Translate

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Colegiado critica Biblioteca Nacional em carta a Dilma



PUBLICIDADE
RAQUEL COZER
COLUNISTA DA FOLHA
Representantes do setor de livro, leitura e literatura junto ao governo enviaram a Dilma Rousseff carta em que acusam a Fundação Biblioteca Nacional de "se curvar ao comércio de livros" e focar as políticas públicas no atendimento de "interesses imediatos do mercado editorial".
A carta é assinada por 9 dos 15 membros titulares do Colegiado Setorial de Livro, Leitura e Literatura, instituído em maio de 2009 pelo MinC como o espaço para a sociedade civil acompanhar as políticas públicas da área.
Entre os signatários, estão representantes da cadeia criativa, como o poeta Ademir Assunção, e da cadeia mediadora, como o pedagogo Rogério Barata.
Nenhum dos quatro titulares da cadeia produtiva --a que estaria sendo beneficiada pela FBN-- participou da elaboração da carta, ressalta o escritor Nilton Bobato, que coordenou a entrega da carta.
Segundo o texto, os problemas começaram quando Galeno Amorim assumiu a presidência da FBN, no início de 2011, e iniciou a centralização das políticas públicas de livro, leitura e literatura.
Os signatários alegam que, dos investimentos previstos para 2011, R$ 44,8 milhões de um total de R$ 62 milhões estavam voltados a ações que beneficiam editoras, como compras de livros e feiras.
O texto diz ainda que, de R$ 30 milhões aprovados em 2010 e orçados no Fundo Nacional de Cultura (FNC) para a área, foi executado só um edital, de R$ 3 milhões, para pequenas e médias livrarias.
Marcos Michael/Folhapress
Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional
Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional
AGENTES DE LEITURA
Há críticas ainda à redução do programa Agentes de Leitura, que, segundo a carta, teve grande parte dos recursos transferidos para o futuro Programa do Livro Popular, maior bandeira de Amorim na presidência da FBN.
O Agentes de Leitura foi um dos quatro programas de fomento à leitura destacados pela Unesco, em 2010, como modelos a serem seguidos dentre os programas do gênero na América Latina.
Um das críticas quanto ao Livro Popular é que ele serviria para editoras se livrarem do encalhe de livros, já que, pelo preço final sugerido de R$ 10, elas não teriam lucro caso os produzissem especificamente para o programa.
"A necessidade de nossas bibliotecas está muito além da simples renovação de seus acervos, sendo muito mais necessária qualificação e ampliação de seus quadros profissionais e a modernização de seus espaços", diz o texto.
Folha apurou no MinC a existência de insatisfações no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (órgão vinculado à FBN), cuja direção chegou a enviar carta a Galeno Amorim dizendo que uma política de apoio às bibliotecas não se resume à compra de livros.
Sobre o PNLL, plano que define os eixos das políticas de livro, leitura, literatura e bibliotecas, a carta diz que "está paralisado desde a saída do secretário executivo José Castilho, em abril de 2011."
OUTRO LADO
Procurada pela Folha, a FBN informou que no próximo dia 23 serão anunciados investimentos "expressivos" e que o valor destinado ao fomento à leitura será "bem maior" que o destinado a aquisição de acervos.
Disse que em 2011 o PNLL obteve o maior avanço desde sua criação, em 2006, ao passar a ser regido por decreto presidencial, e que as "informações sobre números e orçamentos [citadas na carta] carecem de maior precisão".

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Blog da UFSCar é finalista de prêmio internacional




