mais de um milhão de painéis solares localizados em casas, edifícios e ao lado de estradas. Embora não se caracterize por ter um clima quente, a Alemanha conta com mais painéis solares do que o resto do mundo somado. Atende 4% de suas necessidades anuais de eletricidade graças à energia solar. Inclusive, poderia aumentar sua produção solar entre 5% e 10%, segundo especialistas, sobretudo graças às últimas reduções no custo dos painéis.

A diferença na Alemanha é a liderança. A revolução das energias renováveis nesse país foi iniciada em 2000, pelo então ministro da Economia, Hermann Scheer, que promoveu durante anos esta política para impedir que os sucessivos governos a deixassem de lado. Morreu repentinamente em 2010, mas outros líderes alemães, apoiados por grupos ambientalistas e pelo público em geral, continuam pressionando por mais apoio às energias renováveis.

A chefe de governo, Angela Merkel, reverteu sua política de apoio ao setor nuclear depois do acidente na central japonesa de Fukushima, no ano passado. A Alemanha anunciou que fechará suas 17 usinas atômicas até 2022 e adotou o ambicioso plano de energias renováveis chamado Agora Energiewende. Se obtiver sucesso, o programa fará com que pelo menos 40% da energia do país proceda de fontes renováveis, até 2022. Representantes do poderoso setor energético expressaram seu descontentamento com o plano de Merkel, e a chanceler disse que precisará de forte apoio público para seguir adiante.

O setor das energias renováveis na Alemanha emprega mais pessoas do que o automotivo. No mundo, as energias renováveis empregam atualmente cerca de cinco milhões de trabalhadores, mais do que o dobro no período de 2006-2010, segundo estudo divulgado na última semana de maio pela Organização Mundial do Trabalho (OIT). A passagem para uma economia verde poderá gerar entre 15 milhões e 60 milhões de empregos adicionais em todo o planeta nas próximas duas décadas, podendo tirar milhões de pessoas da pobreza, afirma o estudo Trabalhando para um Desenvolvimento Sustentável.

Apenas entre dez e 15 indústrias respondem por 70% a 80% das emissões de CO2 nos países industrializados, destaca o informe. E estas indústrias empregam apenas de 8% a 12% da força de trabalho. Mesmo adotando políticas para conseguir grandes reduções das emissões, apenas uns poucos perderiam seus empregos. “A sustentabilidade ambiental não mata empregos, como às vezes se diz”, ressaltou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia. “Pelo contrário, se é manejada de forma adequada, pode derivar em mais e melhores empregos, em redução da pobreza e inclusão social”, acrescentou.

É genético! Identifique seu tipo sanguíneo e saiba como ele influencia o seu trabalho



SÃO PAULO - As características responsáveis por definir a personalidade de um indivíduo podem variar de acordo com o tipo sanguíneo de cada um. A constatação é do master coach e especialista em gestão comportamental com neurociência e neurometria, Sérgio Ricardo, que pesquisa o assunto e defende a teoria.

