| Dados do Censo 2010 registram a discrepância salarial entre profissionais com mestrado e doutorado e os demais.
O salário médio dos profissionais com mestrado e doutorado no Brasil está 107% acima do recebido por quem terminou apenas o curso de graduação. No caso dos doutores, o ganho é 152% superior. No dos mestres, 89%. Os dados - obtidos com base no Censo 2010 do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no fim de abril - mostram que é grande a discrepância salarial entre graduados e pós-graduados.
A maior distância está entre dirigentes de serviços de educação (remuneração 130% acima da média para mestrado e doutorado), seguido por tradutores, intérpretes e linguistas (114%), analistas financeiros (107%) e dirigentes de recursos humanos (106%). O abismo é menor entre os gerentes de hotéis (3%), engenheiros eletricistas (4%), geólogos e geofísicos (10%), agentes de seguros (10%) e dirigentes de pesquisa e desenvolvimento (13%).
"Não é uma surpresa. Afinal, quem chega até o doutorado realiza mais quatro ou seis anos de estudo, e tem, de fato, habilitações superiores e capacidade de atuar em um campo mais abrangente, com mais responsabilidade e visão estratégica", ressalta Marcelo Paixão, professor do Instituto de Economia da UFRJ.
O que chama a atenção, porém, na opinião do professor, é o tamanho da disparidade. "O ideal seria garantir remuneração adequada para todos. Claro que respeitando a hierarquia para quem tem mestrado ou doutorado, mas com leques salariais menos abertos", opina Paixão.
Entre os profissionais de educação, o abismo na remuneração de quem tem diploma de mestrado ou doutorado e só de graduação atinge um dos níveis mais altos: 93% no caso dos professores de universidades e do ensino superior, 104% para os professores do ensino fundamental e 72% para professores do ensino médio. Sendo que a proporção de mestres e doutores dentro de cada categoria varia de forma significativa: 54%, 2% e 7%, respectivamente.
Para Ana Heloisa Lemos, coordenadora do MBA "Gestão e recursos humanos" da PUC-Rio, não é difícil entender o porquê de haver tão poucos professores dos níveis de ensino fundamental e médio com títulos de pós-graduação. "Isso está associado à péssima remuneração para quem leciona no ensino de base. Quando um profissional conquista uma qualificação de mestre ou doutor, é natural que ele migre para o ensino superior, onde vai encontrar melhores condições de trabalho".
Ainda segundo Ana Heloisa, o fato de 54% do corpo docente de nível superior ser mestre ou doutor é um reflexo das exigências do mercado: prestar concurso para ingressar no quadro fixo de uma universidade pública, por exemplo, exige diploma de PhD. "E é importante que seja assim, porque pressupõe uma qualificação do professor. Não é apenas pelo diploma".
Isso ajuda também a compreender o círculo vicioso que aprisiona a educação de base no Brasil: salários baixos, educadores pouco qualificados e ensino de má qualidade. "Se os professores de ensino fundamental e os de ensino médio fossem melhor remunerados no Brasil, talvez não houvesse essa 'fuga de talentos'", pondera a coordenadora da PUC-Rio.
Heloisa lembra ainda que no setor público a valorização de profissionais pós-graduados é explícita, com adicionais de salário para quem obtém grau de mestre ou doutor. "Na esfera privada, isso não ocorre de maneira tão direta. Mas, no meio empresarial, ser mestre também é um diferencial, que confere mais status e acesso a cargos gerenciais", diz a coordenadora.
Henrique Heidtmann Neto, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (Ebape), destaca que a competitividade no cenário corporativo atual leva as organizações, sejam públicas, privadas ou do terceiro setor, a melhorar seus sistemas organizacionais para se adaptar ao modelo de economia que exige um profissional que saiba pensar sistemas complexos.