Viagens da Laura está entre os finalistas do The BOBs, concurso da emissora alemã Deutsche Welle. Votos podem ser dados até 2 de maio
Agência FAPESP – O blog de divulgação científica Viagens da Laura, produzido pelo Laboratório Aberto de Interatividade (LAbI) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), está entre os finalistas do The BOBs, concurso internacional de blogs da emissora alemã Deutsche Welle.
O blog relata as aventuras de Laura, adolescente que é a protagonista da radionovela Verdades Inventadas, veiculada pelo LAbI em 2011. Na primeira fase do The BOBs, o blog foi selecionado para figurar entre os 11 finalistas na categoria “Melhor Blog em Português” por um júri internacional.
Na etapa atual, quem escolherá o vencedor é o público, que pode votar uma vez por dia no site do The BOBs, até o dia 2 de maio (no endereçohttp://thebobs.com/portugues/category/2012/best–blog–portuguese–2012). Para votar, é necessário estar conectado ao Facebook, Twitter ou a outras redes sociais.
Nos 37 episódios de Verdades Inventadas, que estão disponíveis no blog, Laura faz viagens imaginárias a partir de incentivos de seu novo professor de literatura. Nessas viagens, a protagonista encontra diversos personagens da ciência e das artes, como Einstein, Newton, Darwin, Mendel, Oswaldo Cruz, César Lattes, Clarice Lispector e Júlio Verne, com os quais passa por aventuras e descobertas.
O blog complementa as aventuras retratadas nos episódios da radionovela, com mais informações sobre os assuntos abordados e links para outros conteúdos relacionados.
Verdades Inventadas ganhou o prêmio Roquette Pinto e contou com o apoio da Rádio UFSCar e da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar.
“Estar entre os finalistas do The BOBs já é um reconhecimento importante do esforço que temos empreendido para disseminar o conhecimento científico e tecnológico utilizando ferramentas diversas, pautadas na interatividade”, disse Adilson Oliveira, professor do Departamento de Física da UFSCar e coordenador do LAbI.

HAVERÁ GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS EM 2012?




Fonte: José Luis Simões(*), Diário de Pernambuco de 07.04.2012

Do ponto de vista dos professores, ainda não é possível responder prontamente esta questão. A última greve geral nas IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) foi em 2005 e teve duração de aproximadamente três meses. O segundo semestre letivo de 2005 foi comprometido, formandos daquele período tiveram que adiar colação de grau, e especialmente o acesso ao mercado de trabalho em suas respectivas profissões. 

Recapitulando minha experiência pessoal, iniciei as atividades docentes nesse período turbulento, em novembro de 2005, na Universidade Federal de Pernambuco. Com as aulas paralisadas e os docentes de braços cruzados, restou-me, na condição de neófito, observar os debates nas assembleias de docentes, contudo, sem entender claramente o que estava em pauta e que caminho o movimento grevista iria tomar. 

Em suma, o calendário acadêmico reiniciou com atraso em 2006 e só voltaria a normalizar em 2008. Em março de 2008 o governo federal assinou acordo com uma parte do movimento docente (a categoria se organiza em duas alas: Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior- ANDES - e PROIFES - Fórum dos Professores das IFES). Esse acordo garantiu reposição inflacionária e um tímido ganho real no contracheque para os anos de 2008, 2009 e 2010. 

Já na campanha salarial de 2011, o governo federal selou acordo com o movimento docente no mês de agosto (desta vez, com aval das duas alas do movimento), garantindo reajuste de 4% a partir de março de 2012, incorporação de uma gratificação ao vencimento básico e compromisso de reestruturar as carreiras do magistério superior e ensino básico, técnico e tecnológico. 

Diferentemente do acordo firmado em 2008, para cumprir o acordo de 2011 o governo não encaminhou a implementação do reajuste de 4% através de Medida Provisória, mas, enviou um Projeto de Lei ao Congresso Nacional e, portanto, numa perspectiva otimista, o reajuste e a incorporação da gratificação aparecerão nos contracheques dos docentes somente a partir de julho de 2012. Além disso, ainda não houve avanços significativos nas reuniões entre governo federal, ANDES e PROIFES na direção de acordar uma proposta de reestruturação das carreiras dos docentes das IFES.

Em suma, o cenário atual é de incerteza e alerta. Se educação realmente for prioridade para o governo federal, o avanço nas negociações acontecerá. Caso contrário, a categoria docente poderá se insurgir, afinal, em 2011 tivemos 6,7% de inflação e 0% de reajuste salarial.

Aguardamos com ansiedade a reestruturação da carreira dos docentes das IFES e a implementação do reajuste, porque não queremos marchar na direção da greve, pois isso prejudica os alunos, as pesquisas, o calendário acadêmico da universidade e toda sociedade. Todavia, entendemos que greve sempre foi e sempre será um instrumento de luta e defesa dos trabalhadores, portanto, não ficaremos inertes, assistindo passivamente nossos salários em processo de corrosão e nossa categoria sendo desprestigiada pelo governo federal. 