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Segundo ele, a personalidade de um profissional, bem como as atividades com que ele mais se identifica dependem, principalmente, da genética do indivíduo. “Os do tipo A, por exemplo, servem para trabalhos que envolvam organização, planejamento, orientação e controle em geral”, diz o especialista, que garante ainda que as pessoas com esse tipo sanguíneo são mais estressadas.
“Ao menor de sinal de estresse, esses profissionais podem ficar paranóicos e depressivos”, conta.
Mas nem tudo precisa ser um problema, afinal, os colaboradores de outros tipos sanguíneos, como o B, por exemplo, não costumam ser impactados de forma negativa. “Eles são mais calmos, flexíveis, menos vulneráveis a doenças e se harmonizam facilmente com as pessoas de outros departamentos”, conta o especialista que adota como base os estudos de médicos naturopatas como James D'Adamo e Peter D'Adamo para legitimar a teoria.
“Após 10 anos de pesquisa e de avaliação em mais de 10 mil pessoas, temos percebido como o tipo sanguíneo pode influenciar o comportamento dos indivíduos em todos os sentidos”, diz.
Em prol da empresaTais dados podem ser úteis em uma empresa por meio do mapeamento genético de cada indivíduo a ser contratado. “Seria útil que a área de recursos humanos de uma organização soubesse interagir com as dominâncias e características dos tipos sanguíneos, pois assim, ficaria mais fácil proporcionar economia à gestão, que precisa definir contratações e promoções”, avalia o especialista.
Para ele, por meio de tal atitude seria possível avaliar, com antecedência, as competências de cada profissional antes mesmo dele entrar em um projeto ou mesmo na empresa.
Perfil sanguíneoNa relação abaixo você pode conhecer as características de cada profissional, bem como as atividades mais apropriadas para ele, de acordo com seu tipo sanguíneo.
Tipo A: são profissionais sensíveis, inteligentes e espertos que gostam do estilo de vida urbano e intenso. Ficam refreando a ansiedade o tempo todo, mas quando explodem é melhor não estar por perto. Precisam de exercícios, calmantes e relaxantes o tempo todo, pois ao menor de sinal de estresse podem ficar paranóicos e depressivos. Por isso, se o seu chefe apresentar esse perfil, tenha cuidado! Nesta fase os profissionais costumam levar tudo para o lado pessoal, fazendo com que extrapolem as suas funções.
Tipo B: flexíveis e menos vulneráveis a doenças, os indivíduos do tipo B apresentam uma atividade mental mais agitada e se harmonizam facilmente com todas as pessoas. São os profissionais do ‘bem’, que preferem a inteligência e a paz. Para se ter uma ideia, 40% dos milionários de todo o mundo são do tipo B. Já quando o assunto são as atividades mais apropriadas para esse profissional, o gerenciamento de crise, negociação e o controle de cenários, onde esse risco está sempre presente, se destacam.
Tipo AB: aguçado e sensível, o profissional AB traz características de ambos os tipos sanguíneos e, não raro, pode apresentar uma natureza um tanto quanto excêntrica, que aceita todos os aspectos da vida sem estar particularmente consciente das consequências. Além disso, não gostam de rotina e preferem a inovação e a surpresa. “São também cativantes, carismáticos e gostam de se gabar, pois Jesus Cristo teria este tipo de sangue”, diz o especialista.
Tipo O: fortes, resistentes, autoconfiantes e ousados. Os colaboradores do tipo O podem ser muito intuitivos e se destacam por possuir uma qualidade única: um otimismo nato. São ótimos para atividades com alto índice de estresse e para tarefas que exigem mais do sistema nervoso, como vendas, desenvolvimento de campanhas e atividades de risco, dada a sua tolerância a tais situações.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Peixes de verdade fazem amizade com peixe-robô


Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/06/2012

Peixes de verdade fazem amizade com peixe-robô
Mesmo sendo 5 vezes maior do que os peixes-zebra (veja a escala), e bem mais feio, o peixe-robô conseguiu atrair a atenção dos animais. [Imagem: Polverino et al./Bioinspiration & Biomimetics]
Robô-líder
Talvez os pequenos peixes-zebra achem sua réplica robotizada um gigantesco mostrengo.
Mas isso não impediu que eles se juntassem ao robô, pelo menos quando se sentiam sozinhos.
Os pesquisadores ficaram entusiasmados por pelo menos dois motivos.
O primeiro é que os robôs estão sendo cada vez mais utilizados para monitorar o meio ambiente, sobretudo a vida aquática. E é importante saber como a presença dos robôs afeta o comportamento dos animais.
Em segundo lugar, os cientistas têm planos para que seus robôs interajam com a vida selvagem.
O exemplo mais recente desse tipo de pesquisa foi uma interação inusitada entre uma cobra cascavel e um robô-esquilo.
Mas os planos são mais ambiciosos. Um dos objetivos é que os robôs consigam agir como líderes, controlando o comportamento de cardumes ou outros grupos de animais.
Eventualmente isto poderia ser utilizado para controlar espécies invasoras ou desviar os animais de áreas contaminadas por acidentes.
Melhor um amigo esquisito que sozinho
Neste novo trabalho, realizado por cientistas da Universidade de Nova Iorque (EUA) e do Instituto Superior de Sanitá (Itália), os pequenos peixes-zebra gostaram das listras e do abanar de cauda do peixe-robô.
Foram realizados 16 experimentos, combinando somente peixes de verdade, isolados e em grupos, e peixes de verdade e o peixe-robô, também variando a quantidade de indivíduos vivos.
Embora, no geral, os peixes-zebra tenham preferido seus iguais ao robô, eles preferem o robô do que ficar sozinhos.
O ruído do motor do robô diminui o interesse dos peixes, mas o movimento de sua cauda reforça sua atratividade, superando o problema do barulho.
O Dr. Maurizio Porfiri, idealizador do experimento, afirmou que esses primeiros resultados são encorajadores e poderão ajudar no projeto de robôs que possam ter um comportamento ativo em busca de se tornar o líder, efetivamente guiando o comportamento dos animais.
"Já estamos fazendo novos estudos em nosso laboratório, investigando as interações entre peixes e o peixe-robô quando eles podem nadar juntos em ambientes controlados e em condições ecologicamente complexas," disse ele.
Bibliografia:

Zebrafish response to robotic fish: preference experiments on isolated individuals and small shoals
G Polverino, N Abaid, V Kopman, S Macrì, M Porfiri
Bioinspiration & Biomimetics
Vol.: 7 036019
DOI: 10.1088/1748-3182/7/3/036019

Silício e diamante dão solidez aos computadores quânticos


Redação do Site Inovação Tecnológica - 11/06/2012

Qubits sobrevivem
O silício, bem conhecido dos computadores eletrônicos, agora entra definitivamente no páreo como elemento básico dos computadores quânticos.[Imagem: Dane R. Mccamey/Christoph Boehme]
Qubits quase eternos
Há pouco mais de um mês, a comunidade científica que está trabalhando para construir os primeiros computadores quânticos comemorou quando três equipes conseguiram, por meio de técnicas diferentes, armazenar bits quânticos em cristais sólidos.
Agora, outras duas equipes eclipsaram de vez aquele avanço, conseguindo armazenar os qubits por tempos muito longos, quase inimagináveis há alguns anos.
Os bits quânticos podem ter vários valores ao mesmo tempo, mas eles perdem todos eles muito facilmente, devido a um fenômeno chamado decoerência, que destrói o fenômeno quântico básico do qubit, o entrelaçamento.
Assim, uma das saídas é isolar o qubit o máximo possível do ambiente ao seu redor, mantendo-o livre da decoerência enquanto ele precisar simplesmente ficar armazenado.
No momento de fazer cada cálculo, o qubit pode ser trazido para um local onde ele possa interagir com outros qubits, sendo levado de volta tão logo cumpra sua tarefa.
É aí que entram as duas inovações: duas equipes independentes conseguiram armazenar bits quânticos por períodos incrivelmente longos, e, mais importante, os dois esquemas funcionam em cristais sólidos, e não nas complicadas nuvens de gases superfrios.
Qubits sobrevivem
Estruturas conhecidas como vacâncias de nitrogênio permitem que nanocristais de diamante funcionem como depósito de qubits. Sua grande vantagem é que eles funcionam a temperatura ambiente. [Imagem: Cortesia Element Six]
Silício ou diamante
A primeira equipe conseguiu armazenar um dado quântico no interior de um cristal de silício-28 por até 3 minutos.
A segunda equipe manteve a informação quântica no interior de um cristal de diamante, em uma estrutura conhecida como vacância de nitrogênio, por até 1,4 segundo.
Embora possa parecer que o primeiro experimento leva uma grande vantagem sobre o primeiro, na verdade, em termos práticos, é o contrário que se dá.
Isto porque o qubit foi armazenado no "defeito" de nitrogênio a temperatura ambiente, enquanto o cristal de silício faz o mesmo trabalho a uma temperatura de cerca de 2 Kelvin.
Os dois experimentos tiram proveito do spin do núcleo dos átomos, que é mais resistente às influências externas, que levam à decoerência, do que os spins dos elétrons.
As duas equipes desenvolveram técnicas ópticas para acoplar o spin nuclear para um qubit baseado em um elétron, que pode ser transferido para operar externamente e trazido de volta para ser armazenado em segurança no spin nuclear.
Bibliografia:

Quantum Information Storage for over 180 s Using Donor Spins in a 28Si "Semiconductor Vacuum"
M. Steger, K. Saeedi, M. L. W. Thewalt, J. J. L. Morton, H. Riemann, N. V. Abrosimov, P. Becker, H.-J. Pohl
Science
Vol.: 336 no. 6086 pp. 1280-1283
DOI: 10.1126/science.1217635

Room-Temperature Quantum Bit Memory Exceeding One Second
P. C. Maurer, G. Kucsko, C. Latta, L. Jiang, N. Y. Yao, S. D. Bennett, F. Pastawski, D. Hunger, N. Chisholm, M. Markham, D. J. Twitchen, J. I. Cirac, M. D. Lukin
Science
Vol.: 336 no. 6086 pp. 1283-1286
DOI: 10.1126/science.1220513

NASA testará escudo de reentrada inflável


Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/06/2012

NASA testará escudo de reentrada inflável
A estrutura térmica inflável, preenchida com nitrogênio antes de iniciar a reentrada, funcionará tanto como proteção térmica, quanto como freio aerodinâmico. [Imagem: NASA]
Escudo inflável
A NASA anunciou que está tudo pronto para o último teste de viabilidade técnica de uma nova tecnologia de escudo de reentrada inflável.
O escudo, chamado IRVE (Inflatable Re-entry Vehicle Experiment: veículo experimental de reentrada inflável), fará seu teste definitivo em um voo orbital, levado por um foguete de sondagem.
Acondicionado de forma semelhante a um guarda-chuva, o equipamento mede 3,05 metros de comprimento por 56 centímetros de diâmetro.
Quando o foguete atingir seu ponto mais alto, um sistema automático irá inflar os tubos que dão a forma ao escudo, que estenderá um cobertor térmico que cobrirá o IRVE como um todo.
Esse escudo de calor irá proteger a carga útil do teste, que consiste em quatro segmentos, incluindo o sistema inflável, mecanismos de direção, equipamentos de telemetria e equipamentos de fotografia e filmagem.
Teste orbital
Após o lançamento, o foguete subirá 462 quilômetros, uma altitude maior do que a que se encontra a Estação Espacial Internacional.
Os testes anteriores do IRVE foram feitos em voos suborbitais, nos quais o tempo do teste, mas sobretudo a velocidade de reentrada, são menores.
O IRVE vai se separar do foguete de sondagem, uma carga de nitrogênio será bombeada para inflar seu aeroescudo e, em seguida, o conjunto inteiro cairá de volta através da atmosfera da Terra.
Durante a reentrada, que ocorrerá sobre o Oceano Atlântico, câmeras e instrumentos transmitirão imagens e dados para os pesquisadores em terra.
NASA testará escudo de reentrada inflável
À esquerda, o processo de enchimento do escudo inflável. À direita, a visualização superior e inferior do escudo já inflado. [Imagem: NASA/AMA]
Desacelerador aerodinâmico
O aeroescudo IRVE faz parte de um projeto da NASA chamado HIAD (Hypersonic Inflatable Aerodynamic Decelerator, desacelerador aerodinâmico hipersônico inflável, em tradução livre.
"O HIAD dará à NASA mais opções para futuras missões planetárias ou para trazer cargas de volta para a Terra," afirmou Neil Cheatwood, chefe do projeto.
"Quando vamos para outros planetas com atmosfera, nós de fato usamos essa atmosfera como um freio, usando um aeroescudo ou um desacelerador aerodinâmico. Mas o tamanho desses escudos térmicos atualmente é limitado. Nós não conseguimos construí-los maiores do que o diâmetro do veículo de lançamento," explica ele.
Isto porque o escudo é aplicado sobre a própria superfície da nave.
Um escudo térmico inflável, que se expande em órbita, funcionará tanto como proteção térmica quanto como freio aerodinâmico, permitindo acomodar cargas maiores, oferecendo proteção para instrumentos científicos maiores e mais pesados.