"Com isso, as instituições vêm procurando profissionais com habilidades técnicas e a competência de pensar, não apenas de fazer. Os programas de mestrado, sejam acadêmicos ou profissionais, e doutorado aprofundam e desenvolvem esse tipo de competência", afirma Heidtmann.
Para o professor da FGV, profissionais que passaram por esta experiência de pós-graduação estão em contato com pesquisas recentes desenvolvidas em suas áreas e aprendem com a teoria, o que faz com que sejam mais valorizados. "O esforço de passar de dois a quatro anos pesquisando e em contato com a academia agrega valor ao profissional, tornado seu 'passe' mais caro".
Outros países - Os dados também chamam a atenção para a pequena população no Brasil que tem um diploma de pós-graduação no currículo - 784.746 - contra 12.679.009 com nível superior concluído. O que também é insuficiente, segundo Marcelo Paixão, do IE/UFRJ.
"Em um país com 200 milhões de habitantes, ter apenas 16% de população universitária é pouco. Países como Coreia, China e Índia têm programas muito mais agressivos para colocar as pessoas na pós-graduação", destaca Paixão, que vê no programa "Ciência sem Fronteiras", do governo federal, uma tentativa de melhorar a situação. "Porém, é algo muito concentrado nas áreas de tecnologia e biomédica, o que acaba sendo uma visão pobre. As ciências humanas também têm importância para o desenvolvimento de um país".
(O Globo)
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
Pós-graduados ganham 107% a mais
O ABC das greves, artigo de Sidney Jard
| Sidney Jard é cientista político e ex-chefe de gabinete da reitoria da UFABC. Atigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (28).
Em editorial publicado no dia 6 de junho, o jornal O Estado de São Paulo chamou a atenção para a preocupante situação da greve nas universidades federais brasileiras, que tem sido tratada, em linguagem orwelliana, como um "não movimento" pelo Ministério da Educação (MEC), pelas entidades sindicais pró-governo e pela mídia partidária oficial. Até a publicação do referido texto, eram 51 federais paralisadas num universo de 59 instituições, entre elas a recém-criada Universidade Federal do ABC (UFABC).
A adesão da UFABC à greve das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) revestiu o movimento dos professores universitários de nova simbologia. A "universidade do século 21", como foi batizada pelos seus idealizadores, foi a primeira instituição universitária criada no processo de expansão do ensino superior brasileiro promovido pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Um modelo a ser seguido pelas demais instituições criadas no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
Com sede no "coração da indústria brasileira", a UFABC foi, nos seus primeiros anos de atividade, a menina dos olhos do então presidente da República. O próprio projeto de criação da universidade, apresentado ao Congresso Nacional em julho de 2004, ressalta que se tratava da reparação de uma injustiça histórica com o ABC paulista, palco de fulgurantes lutas pela redemocratização do País - movimento que pôs lado a lado o professor universitário Fernando Henrique Cardoso e o operário sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, que, anos mais tarde, utilizariam essa mesma herança política para pleitear e ocupar o cargo de principais mandatários da Nação.
Se, por um lado, é notória a influência de intelectuais vinculados à Academia Brasileira de Ciências (ABC) na elaboração do projeto pedagógico da nova instituição, por outro, é igualmente digna de nota a atuação decisiva das chamadas "lideranças locais" na efetivação do projeto político da universidade. Assim, o "ABC" da UFABC representa a convergência, no mundo universitário, de duas grandes utopias: a utopia científica e tecnológica da Academia Brasileira de Ciências; e a utopia do desenvolvimento econômico e social das sete cidades que integram a famosa região metropolitana de São Paulo. O "ABC das ciências" e o "ABC das lutas".
Mas foram necessários apenas cinco anos para a utopia ufabceana defrontar o realismo machadiano do ensino superior brasileiro. Em reiteradas visitas institucionais, acompanhando o então presidente da República, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad afirmava, com convicção - mais política do que científica -, que a UFABC seria a melhor universidade do Brasil, superando a Universidade de São Paulo (USP), sua própria casa, como ele gostava de salientar. No entanto, o discurso ministerial parecia revelar o esquecimento de uma lição básica de sociologia: atentar para "as condições de que se rodeia a ciência como vocação", como diria o velho mestre Max Weber.