Enquanto categoria profissional consciente e politizada, opinamos que está mais do que na hora do governo colocar o discurso em prática, valorizar e reconhecer a importância social dos professores, afinal, como dizia o sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002), o reconhecimento social de qualquer profissional é, sobretudo, mensurado pelo valor registrado no contracheque.

(*) JOSÉ LUIS SIMÕES DOUTOR EM EDUCAÇÃO, VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES DA UFPE joseluis2711@yahoo.com.br

ALFABETIZAÇÃO: A PEDRA ANGULAR DA EDUCAÇÃO




Fonte: Mozart Neves Ramos (*), Correio Braziliense de 05.04.2012


O Brasil tem ainda hoje, de acordo com o Censo Demográfico 2010, 9,7% (14,1 milhões) de analfabetos com 15 anos de idade ou mais, que vivem principalmente nas regiões mais pobres do País. No Nordeste, por exemplo, esse percentual é de 18,7%! O analfabetismo perpetua a desigualdade: as chances de pais com nível superior terem filhos analfabetos é de 0,2%, enquanto que a chance de um filho de pai analfabeto também ser analfabeto é de 32%.

O quadro contrasta com um país que forma 12 mil doutores por ano e que se encontra na 13ª posição do ranking da produção científica mundial - ocupando posição de liderança na América Latina. Esse contraste é ainda maior quando se observa a riqueza total produzida pelo País retratada pelo Produto Interno Bruto (PIB), que o coloca na 6ª posição mundial.

Fechar a torneira do analfabetismo, ou seja, promover condições para que todas as crianças brasileiras estejam plenamente alfabetizadas, pelo menos até os oito anos de idade, não é apenas uma peça estratégica para o desenvolvimento sustentável do País, mas também um importante passo na promoção da cidadania plena para todos os brasileiros.

Os dados de aprendizagem do movimento Todos Pela Educação revelam que, de cada 100 crianças que completam as séries iniciais do ensino fundamental, 65 não aprenderam o conteúdo esperado em língua portuguesa. Isso naturalmente é o reflexo da qualidade da alfabetização oferecida às nossas crianças.

O mais grave é que o País até aqui não desenvolveu um indicador para medir a taxa de crianças alfabetizadas até os oito anos de idade. Há de se louvar, por seu lado, a iniciativa da Provinha Brasil, do Ministério da Educação (MEC), com o intuito de auxiliar os alfabetizadores a detectar possíveis problemas no processo de alfabetização. É importante, mas absolutamente insuficiente para o Brasil que precisamos.

Em 2011, diante desse cenário, o Todos Pela Educação, em parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro e o próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), realizou a Prova ABC para aferir a situação da alfabetização das nossas crianças. Foi um primeiro teste, em caráter nacional, que envolveu as capitais brasileiras. E os resultados foram preocupantes: apenas metade dos alunos apresentou o desempenho esperado em leitura e escrita.

A Prova ABC também revelou que as diferenças de oportunidades em relação ao direito à educação já se manifestam nas primeiras séries do ensino fundamental para uma criança que nasce, por exemplo, no Sul do Brasil e outra no Norte - essas últimas já nas primeiras séries encontram-se num patamar de aprendizagem bem inferior àquelas do Sul.

Por essa razão, é extremamente acertada e decisiva a prioridade anunciada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para a questão da alfabetização até os oito anos, a partir do Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic). Porém, para que esse programa dê certo, é necessário priorizar a formação dos professores alfabetizadores, que precisam de capacitação e estímulo, inclusive financeiro.

Nesse contexto, como ocorre na pesquisa brasileira, poderia ser criada uma bolsa-auxílio à formação e aperfeiçoamento para os alfabetizadores. Outro ponto importante é trazer novos insumos ao processo, livros, materiais pedagógicos e recursos tecnológicos.