Biolubrificantes: lubrificação com água é melhor que óleo


Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/06/2012

Biolubrificantes: melhor lubrificação sem óleo
O lubrificante à base de água é adequado para o resfriamento de máquinas-ferramenta, como tornos e fresas.[Imagem: Dirk Mahler / Fraunhofe]
Lubrificação contra o calor
Não é apenas o motor do seu carro que precisa de óleo lubrificante.
Inúmeros processos industriais dependem de fresas e tornos para cortar e esculpir peças de aço e ligas metálicas ainda mais duras.
Embora o trabalho seja desgastar o bloco bruto de metal, o lubrificante é tão importante aqui quanto o é quando o objetivo é evitar o desgaste.
Ocorre que, para fazer seu trabalho, a ferramenta - a ponta dura que desbasta o metal - não pode superaquecer-se, o que a destruiria em poucos segundos.
Hoje utiliza-se sobretudo o óleo mineral na maior parte dessas operações.
Segundo o Dr. Peter Eisner, do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, isso coloca algumas restrições nas operações, devido, entre outros fatores, à flamabilidade do óleo derivado de petróleo.
Mas ele e seus colegas já estão com a solução pronta.
Lubrificação à base de água
Eisner e seus colegas descobriram uma forma de usar água como base para o resfriamento das ferramentas, e sem adicionar um elemento corrosivo à equação.
A solução encontrada foi tornar a água mais viscosa com a adição de componentes biológicos, todos renováveis.
A equipe avaliou celuloses, amido e até polissacarídeos de origem bacteriana, até descobrir a fórmula ideal que permite usar apenas água com biopolímeros para lubrificar as máquinas-ferramentas.
O resultado é um biolubrificante, devidamente aprimorado com a adição de aditivos solúveis em água, que funcionam como agente anticorrosivo.
Água viscosa
Segundo o grupo, sua "água viscosa" é mais eficiente do que o óleo mineral, prolongando a vida útil das ferramentas e tornando a limpeza dos equipamentos e dos produtos finais mais fácil.
Além disso, a lubrificação à base de água é uma solução inteiramente renovável, sem os problemas ambientais associados com o descarte do óleo mineral usado.
O biolubrificante já foi licenciado para uma empresa alemã, e deverá chegar ao mercado nos próximos meses.

domingo, 10 de junho de 2012

Nosso papel não é a alfabetização hipertardia, artigo de Paulo Ghiraldelli Jr.




 
Paulo Ghiraldelli Jr é filósofo, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e autor de vários livros. Artigo publicado na Folha de São Paulo de ontem (7).

Não há nenhum complô do governo Dilma contra as universidades federais. As universidades federais entraram em greve não por uma decisão do governo em diminuir a qualidade do ensino por meio de arrocho salarial. Ao contrário, elas entraram em greve pela razão de que há uma despreocupação do governo Dilma em tomar cuidado para que as universidades federais não se transformem em grandes colégios.

Pela maneira como o nosso progresso se deu, acabamos por nos acomodar com a seguinte situação: se precisamos de pesquisa de ponta, parece que ficamos satisfeitos com o que faz a USP e a Unicamp. Se o nosso ensino médio público não funciona mais, parece que ficamos mais satisfeitos ainda em transformar toda a rede federal de ensino superior em um bom substituto para ele.

Desse modo, que o estado de São Paulo arque em manter universidades com o nome de universidades, pois aí as federais poderão ter professores mais bem pagos que os de ensino médio para fazer melhor o que o ensino médio fazia.

Não é que um governo sozinho tenha tomado essa decisão. Várias decisões de ordens diferentes foram tomadas nos governos FHC, Lula e agora Dilma. Todos colaboraram para que, no frigir dos ovos, esse fosse o resultado. Como resultado, o que está se configurando é exatamente isto: não é necessário que o professor de ensino superior federal tenha o salário que tinha, já que as federais não conseguiram despontar no ranking mundial.

Ora, não há razão de termos mais ciência nacional, filosofia feita em casa e tecnologia para nós mesmos se, no cômputo maior, vamos trabalhar com importações e, no miúdo e contingente, com a USP e a Unicamp. Esse pensamento não corre pela cabeça de ninguém individualmente. No entanto, é exatamente isso que aparece como a intenção que poderíamos imputar à política brasileira dos últimos 18 anos. Ninguém intencionou isso. Mas o resultado de intenções diversas e, talvez, até contrárias a essa situação está levando a ela.