Essas condições são particularmente preocupantes nas novas universidades federais. Jovens aspirantes à carreira científica foram convertidos em gestores das instituições universitárias recém-criadas. Inúmeras reuniões administrativas, relatórios técnicos, a abertura de editais e o acompanhamento de licitações fazem parte do cotidiano dos professores das novas Ifes, entre outras funções de caráter burocrático. Não por acaso, os protagonistas da atual paralisação são os recém-doutores contratados para as novas universidades ou para os campi em expansão de instituições já consolidadas, particularmente aquelas que ainda carecem de condições materiais mínimas para o desenvolvimento dos requisitos constitucionais elementares de uma universidade: ensino, extensão e pesquisa.
Não bastassem as burocráticas condições de desenvolvimento das atividades científicas, o processo de expansão do ensino superior brasileiro - um dos principais feitos do agora candidato à Prefeitura de São Paulo - não foi acompanhado por uma política efetiva de reestruturação e valorização da carreira universitária.
O resultado é que atualmente, descontada a inflação, os professores iniciantes recebem, comparativamente, menos do que recebiam no final do primeiro mandato de outro ilustre Fernando, que também parece ter-se esquecido dos ensinamentos clássicos da sociologia durante o exercício do poder, ao menos no que se refere às condições externas que cingem a prática acadêmica.
Assim, de Fernando a Fernando e de descaso em descaso, chegamos à atual situação da profissão docente nas universidades federais: uma das carreiras do serviço público de maior reconhecimento social e de menor remuneração salarial. Retrato escandalosamente weberiano da proletarização do trabalho científico.
Talvez esta seja uma excelente oportunidade para o atual ministro da Educação, professor Aloizio Mercadante, recém-doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), corrigir o equívoco dos seus antecessores e implementar um plano de reestruturação da carreira docente à altura do imperativo de expansão do ensino público, gratuito e de qualidade nas universidades federais brasileiras.
Após um mês de paralisação, é um erro o MEC e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão continuarem apostando no cansaço da categoria e no poder desmobilizador das lideranças sindicais pró-governo sem, mais uma vez, atentar para as condições externas que revestem a vocação científica, "no sentido material do termo". Mas, como dizia Weber, ciência e política são duas vocações, definitivamente.
* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Greve atinge 95% das instituições federais, diz sindicato
Docentes preparam, para hoje, atos em frente às sedes do Banco Central em várias cidades.
A greve dos professores chegou ontem (27) à adesão de 95% das instituições federais de ensino, segundo dados do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), indicados pelo G1. Das 59 universidades, 56 têm professores parados. A paralisação dos servidores técnico-administrativos atinge 34 dos 38 institutos federais de ciência e tecnologia.
Os grevistas reivindicam, entre outros fatores, a criação de um plano de carreira única e aumento do piso salarial. Os docentes preparam, para esta manhã (28), atos em frente às sedes e subsedes do Banco Central em várias cidades brasileiras.
Fonte: Da Redação
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Nanopartículas de ouro destroem moléculas de DNA
Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/06/2012
Os ligantes com carga positiva fizeram seu trabalho de levar as nanopartículas de ouro até as moléculas de DNA, mas os ligantes hidrofóbicos causaram a aglomeração das nanopartículas, rasgando a molécula de DNA.[Imagem: Yaroslava Yingling/NCSU]
Nanopartículas funcionalizadas
Uma pesquisa que não deu certo levantou possibilidades entusiasmantes de um lado, mas acendeu luzes de alerta do outro.
Os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriram que nanopartículas de ouro juntam-se para desconstruir a dupla hélice das moléculas de DNA - elas literalmente "rasgam" o DNA, destruindo a molécula.