É também imprescindível monitorar os resultados, para saber se, de fato, a revolução (a boa revolução!) na alfabetização de nossas crianças está acontecendo. É preciso, portanto, avaliar, considerando todos os cuidados que se deve ter para essa fase do desenvolvimento da criança. Vale aqui salientar que iniciativas nessa direção já estão acontecendo em nosso País, em estados como Ceará e Minas Gerais.

Para sair do papel, esse programa demanda não apenas novos recursos, mas também coragem política para colocá-lo em marcha. E ele tem que sair do papel, pois a alfabetização é a pedra angular da educação.

(*)Mozart Neves Ramos é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro do Conselho de Governança do Todos Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Nenhum estado consegue pagar piso aos professores, diz presidente do CNM


 

1 milhão de livros para download legal


POR  EM 01/03/2012 ÀS 06:27 PM

publicado em 

Open Library é um dos projetos mais ambiciosos da internet: pretende catalogar e digitalizar todos os livros já publicados, em todas as línguas. Desenvolvido sem fins lucrativos pelo Internet Archive e pela Fundação Austin, o projeto consiste na disponibilização crescente de livros para catalogação histórica, download legal ou leitura on-line. Atualmente, dos 20 milhões de livros catalogados, mais de 1 milhão de títulos estão disponíveis para download ou leitura on-line nos formatos PDF, ePub, Plain text, DAISY, ePub, MOBI e DjVu. Embora a língua predominante seja a inglesa, podem ser encontrados livros em cerca de 50 idiomas. O acervo, que reúne obras dos maiores museus, universidades e instituições religiosas do mundo, disponibiliza preciosidades históricas dos séculos 10, 11, 12, 13, 14 15, 16, 17 e 18, entre elas, tesouros literários como “O Códice de Leningrado”, considerado o mais antigo e completo manuscrito do mundo, base do texto da “Bíblia” hebraica, escrito em pergaminho e datado de 1008; a primeira edição impressa da obra capital de Agostinho de Hipona, “A Cidade de Deus”; além de cópias das primeiras edições da obra integral de William Shakespeare. O projeto também disponibiliza aproximadamente 200 mil títulos, juridicamente protegidos, pertencentes a 350 bibliotecas de 80 países, para empréstimo. Para participar e pegar um livro emprestado, basta se cadastrar. Os livros ficam disponíveis por duas semanas. No caso de download ou leitura on-line, não há necessidade de cadastro. Para acessar:http://bit.ly/cPvcIT

Descobrir novos fármacos requer união de metodologias experimentais e computacionais


A afirmação é de Tom Blundell, professor emérito da Universidade de Cambridge, um dos pioneiros na aplicação da abordagem de descoberta de novos fármacos com base em fragmentos
Entrevistas


10/04/2012
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Professor emérito do Departamento de Bioquímica da Universidade de Cambridge (Inglaterra), Sir Tom Blundell tem se dedicado desde a década de 1970 à pesquisa em biologia estrutural e bioinformática, com foco em aplicações na medicina e na descoberta de novos fármacos.
Ao longo do tempo, Blundell percebeu as crescentes dificuldades financeiras que as grandes empresas do ramo farmacêutico e agroquímico enfrentavam para desenvolver novos produtos. A necessidade de baratear a descoberta de novas moléculas o levou a se interessar, nas últimas duas décadas, por uma nova abordagem, conhecida como “descoberta de novas drogas com base em fragmentos”.
A estratégia consiste em identificar pequenos fragmentos químicos que se ligam a alvos biológicos bem definidos, utilizando métodos computacionais para ampliá-los e combiná-los, produzindo compostos líderes com uma eficiência maior do que os métodos baseados na triagem de grandes moléculas.
Em 1999, com o colega de Cambridge Chris Abell e o empresário Harren Jhoti, Blundell fundou a empresa Astex Therapeutics, que passou a aplicar com sucesso a nova abordagem de descoberta de fármacos.
O uso da biologia estrutural em diversas aplicações da abordagem de design de novos fármacos com base em fragmentos foi o tema da conferência apresentada por Blundell no dia 1º de abril, em Campinas (SP), na abertura do curso Advanced Topics in Computational Biology – Agrochemical & Drug Design.
Coordenado por Goran Neschich, do Grupo de Pesquisa em Biologia Computacional (GPBC), da Embrapa Informática Agropecuária, o evento foi realizado no âmbito da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio da FAPESP.
O curso reuniu mais de 80 estudantes de graduação e pós-graduação, brasileiros e estrangeiros, das áreas de biologia computacional, bioquímica, biologia estrutural e ciências biomédicas. Durante o evento, Blundell, que também é fellow da Royal Society, concedeu à Agência FAPESPa seguinte entrevista:

Agência FAPESP – A abordagem conhecida como “descoberta de novos fármacos com base em fragmentos” é considerada um paradigma emergente para o setor. Por que foi preciso tal mudança?
Tom Blundell – Precisamos muito de novos fármacos e agroquímicos. O problema é que, principalmente nos últimos 20 anos, o custo para se fazer novos medicamentos e agroquímicos aumentou tremendamente. Isso ocorre em parte por conta das novas tecnologias genômicas e químicas, que são muito caras, mas também porque foram aumentadas as exigências regulatórias, o que tem impacto no custo de desenvolvimento dessas novas moléculas.
Agência FAPESP – A abordagem com base em fragmentos pode ser a solução para esse desafio?
Blundell – Há duas maneiras de lidar com esse problema. A primeira é melhorar a eficiência na confecção dessas novas moléculas, a fim de diminuir o custo. A outra é aumentar o grau de certeza envolvido nos estágios iniciais dessa confecção, de modo que os problemas de fracasso no desenvolvimento não aumentem o custo. A nova abordagem tem foco principalmente nessa segunda linha de ação.
Agência FAPESP – Como se faz para aumentar esse grau de certeza?
Blundell – Nos últimos anos temos buscado novas maneiras de aplicar métodos estruturais e computacionais a fim de identificar moléculas com mais seletividade. Para novos fármacos e agroquímicos, as metodologias são mais ou menos idênticas. Os avanços nos quais estou envolvido – e com os quais muita gente contribuiu – tem relação com a identificação de novos alvos, para tentar entender quais são os pontos críticos onde intervir. Até então, focávamos em grandes famílias de proteínas, quinases ou proteases, mas tendíamos a perder seletividade. Então, tentamos usar como alvos redes de enzimas a que chegamos por diferentes caminhos.
Agência FAPESP – A mudança fundamental se deu na identificação de novos alvos?
Blundell – A identificação de novos alvos é um passo. Outro passo são as maneiras que descobrimos para explorar a química com o conhecimento desses alvos. O que temos feito, fundamentalmente, consiste em pensar em novas estratégias de triagem [screening] a fim de trabalhar com um número menor de compostos. E em como usar o conhecimento que temos dos alvos para elaborar esses compostos. Esse tende a ser um jeito muito eficiente para conseguir moléculas que sejam seletivas.
Agência FAPESP – Essa é a chamada abordagem de descoberta de novos fármacos com base em fragmentos?
Blundell – Sim, é uma metodologia que tentamos desenvolver na nossa empresa, Astex, desde 1999. Usamos a cristalografia de raios X de diferentes maneiras, seja para analisar a estrutura de alvos biológicos, ou para selecionar fragmentos de moléculas semelhantes a drogas que são compatíveis com os formatos das áreas ativas. Também usamos a técnica para fazer a triagem de fragmentos a fim de selecionar “baterias” iniciais, que depois são transformadas em compostos líderes de alta qualidade, com a aplicação de conhecimento da área computacional e da química medicinal.
Agência FAPESP – Houve importantes e rápidos avanços tecnológicos nos últimos anos em áreas como a genômica. É preciso cada vez mais tecnologia para extrair conhecimento da enorme quantidade de dados gerada por esse tipo de progresso?
Blundell – Precisamos cada vez mais de novos métodos computacionais, mas também de novos métodos experimentais. De fato, temos muita informação acumulada devido às técnicas computacionais que se tornaram mais aprimoradas, mas isso não deve ser visto como parte do problema e sim como parte da solução. Apesar de termos muita informação, não ajuda em nada ignorar o problema. Há dados preciosos ali no meio e temos que descobrir como focar nos alvos mais seletivos. É preciso assumir que teremos que lidar com toda essa informação. Podemos usá-la de forma muito construtiva para identificar alvos e também para otimizar os processos e encontrar novos produtos químicos. Vejo utilidade da computação tanto para gerenciar os dados como para buscar hipóteses. Mas vejo a necessidade de unir as metodologias experimentais e computacionais.
Agência FAPESP – O senhor acha que é prioritário desenvolver novos métodos computacionais?
Blundell – Não. Os métodos computacionais são importantes, mas estão longe de ser o fator mais importante. Além de desenvolver novas abordagens computacionais é preciso desenvolver novos métodos experimentais. Os dois precisam caminhar juntos. Não podemos entender o genoma sem métodos experimentais e não podemos gerar os dados sem os métodos computacionais. O mesmo ocorre com o transcriptoma, o proteoma e o metaboloma.
Agência FAPESP – O mais importante, então, é estabelecer um equilíbrio entre essas vertentes?
Blundell – O principal é lembrar que a ciência é, cada vez mais, essencialmente multidisciplinar. Se você for ao meu laboratório verá que trabalho com pesquisadores da área médica – clínica e experimental –, computacional e biológica. Todos trabalhando juntos. Ninguém pensa que sua contribuição é a mais importante. O objetivo é ter a capacidade de construir em equipe novos métodos e, a partir deles, novos experimentos.
FAPESP – O senhor considera um desafio trabalhar com cientistas de outras áreas?
Blundell – É muito mais fácil trabalhar com pessoas de outras áreas. Quando você junta muita gente da mesma disciplina, os indivíduos se tornam competitivos e até briguentos. Mas se você tem um pesquisador da medicina, outro da computação e um da biologia trabalhando juntos, cada um sabe que tem algo a aprender com os demais. No meu laboratório não temos brigas. Isso ocorre porque todos dependem do conhecimento dos outros e é preciso ter um respeito mútuo. Precisamos nos entender para interagir, trabalhar juntos e construir uma abordagem multidisciplinar.