O regime de trabalho de dedicação exclusiva do professor universitário deve ser preservado. Não se pode jogar fora a rede universitária federal como rede universitária. Ela não pode e não deve ser uma nova rede de alfabetização hipertardia, como ocorreu com as faculdades particulares criadas no boom do ensino superior gerado pela ditadura militar.

Vivemos o desprestígio do professor universitário porque já se sente que ele deixará de ser um produtor para ser um reprodutor de conhecimento. É um efeito colateral do tipo de desenvolvimento que estamos tendo.

Um subproduto desse desenvolvimento é a busca de desenvolvimento pessoal de cada brasileiro sem que isso signifique ampliação de cultura. Pode significar conquista de diploma, mas não um salto para se transformar em um indivíduo melhor. Esse sonho do brasileiro de "se fazer pela educação" foi o sonho dos da classe média ou mesmo dos trabalhadores até 1970 ou 1980. Não é mais o que o brasileiro pensa.

A presidente Dilma faria muito se pudesse retardar essa desgraça, até que a sociedade, talvez por sorte, venha a acreditar que vale a pena ter bons professores universitários e que para tal se deve pagá-los com um salário que, na entrada dos anos 1990, não era ruim. Pois, se a sociedade voltar a pensar assim, então o mecanismo normal do parlamento democrático, suscetível à população, funcionará em favor da universidade.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Pesquisadores brasileiros consolidam diretrizes para boas práticas científicas




 
Preocupação com fraudes e plágios é crescente e um de seus reflexos é a criação de uma comissão no CNPq e de um código na Fapesp para reforçar a cultura de integridade em projetos e pesquisas.

Em setembro de 2011, um caso de fraude na Holanda chocou a comunidade científica internacional. Diederik Stapel, agora um ex-professor de psicologia social, aparentemente teria forjado dados de várias pesquisas e inventado informações publicadas em cerca de 30 revistas científicas, entre elas a Science. O fato, que envolveu as universidades de Tilburg e Groningen, poderá custar o título de doutor ao pesquisador.

Investigações e punições como essa tendem a se tornar cada vez mais corriqueiras no meio científico. Não necessariamente porque o número de fraudadores ou plagiadores vem aumentando, mas sim devido a um incremento na atenção sobre as más práticas, de acordo com Paulo Sérgio Beirão, diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em outubro do ano passado, o CNPq definiu um conjunto de diretrizes para promover a ética na publicação de pesquisas científicas e estabelecer parâmetros para investigar eventuais condutas reprováveis. Para isso, foi constituída a Comissão de Integridade na Atividade Científica do CNPq, da qual Beirão é coordenador, para difundir informações sobre pesquisa ética. Atualmente, o CNPq lida com 21 mil bolsistas e está examinando, sob sigilo, quatro denúncias de fraude em pesquisas científicas no Brasil.

Diferenças - Beirão explica detalhes do funcionamento da comissão. "Assim que uma denúncia é recebida, ela é checada e verificada pelos técnicos, que dão uma primeira avaliação quanto a sua pertinência. Temos que ter cuidado de não cair no denuncismo", pontua. Em seguida, há uma avaliação prévia e a partir daí a comissão vai considerar as medidas que deverão ser tomadas. Só depois disso os supostos realizadores de más práticas serão notificados - com oportunidade de defesa.

O texto proposto pela comissão tipifica quatro condutas ilícitas: falsificação, fabricação de resultados (caso do pesquisador da Holanda), plágio e autoplágio - definido como a republicação de resultados científicos já divulgados como se fossem novos, sem explicitar a publicação prévia. Também condena a inclusão de autores que só emprestaram equipamentos ou dinheiro, sem colaborar intelectualmente com o artigo científico.

Como todos os projetos apresentados no CNPq têm cópias no conselho, fica mais fácil verificar um plágio, por exemplo, antes mesmo de a bolsa ser concedida. As punições para os delitos mais graves incluem a suspensão de bolsas e, eventualmente, a exigência de devolução do dinheiro investido pelo CNPq na pesquisa. As diretrizes básicas para a integridade na atividade científica estão disponíveis no link www.cnpq.br/web/guest/diretrizes.