O experimento tinha como objetivo criar pacotes de material para uso em terapias genéticas. As nanopartículas de ouro são as mais pesquisadas para todo o tipo de terapias no corpo humano, incluindo os chamados medicamentos inteligentes, porque elas são inertes.
Como de costume, as nanopartículas de ouro, com aproximadamente 1,5 nanômetro de diâmetro cada uma, receberam um revestimento com moléculas orgânicas, os chamados ligantes, que permitem que elas se dirijam para os pontos onde são necessárias.
Uma parte dessas moléculas ligantes tem carga positiva, enquanto o restante tem a propriedade da hidrofobicidade, ou seja, elas são repelidas pela água.
A seguir, as nanopartículas funcionalizadas foram mergulhadas em uma solução com moléculas de DNA.
Rasgando o DNA
As moléculas positivamente carregadas, como previsto, fizeram com que as nanopartículas aderissem às moléculas de DNA, que são sempre negativas - elas precisam fazer isso para levar a "carga genética", o material que irá alterar os genes que se deseja.
"Mas nós descobrimos que o DNA estava na verdade sendo desdobrado pelas nanopartículas de ouro," conta o Dr. Anatoli Melechko, líder da pesquisa.
O que ocorreu foi que as moléculas hidrofóbicas embaraçaram-se umas nas outras. Conforme esse embaraçamento fazia com que as nanopartículas se aglomerassem, o conjunto crescia e ia desfazendo a hélice do DNA.
Bioeletrônica
O mecanismo é promissor para alguns campos emergentes, como o origami de DNA, que permite a construção de nanoestruturas complexas.
A eletrônica baseada no DNA, que pesquisa formas de usar moléculas de DNA como molde para a criação de circuitos nanoeletrônicos, também poderá ser beneficiada.
Recentemente, pesquisadores criaram bits genéticos usando moléculas de DNA e umcomponente eletrônico com sangue humano, além de ter demonstrado que aeletrônica analógica imita reações em células vivas.
Perigo das nanopartículas
Por outro lado, as nanopartículas de ouro, por serem inertes, são as preferidas para experimentos com medicamentos inteligentes e outras formas de uso da nanotecnologia no interior do corpo humano.
Para isso, elas precisam ser funcionalizadas, recebendo revestimentos de moléculas orgânicas, como aconteceu neste experimento - embora não necessariamente com as mesmas moléculas.
Mas os resultados lançam preocupações sobre as interações das nanopartículas com as células vivas, devido a um potencial de destruição do DNA.
Em suma, o experimento que estava sendo conduzido, de terapia genética, mostrou exatamente como não se deve fazer as coisas.
"Ficou claro que precisamos ajustar os ligantes, a carga e a composição química desses materiais para garantir que a integridade estrutural do DNA seja mantida," admitiu Yaroslava Yingling, membro da equipe.