 Fonte:http://agencia.fapesp.br/15425

Mecanismo de busca pode prever o que você quer


Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/04/2012





Adivinhos
Nesta semana, o Google ganhou as páginas de jornais do mundo todo apregoando que os mecanismos de busca devem se mover para mais próximo dos anseios dos humanos.
Mas o gigante das buscas, e de toda a internet, não está sozinho, e nem mesmo está inventando nada novo.
Uma empresa emergente da Finlândia, a Futureful, não apenas parece ter saído na frente, como também parece querer ir mais longe.
A missão que a empresa se atribui é "dar a você o que você quer antes que você saiba que quer".
Sugestões
Isso parece superar muito os próprios humanos, entrando no reino das pitonisas, adivinhos e profetas.
Parece bom demais para ser verdade?
Talvez nem tanto. Os algoritmos da Futureful capturam continuamente informações das redes sociais para descobrir tendências.
Os algoritmos digerem os assuntos mais comentados, o comportamento das pessoas e o conteúdo dos postagens e, assim como o Google sugere comerciais nos quais você possa estar interessado, o Futureful oferece assuntos que você possa estar interessado em explorar e se aprofundar.
No protótipo de demonstração, rodando em um tablet, essas sugestões se transformam em uma espécie de revista, que pode ser folheada passando os dedos pela tela sensível ao toque, como se faz para ler um livro ou revista eletrônica.
Descobertas por acaso
A Futureful afirma que está dando aos usuários a capacidade de fazer "descobertas importantes por acaso" ao propor sites além de qualquer interesse pré-definido pelo usuário.
É mais ou menos o contrário das ferramentas de personalização das informações oferecidos por muitos sites - os pesquisadores finlandeses querem lhe oferecer algo que pode despertar seu interesse sem que você tenha se dado conta disto e, portanto, jamais teria marcado aquele como um assunto de seu interesse.
"Nós não estamos apenas sugerindo coisas nas quais as pessoas possam estar interessadas, nós estamos ajudando as pessoas a descobrirem coisas novas," apregoa a empresa emergente, que está recebendo recursos do governo do seu país para levar o projeto adiante.

