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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Tecido antimancha expulsa sujeira e suporta máquina de lavar



Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/05/2012
Tecido antimancha expulsa sujeira e suporta máquina de lavar
Nanopartículas de areia funcionalizadas curam-se sob a ação de luz ultravioleta para "amarrar" as camadas antimancha, deixando o tecido muito mais resistente às lavações. [Imagem: Zhao et al./Langmuir]
Tecido antimancha lavável
Tecidos antimancha podem ser encontrados no mercado sem muita dificuldade.
Mas agora está surgindo uma nova geração de tecidos à prova de sujeira que não são apenas repelentes: eles possuem uma estrutura que atua ativamente contra as manchas.
O novo revestimento mostrou-se capaz não apenas de repelir, mas de expulsar, sujeiras como graxa, cola e outras substâncias grudentas, e até ácidos.
E com uma grande vantagem: o novo material suporta dezenas de lavações em máquina de lavar comum, sem perder sua funcionalidade.
Yan Zhao e seus colegas da Universidade de Deakin, na Austrália, desenvolveram uma técnica de deposição de multicamadas com cargas positivas e negativas dispostas alternadamente.
Isso já é feito nos tecidos antimancha atuais.
O problema é que o material tende a descamar, o que explica porque sua eficiência cai tão rapidamente.
Amarração molecular
O grande truque encontrado pelos pesquisadores australianos para aumentar a durabilidade do tecido antimancha consiste na adição de nanopartículas de sílica - essencialmente uma areia finíssima - revestidas com moléculas do grupo azida, que possuem longas estruturas parecidas com caudas.
Depois que o tecido é mergulhado várias vezes na solução antimancha - para depositar as múltiplas camadas do material - ele recebe a cobertura de nanopartículas funcionalizadas.
Quando submetidas à luz ultravioleta, as caudas das moléculas do grupo azida se entrelaçam, curando-se e criando uma estrutura muito forte que amarra as diversas camadas.
Isto tornou o revestimento muito durável, permanecendo intacto sobre o tecido de algodão após 50 ciclos completos por uma máquina de lavar doméstica.
Os testes de laboratório mostraram que o novo revestimento, aplicado a um tecido de algodão, repeliu água, ácidos, bases e solventes orgânicos.
Hidrofóbico
Chama a atenção em especial a capacidade do revestimento multicamada em repelir água.
O ângulo de contato do revestimento, que é uma medida da capacidade do material em repelir água, alcançou 154 graus, o que o torna uma das superfícies hidrofóbicas mais eficientes que se conhece.
Para comparação, a cera usada em carros tem apenas 90 graus de ângulo de contato, o Teflon tem 95 graus e os produtos que repelem a água da chuva de pára-brisas de carros chegam aos 110 graus de ângulo de contato.
Como as camadas podem ser ajustadas, o material pode ser produzido para atender diversas especificações, dependendo de seu uso.
Por exemplo, ele pode ser usado para revestir sensores e até equipamentos médicos, formando superfícies antibacterianas.
Bibliografia:

Photoreactive Azido-Containing Silica Nanoparticle/Polycation Multilayers: Durable Superhydrophobic Coating on Cotton Fibers
Yan Zhao, Zhiguang Xu, Xungai Wang, Tong Lin
Langmuir
Vol.: 28 (15), pp 6328-6335
DOI: 10.1021/la300281q