Bibliografia:
Weakly Charged Cationic Nanoparticles Induce DNA Bending and Strand Separation
Justin G. Railsback, Abhishek Singh, Ryan C. Pearce, Timothy E. McKnight, Ramón Collazo, Zlatko Sitar, Yaroslava G. Yingling, Anatoli V. Melechko
Advanced Materials
Vol.: Article first published
DOI: 10.1002/adma.201104891
Weakly Charged Cationic Nanoparticles Induce DNA Bending and Strand Separation
Justin G. Railsback, Abhishek Singh, Ryan C. Pearce, Timothy E. McKnight, Ramón Collazo, Zlatko Sitar, Yaroslava G. Yingling, Anatoli V. Melechko
Advanced Materials
Vol.: Article first published
DOI: 10.1002/adma.201104891
domingo, 24 de junho de 2012
Ciência: tempo pode parar e congelar a humanidade, segundo pesquisadores
Cientistas acreditam que universo tem se acelerado mais rápido do que o nosso tempo, o que poderia paralisar toda a galáxia | ||
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De acordo com o jornal The Telegraph, os astrônomos resolveram elaborar relatórios para explicar por que o universo parece estar em mudanças constantes e aceleradas. Para isso, analisaram supernovas - corpos celestes que surgem após a explosão de outras estrelas - distantes no espaço. Após testes mais aprofundados, os cientistas perceberam que as partículas emitidas por essas estrelas se movem mais veloz do que aquelas que estão mais próximas do planeta Terra. Alguns acreditam que esse fenômeno é explicado pela "energia escura", uma espécie de força gravitacional que tende a acelerar a expansão das galáxias. Daí a teoria: se essas partículas se movimentarem cada vez mais rápido, nosso tempo não seria capaz de acompanhá-las, causando a paralisação. No entanto, os pesquisadores Jose Senovilla, Marc Mars e Raul Vera não confiam nessa hipótese, pois, na verdade, o tempo está se desacelerando de forma tão imperceptível aos seres humanos que, no futuro, irá simplesmente parar. "Assim como uma fotografia, tudo o que conhecemos estará congelado para sempre", diz o professor Senovilla. Mesmo que essa notícia possa estimular a mente das pessoas, os cientistas afirmam que isso só vai acontecer daqui alguns bilhões de anos. Apesar de absurda, a ideia, na visão de Gary Gibbons, cosmólogo da Universidade de Cambridge (Inglaterra), não deve ser descartada. "Acreditamos que o tempo surgiu durante o Big Bang. Se ele nasceu por conta própria, também pode desaparecer", disse. E aí, qual sua opinião sobre o assunto? Concorda com a teoria dos pesquisadores? |
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Obesidade se alastra em ritmo alarmante, indica estudo da OCDE
Pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico aponta aumento da taxa de obesidade em diversas nações e alerta para as consequências do que chama de "epidemia mundial".
Obesidade atinge centenas de nações
A obesidade tem se tornado um dos principais problemas de saúde nos 33 países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo o estudo divulgado nesta quinta-feira (23/09) pela entidade, metade de todos os cidadãos nos países da organização, incluindo um terço das crianças, está com sobrepeso. Muitas vezes, o problema começa em casa. Filhos de pais obesos têm até quatro vezes mais chances de desenvolver o mesmo problema, se comparados com crianças de pais com peso normal.
Uma das razões para isso é o fato de as crianças assumirem os hábitos alimentares pouco saudáveis dos pais, comendo mal e se movimentando pouco, afirma o estudo.
No topo da lista de países com maiores índices da doença, segundo a OCDE, encontram-se os Estados Unidos e o México, onde duas em cada três pessoas estão acima do peso e uma em cada três é considerada obesa.
Filhos de obesos têm mais risco de desenvolver a doença
Só na Alemanha, 60% dos homens e 45% das mulheres estão acima do peso. O problema vai além, um em cada seis alemães apresenta obesidade doentia. Em toda a Europa, o quadro só é pior no Reino Unido, Espanha e Grécia.
Risco de morte prematura
Cada 15 quilos a mais representam um risco 30% maior de morte prematura, escreve o documento. Além disso, os quilos em excesso também são vistos como desvantagem no ambiente profissional. Os funcionários obesos recebem salários até 18% mais baixos do que os de peso normal, revela a OCDE.
Antes de 1980, o problema era pouco conhecido. Dados mostram que até 30 anos atrás, apenas 10% das pessoas eram consideradas obesas. No entanto, de lá para cá, a doença se tornou uma epidemia mundial. E a OCDE adverte: em 10 anos, mais de dois terços da população mundial poderá sofrer de excesso de peso.
As razões são muitas: aumento da oferta de produtos alimentícios, maior consumo de comidas prontas e de fast food, sedentarismo, trabalho excessivo e estresse.
A organização critica ainda os subsídios agrícolas, que baratearam os alimentos, e a política de transportes, que incentiva o uso de carros em detrimento do transporte público e do uso da bicicleta.