Energia solar transforma CO2 em combustível para carros


Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/04/2012

Energia solar transforma CO2 em combustível para carros
Um sistema integrado eletro-microbiano produz combustível a partir do CO2 e da luz do Sol.[Imagem: UCLA]
Eletricidade para carros
Carros elétricos não são aviões, mas eles certamente já teriam decolado se a tecnologia das baterias não estivesse praticamente estacionada nos últimos anos.
Mas está tomando corpo uma ideia que parece estranha à primeira vista, mas que tem potencial não apenas para explorar a energia solar, como também para alimentar os carros a combustão atuais com um combustível que será, essencialmente, gerado por eletricidade.
A ideia consiste em armazenar a eletricidade em combustíveis líquidos, que poderão então ser queimados por motores a combustão normais.
Ou seja, os carros poderiam ser indiretamente alimentados por eletricidade, sem que precisassem ser convertidos em veículos elétricos.
E o alcance disso pode ser ainda maior, uma vez que a fonte para a produção desse combustível líquido é o dióxido de carbono, que todo o mundo gostaria de varrer para debaixo do tapete - ao menos a parte gerada pelo homem - para tentar evitar o aquecimento global.
Uma demonstração de que isto é tecnicamente possível foi realizada pela equipe do Dr. James Liao, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA).
CO2 vira combustível
Liao e seus colegas desenvolveram uma técnica que usa eletricidade para converter dióxido de carbono em isobutanol.
Se for usada energia solar, o processo essencialmente imita a fotossíntese, convertendo a luz do Sol em energia química.
A fotossíntese é um processo que ocorre em duas etapas - uma etapa com luz e uma etapa às escuras. A reação clara converte a energia da luz em energia química, enquanto a reação escura converte CO2 em açúcar.
"Nós conseguimos separar a reação com luz da reação escura e, em vez de usar a fotossíntese biológica, nós usamos painéis solares para converter a luz do Sol em eletricidade, depois em um intermediário químico, e então usamos esse intermediário para alimentar a fixação do dióxido de carbono para gerar o combustível," explica Liao.
Segundo ele, seu esquema pode teoricamente ser mais eficiente, em termos da energia produzida, do que a fotossíntese natural.
Biorreator
Nem tudo é artificial nesse novo método. Os cientistas modificaram geneticamente um microrganismo litoautotrófico, conhecido como Ralstonia eutropha H16, para produzir isobutanol e 3-metil-1-butanol no interior de um biorreator.
biorreator usa apenas dióxido de carbono como fonte de carbono, e apenas eletricidade como entrada externa de energia.
O desenvolvimento agora anunciado é um passo significativo em relação a uma pesquisa anterior divulgada pelo grupo, quando eles demonstrar o papel promissor das bactérias para a produção de um combustível alternativo.
Teoricamente, o hidrogênio produzido por energia solar pode ser usado na conversão do CO2 para sintetizar combustíveis líquidos com alta densidade de energia, também usando os microrganismos geneticamente modificados.
Mas as demonstrações em laboratório não têm conseguido passar para escalas maiores devido à baixa solubilidade, pequena taxa de transferência de massa e, sobretudo, pelas questões de segurança envolvendo o hidrogênio.
"Em vez de usar hidrogênio, nós usamos o ácido fórmico como intermediário. Nós usamos eletricidade para produzir ácido fórmico, e então usamos o ácido fórmico para induzir a fixação do CO2 nas bactérias, no escuro, para produzir isobutanol e alcoóis," explica Liao.
"Nós demonstramos o princípio, e agora queremos aumentar sua escala. Este é o nosso próximo passo," conclui o pesquisador.
Salve o CO2
Em 2010, outra equipe apresentou uma versão similar deste conceito, baseado em um óxido de terras raras:
Duas outras pesquisas recentes merecem destaque nessa busca de transformar o CO2 de rejeito indesejado em energia útil:
Bibliografia:

Integrated Electromicrobial Conversion of CO2 to Higher Alcohols
Han Li, Paul H. Opgenorth, David G. Wernick, Steve Rogers, Tung-Yun Wu, Wendy Higashide, Peter Malati, Yi-Xin Huo, Kwang Myung Cho, James C. Liao
Science
Vol.: 335 no. 6076 p. 1596
DOI: 10.1126/science.1217643