Veículo não-tripulado decola como helicóptero e voa como avião



Redação do Site Inovação Tecnológica - 02/05/2012
Veículo não-tripulado decola como helicóptero e voa como avião
O Flexrotor é um veículo misto, que decola e pousa como um helicóptero, mas que, ao alcançar a altitude necessária, passa a voar como um avião - observe a reconfiguração de sua parte traseira, feita em pleno voo. [Imagem: Aerovel]
Voo vertical e horizontal
Ele não é exatamente um helicóptero e também não é exatamente um avião.
O Flexrotor é um veículo misto, que decola e pousa como um helicóptero, mas que, ao alcançar a altitude necessária, passa a voar como um avião.
Para pousar, o processo é invertido, tudo de forma automática - o Flexrotor é um VANT, um veículo aéreo não-tripulado.
E ele acaba de passar por seu teste mais difícil: fazer tudo isso na prática, decolando, voando e pousando de volta exatamente no mesmo lugar, uma espécie de varal semi-móvel.
Assim como os aviões de acrobacia, o Flexrotor possui um motor superdimensionado, que permite que ele decole verticalmente.
E as transições entre voo vertical e horizontal exigem verdadeiras acrobacias.
Após a decolagem, o Flexrotor sobe algumas centenas de metros, alto o suficiente para que ele desacelere e desça rapidamente em mergulho. Sua "cauda" traseira é então aberta e ele passa a voar como um avião.
Quando se prepara para pousar, ele faz uma forte ascensão, invertendo o processo.
Equilíbrio
Uma aeronave de decolagem e pouso verticais exige sistemas complexos tanto de propulsão quanto de controle de voo. Já o sistema de voo tradicional não é assim tão complicado - ocorre que o Flexrotor precisa das duas coisas em um sistema só.
Veículo não-tripulado decola como helicóptero e voa como avião
O "aeroporto" do Flexrotor é uma estrutura parecida com um varal, adequada para ser instalada em navios, onde o misto de avião e helicóptero deverá ser usado. [Imagem: Aerovel]
A hélice precisa ser grande o bastante para gerar uma sustentação capaz de permitir a decolagem vertical, mas pequena o suficiente para ser eficiente quando em voo horizontal - o rotor tem um diâmetro de 1,8 metro.
O mesmo acontece com as asas, que têm uma envergadura de 3 metros, mas que precisam de dois pequenos motores de controle em suas extremidades.
O sistema de controle de voo também deve ser capaz de lidar com as mínimas variações ocorridas nas decolagens e pousos verticais, reagindo em tempo real, além de acionar os dispositivos necessários para manter o arrasto o mais baixo possível quando em voo horizontal.
Segundo Tadd McGeer, criador do Flexrotor, conciliar tudo isso está exigindo uma busca constante de equilíbrio entre potência, eficiência e peso.
VANT marítimo
A empresa recém-fundada de McGeer, a Aerovel, está desenvolvendo o Flexrotor para missões de vigilância e monitoramento marítimos, com seu lançamento sendo feito de navios.
Antes disso, porém, o inusitado veículo deverá se mostrar capaz de suportar os fortes ventos típicos do ambiente marítimo - os testes agora realizados foram feitos em condições de ar quase parado.
Ele atingiu 145 km/h em voo horizontal, embora sua velocidade de cruzeiro seja calculada em 80 km/h. Na decolagem vertical ele sobe a até 3,8 metros por segundo, totalmente lotado com sua carga útil de 900 gramas.