Iniciativas contra a obesidade
Campanhas podem incentivar hábitos saudáveis
As estratégias da luta contra a obesidade precisam vir de um esforço conjunto entre política e economia, conclui o estudo. Campanhas que promovam a saúde e o bem-estar, e uma maior regulamentação estatal poderiam salvar centenas de milhares de pessoas que morrem de doenças crônicas decorrentes do sobrepeso.
Tais pacientes representam 75 mil pessoas a cada ano na Itália, 70 mil na Inglaterra e 40 mil no Canadá, por exemplo. Para evitar as mortes, seria necessário um investimento entre 10 e 30 dólares por paciente, conclui a OCDE.
A Organização Mundial da Saúde define como vítimas de sobrepeso os adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 e 30. Pessoas com índice mais alto são tidas como obesas. Para calcular o IMC, deve-se dividir o peso corporal pela altura ao quadrado.
MDA/dpa/afp
Revisão: Carlos Albuqueque
Revisão: Carlos Albuqueque
Bases científicas abertas no Japão ultrapassam 1 milhão de artigos
Serviço, em japonês e inglês, reúne mais de 200 repositórios de produção científica e tecnológica com conteúdo disponível e gratuito
Notícias
21/06/2012
Agência FAPESP – O número de artigos científicos e tecnológicos e outros registros em bases de acesso livre no Japão ultrapassou a marca de 1 milhão.
O anúncio foi feito pela Jairo (sigla para “Repositórios On-line Institucionais Japoneses”), um serviço do Instituto Nacional de Informática do país que reúne metadados de mais de 200 bases individuais japonesas de artigos científicos.
O milionésimo artigo foi publicado no dia 1º de junho, na base de dados de Kagoshima, intitulado “Studies on the Relationship between the Gear-types and the Fishing Efficiencies in the Trawl Nets II : Relationship between the Towing Force of the Trawler and the Catch of the Eastern Net”.
Mais informações sobre a Jairo: http://jairo.nii.ac.jp/en
NASA: asteroide pode atingir a Terra em 2040
Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/06/2012
A expectativa será se, em Fevereiro de 2023, o 2011 AG5 passará ou não através de uma região no espaço que os astrônomos chamam de "buraco de fechadura", medindo 365 quilômetros de diâmetro. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]
2011 AG5
Em uma nota confusa divulgada nesta sexta-feira, mostrando um claro conflito entre o desejo de não causar alarme e a necessidade de ater-se com fidelidade às informações disponíveis, a NASA anunciou os resultados das observações do asteroide 2011 AG5.
As observações feitas até o momento indicam que há uma pequena chance de que o asteroide 2011 AG5, descoberto em janeiro de 2011, atinja a Terra em 2040, diz a nota, embora a manchete no site da NASA diga o contrário.
Mas a pequena chance de impacto foi consensual entre os participantes de um encontro internacional promovido pela NASA para discutir as observações do asteroide feitas por astrônomos de todo o mundo, usando telescópios terrestres e espaciais.
O 2011 AG5 mede 140 metros de diâmetro.
Segundo a agência espacial, é provável que as observações ao longo dos próximos 4 anos reduzam a probabilidade do impacto para menos de 1%.
Buraco de fechadura
O nível de risco vai ganhar ainda mais clareza em 2023, quando o asteroide chegará a aproximadamente 1,8 milhão de quilômetros da Terra.
A expectativa será se, em Fevereiro de 2023, o 2011 AG5 passará ou não através de uma região no espaço que os astrônomos chamam de "buraco de fechadura", medindo 365 quilômetros de diâmetro.
Se ele passar por essa região, a atração gravitacional da Terra poderá influenciar a órbita do asteroide o suficiente para trazê-lo de volta para uma rota de colisão, que ocorreria em 05 de fevereiro de 2040.
Se o asteroide não passar pelo buraco da fechadura, um impacto em 2040 será descartado.