Beirão conta que a comissão do CNPq reúne integrantes de "representatividade e idoneidade reconhecidas" e de diferentes áreas de conhecimento. "O que é um plágio ou autoplágio numa área pode ser visto de forma diferente, ter peculiaridades em outra. Os softwares simplesmente varrem tudo e veem as semelhanças. Mas, por exemplo, na área experimental, ao descrever um método, pode haver muita redundância e é normal porque você está usando um mesmo método e a descrição pode se parecer com a de outra pessoa", ressalta.

Código - Por sua parte, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou em setembro do ano passado seu próprio Código de Boas Práticas, que tem como objetivo reforçar na comunidade científica paulista uma cultura sólida de integridade ética da pesquisa mediante um conjunto de estratégias.

As diretrizes estabelecidas no documento são destinadas a pesquisadores que recebem bolsas e auxílios da Fapesp, além de instituições-sede das pesquisas e periódicos que contem com apoio da Fundação para publicação. A construção do código teve seu embrião em um levantamento feito pelo membro da coordenação adjunta da Diretoria Científica da Fapesp Luiz Henrique Lopes dos Santos, professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Seu estudo resultou no artigo 'Sobre a integridade ética da pesquisa', disponível no site da Fapesp.

Ele conta que a comunidade científica internacional (cujas diretrizes inspiraram parte do código) começou a discutir com mais frequência o assunto há cerca de cinco anos e em 2010 a Fapesp solicitou o estudo que deu origem ao documento. "Havia uma preocupação grande com sentimento de impunidade", conta, lembrando que houve um caso de má prática quatro anos atrás. "Precisamos ter rigor, mas também temos que garantir que o procedimento de investigação seja justo, equilibrando regras e justiça", pondera.

O código da Fapesp traz o chamado "tripé da ética": educação, prevenção e investigação/sanção. Beirão lembra que o ideal é não deixar a fraude ou plágio sequer acontecer, pois "pode causar um ônus para o avanço do conhecimento, atrasá-lo e desperdiçar recursos". No caso da Fapesp, um exemplo de "educação" de boas práticas seria incentivar as instituições científicas que recebem financiamento da Fapesp a organizar periodicamente treinamentos e cursos que abordem o tema. Mais detalhes estão no link www.fapesp.br/boaspraticas.

Encontro - No fim de maio, a UFRJ, a USP e a PUC-RS sediaram o 2º Encontro Brasileiro de Integridade em Pesquisa, Ética na Ciência e em Publicações (Brispe, em inglês), que contou com palestrantes nacionais e internacionais e propôs discussões sobre questões éticas para instituições de pesquisa, agências de fomento e periódicos estrangeiros. Beirão conta que, durante o evento, foram divulgados diversos números sobre o tema e chamou a atenção o fato de que mais artigos publicados estejam sendo retirados de circulação - um indício de más práticas.

"Como não temos comparação confiável com o passado, não temos as proporções, mas o que se pode dizer é que problemas de más condutas em ciência sempre existiram, são da natureza humana. A vantagem é que hoje temos mecanismos de detecção e até há um estímulo para que isso aconteça, então as falsificações acabam aparecendo mais", alega.

Beirão lembra que as universidades federais, por exemplo, têm seus próprios procedimentos para evitar as más práticas, que não necessariamente são os mesmos do CNPq. E Santos afirma que a Fapesp parte do princípio que as responsáveis por preservar as boas práticas são as instituições. "Mas a Fapesp pode também investigar e punir, a bolsa pode ser suspensa e dependendo da gravidade, cancelada".

Santos acha que a preocupação com o tema "ainda é incipiente", mas que o código da Fapesp e a comissão do CNPq vão contribuir para as mudanças de pensamento. "É preciso envolver os pesquisadores no problema. Há mau-caráter em todo lugar", afirma, acrescentando que atualmente a Fapesp tem "sete ou oito casos" em análise.

"É o tipo de problema que as agências preferiam acreditar que não existia, porque a gente gostaria que não existisse. No entanto, chegou-se a uma situação que não se pode ignorar e está havendo uma mudança", conclui Beirão.

(Clarissa Vasconcellos - Jornal da Ciência)