"Dado o nosso entendimento atual da órbita deste asteroide, há apenas uma chance muito remota de que esta passagem pelo buraco de fechadura ocorra," disse Lindley Johnson, do programa NEO, da NASA (Near-Earth Object Observation, observação de objetos próximos à Terra).
Estado de atenção
"Embora haja um consenso geral de que há apenas uma chance muito pequena de que poderíamos estar lidando com um cenário de impacto real para este objeto, continuaremos atentos e prontos para tomar medidas se as observações adicionais indicarem que ele está garantido," disse Johnson.
Vários anos atrás, um outro asteroide, chamado Apophis, foi considerado uma ameaça, com uma possibilidade de impacto semelhante prevista para 2036.
Observações adicionais, feitas entre 2005 e 2008, cientistas da NASA refinaram seus cálculos da trajetória do asteroide, mostrando uma probabilidade significativamente reduzida de um impacto com a Terra.
Embora os cientistas esperem que o mesmo ocorra com o 2011 AG5, eles reconhecem a pequena chance de que as probabilidades calculadas aumentem com os resultados das observações a serem feitas entre 2013 e 2016.
De acordo com os especialistas que participaram do evento, mesmo se essas chances aumentarem, haverá tempo suficiente para planejar missões para mudar o curso do asteroide.
Físicos propõem existência de Universo paralelo
Joan Robinson - 18/06/2012
O desaparecimento repentino de nêutrons, que não pode ser explicado pela física atual, pode ser o sinal da existência de um universo-espelho. [Imagem: Andrey Prokhorov/Site Inovação Tecnológica]
Partículas-espelho
Uma anomalia no comportamento de partículas subatômicas comuns pode ser o sinal da existência de partículas-espelho, que transitam entre o nosso Universo e um universo paralelo.
O fenômeno também poderia oferecer uma explicação para a matéria escura, como hoje os cientistas chamam um ponto de interrogação que representa a massa que parece estar faltando no Universo.
Dois cientistas italianos usaram a hipótese da existência das partículas-espelho para explicar uma anomalia nos experimentos, onde os nêutrons parecem desaparecer.
A existência dessa matéria-espelho tem sido sugerida em vários contextos científicos nos últimos tempos, incluindo a procura de candidatos adequados para explicar a matéria escura.
Os físicos Zurab Berezhiani e Fabrizio Nesti, da Universidade de L'Aquila, reanalisaram os dados experimentais obtidos pelo grupo de pesquisa de Anatoly Serebrov, no Instituto Laue-Langevin, França.
Mistério dos nêutrons que desaparecem
Eles mostraram que a taxa de perda de nêutrons livres muito lentos parece depender da direção e da intensidade do campo magnético aplicado.
Essa anomalia não pode ser explicada pela física conhecida.
Os cientistas acreditam que a perda de nêutrons pode ser interpretada à luz de um mundo paralelo hipotético formado por partículas-espelho.
Os nêutrons parecem estar oscilando na fronteira entre dois universos paralelos, indo e voltando de um para o outro. [Imagem: Berezhiani/Nesti]
Cada nêutron teria a capacidade de fazer uma transição para esse seu gêmeo invisível, e voltar, oscilando de um mundo para o outro.
A probabilidade dessa transição foi calculada como sendo dependente da presença de campos magnéticos.
Assim, o mundo invisível das partículas-espelho poderia ser detectado experimentalmente.
Essa oscilação nêutron-espelho-nêutron pode ocorrer em uma escala temporal de poucos segundos, segundo os pesquisadores.
Matéria escura
A possibilidade desse desaparecimento rápido de nêutrons - muito mais rápido do que o decaimento de nêutrons, com seus 10 minutos de duração - embora surpreendente, não pode ser excluído pelos atuais limites experimentais e astrofísicos.
Esta interpretação é sujeita à condição de que a Terra possui um campo magnético espelho da ordem de 0,1 Gauss.
Tal campo pode ser induzido por partículas-espelho flutuando na galáxia - algo como a matéria escura.
Hipoteticamente, a Terra poderia capturar a matéria-espelho por meio de interações fracas entre as partículas comuns e as partículas desses mundos paralelos.
Bibliografia:
Magnetic anomaly in UCN trapping: signal for neutron oscillations to parallel world?
Zurab Berezhiani, Fabrizio Nesti
European Physical Journal C
Vol.: 72, Number 4 (2012)
DOI: 10.1140/epjc/s10052-012-1974-5
Magnetic anomaly in UCN trapping: signal for neutron oscillations to parallel world?
Zurab Berezhiani, Fabrizio Nesti
European Physical Journal C
Vol.: 72, Number 4 (2012)
DOI: 10.1140/epjc/s10052-012-1974-5
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Célula a combustível gera eletricidade com energia do cérebro
Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/06/2012
Células a combustível a glicose de várias dimensões, estampadas sobre uma pastilha de silício de 15 centímetros de diâmetro. [Imagem: Rapoport et al./PLoS ONE]
Implantes cerebrais
Talvez não seja preciso apelar para aeletricidade sem fios para alimentar marca-passos e outros implantes médicos.
Engenheiros do MIT, nos Estados Unidos, desenvolveram uma célula a combustível que gera eletricidade a partir do mesmo açúcar que abastece as células humanas, a glicose.
A principal característica do dispositivo, contudo, é que ele já nasceu visando a aplicação que se tem em mente: ele foi projetado para ser implantado no cérebro humano.
Segundo os pesquisadores, quando totalmente desenvolvida, a célula a combustível alimentada por glicose poderá ser usada para abastecer sobretudo os delicados implantes cerebrais, que ajudarão pacientes com paralisia a reconquistar seus movimentos.
Energia do açúcar
Rahul Sarpeshkar e seus colegas construíram a célula a combustívelsobre um chip de silício, o que permite que ela seja integrada com outros circuitos eletrônicos miniaturizados, como é típico dos implantes médicos, sobretudo aqueles voltados para inserção no cérebro.
A ideia não é exatamente nova: uma célula a combustível alimentada a glicose foi usada para alimentar um marca-passos nos anos 1970. Mas a ideia foi abandonada com o surgimento das baterias de lítio, capazes de fornecer uma potência maior.
Aqueles protótipos também usavam enzimas que se degradavam rapidamente, inviabilizando o uso das células a glicose por longos períodos.
Mas a nova célula a combustível construída em um chip de silício não tem componentes biológicos: ela usa um catalisador de platina para capturar elétrons da glicose, imitando a atividade das enzimas celulares que quebram a glicose para gerar ATP.
O "gerador cerebral" poderá gerar eletricidade apenas entrando em contato com o fluido cerebroespinhal, que fica entre o cérebro e o crânio. [Imagem: Rapoport et al./PLoS ONE]
Energia do cérebro
O protótipo de célula a combustível a glicose gera algumas centenas de microwatts (1-100 µW cm2), o suficiente para alimentar um implante neural.
Benjamin Rapoport, que construiu a célula, afirma que o equipamento poderia tirar todo o seu combustível do fluido cerebroespinhal, que separa o cérebro do crânio.
A equipe do Dr. Sarpeshkar é pioneira em um campo que tenta interligar a biologia com a eletrônica - não a eletrônica digital, mas a eletrônica analógica:
Bibliografia:
A Glucose Fuel Cell for Implantable Brain-Machine Interfaces
Benjamin I. Rapoport, Jakub T. Kedzierski, Rahul Sarpeshkar
PLoS ONE
Vol.: Published online
DOI: 10.1371/journal.pone.0038436
A Glucose Fuel Cell for Implantable Brain-Machine Interfaces
Benjamin I. Rapoport, Jakub T. Kedzierski, Rahul Sarpeshkar
PLoS ONE
Vol.: Published online
DOI: 10.1371/journal.pone.0038436
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