Renascimento do petróleo promete mudar mapa geopolítico da energia



Com informações da BBC - 02/05/2012
Pico do petróleo
Novas tecnologias de exploração e novas formas de compreender os depósitos de petróleo e gás prometem revolucionar o mapa geopolítico da energia.
Imagine um mundo em que os Estados Unidos não se importam tanto com o que acontece no Oriente Médio - porque abastecer sua crescente frota de automóveis não depende de um combustível vindo do Iraque ou da Arábia Saudita. O poder da influente Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está esvaziado. A Europa não precisa do gás russo e a China não está tão preocupada em financiar regimes africanos para garantir sua fatia da produção local de combustíveis fósseis.
Nesse mundo, os estudiosos não falam mais no "pico do petróleo", quando o nível de produção atingiria um máximo e começaria inexoravelmente a declinar, e muitos já cedem aos cada vez mais fortes indícios científicos de que talvez o petróleo nem mesmo seja fóssil.
Pois não acredite que esse cenário esteja longe na realidade - na verdade, já estamos em uma transição para ele, garantem especialistas do setor.
Renascimento do petróleo promete mudar mapa geopolítico da energia
O Brasil adquiriu recentemente uma microssonda iônica, um dos mais modernos equipamentos parageologia do petróleo. [Imagem: Australian Scientific Instruments]
De previsão a profecia
E os elementos dessa transição podem ser vistos no próprio discurso desses estudiosos, que já passaram a chamar suas "previsões" de poucos anos atrás de "estudos proféticos", que devem obviamente ser esquecidos.
Agora entusiasmados com novas tecnologias, que permitem a exploração de reservas de gás e petróleo de difícil acesso, ou cujo produto precisa passar por processos químicos específicos antes de ser utilizado, ele traçam outros cenários.
Está começando a era dos combustíveis "não convencionais".
Os estudiosos apontam que não só as fontes de petróleo e gás não devem se esgotar em um futuro próximo - como previam os tais estudos proféticos -, como a distribuição geográfica das novas reservas é muito mais democrática, o que favorece grandes consumidores.
"Até pouco tempo, eram dominantes as previsões de que os países importadores aumentariam sua dependência do Oriente Médio e não haveria solução para altos preços do petróleo," diz o geólogo e economista Robin Mills, autor do livro O Mito da Crise do Petróleo (The Mith of the Oil Crisis) e consultor em Dubai.
"Com os avanços tecnológicos dos últimos anos, ganham força expectativas de que, ao menos no médio prazo, os preços dos combustíveis fósseis voltem a cair, países que eram importadores de recursos energéticos se tornem autossuficientes ou até exportadores e a OPEP seja mais pressionada a revisar suas práticas", completou.
Novas tecnologias de exploração e refino
São muitas as tecnologias que estão ajudando a traçar um novo mapa da energia no mundo.
A começar pelas que permitem a exploração de petróleo em águas profundas - caso do pré-sal brasileiro.
Outro exemplo é o aproveitamento do petróleo arenoso - encontrado em Alberta, no Canadá - também só é possível graças ao aprimoramento de processos físicos e químicos que purificam esse petróleo de baixa qualidade.
A técnica que mais desperta entusiasmo, porém, é de longe a relacionada à exploração do petróleo e, principalmente, do gás de xisto, obtidos a partir da rocha de mesmo nome. Segundo o especialista do mercado de petróleo Daniel Yergin, trata-se da maior invenção da área de energia da década.
Em centros de estudos e consultorias especializadas, o termo "revolução do gás de xisto" já virou linguagem corrente, e a respeitada Agência Internacional de Energia (AIE) chegou a perguntar em um relatório no ano passado: "Estaríamos entrando na 'era dourada do gás'"?
Revolução do gás de xisto
A causa do entusiasmo está relacionada aos bons resultados obtidos na exploração desse recurso nos Estados Unidos. Até 2008, os americanos importavam cerca de 13% do gás consumido no país do Canadá, segundo um relatório da consultoria KPMG.
Hoje, com a exploração das reservas de xisto, não só o país se tornou autossuficiente, como já pensa em exportar. Para completar, o preço do produto está caindo de forma acentuada, com os custos de extração cobertos pela venda de outros produtos químicos produzidos no processamento do gás.
Reservas de gás de xisto são exploradas na Pensilvânia, na Louisiana e no Texas e já representam 30% do consumo de gás no país. Já o petróleo de xisto é produzido em Dakota do Norte e no Texas.
"Nesse cenário, não é de se estranhar que hoje uma das grandes corridas tecnológicas nos Estados Unidos seja para desenvolver e aprimorar meios de transporte a gás, permitindo a redução do consumo de petróleo convencional", diz Frank Umbach, especialista em segurança energética do Centro para Estratégias Europeias de Segurança, com sede em Munique.
As expectativas criadas por tais mudanças também ajudam a explicar por que a Argentina desapropriou neste mês a petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, que explorava as reservas de petróleo e gás de xisto nos campos de Vaca Muerta.
"A percepção de que essa nova fonte de combustível fóssil pode mudar significativamente a posição dos países no mercado de energia cria um senso de urgência com relação à exploração desses campos", explica Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), em São Paulo. "A Argentina pedia mais investimentos para avançar nessa corrida, mas o governo continua limitando o preço cobrado pela energia internamente, o que reduz o interesse das empresas."
Renascimento do petróleo promete mudar mapa geopolítico da energia
Uma simulação da formação dos reservatórios de petróleo e gás natural e do fluxo de carbono na Terra reforçou a teoria abiogênica do petróleo. [Imagem: Eric Schwegler/LLNL]
Tecnologias cruciais
Duas tecnologias foram cruciais para viabilizar a exploração do gás de xisto.
A primeira é a técnica de perfuração horizontal, que permite o aproveitamento de reservas espalhadas por grandes áreas geográficas, mas pouco profundas.
A segunda é a de fraturamento hidráulico, que consiste no bombeamento de uma mistura de água, areia e produtos químicos para dentro dos poços de exploração. O impacto produzido por esse jorro de alta pressão produz pequenas fissuras nas rochas, liberando o gás que é canalizado para os dutos.
Esta tecnologia ainda é um tanto controversa devido justamente às fraturas nas rochas, que poderiam ocasionar tremores de terra.
A exploração de petróleo de xisto (na realidade, um óleo semelhante mas não idêntico ao petróleo convencional) é um pouco diferente. Às vezes esse combustível líquido é encontrado entre as rochas, mas em geral ele é produzido com o aquecimento do xisto.
Para o especialista em petróleo e energia Jed Bailey, da Energy Narrative, nos EUA, o que faz do xisto um dos motores de uma revolução na geopolítica da energia é a forma democrática como essas rochas estão distribuídas geograficamente.
Reservas desse material estão sendo encontradas de norte a sul do globo, em todos os continentes. Por enquanto, as maiores estão na China, Argentina, México, África do Sul, Estados Unidos, Canadá e Austrália, mas também há reservas na Colômbia, França, Polônia e Grã-Bretanha, entre outros países. No Brasil, a Petrobrás produz petróleo de xisto no Paraná.
Pires chama a atenção para o fato de que Estados Unidos e China, países que lideram o ranking de consumo de energia no mundo, também concentram algumas das maiores reservas. "O gás de xisto e todas essas outras fontes não convencionais alimentam as esperanças de importadores de energia de reduzirem sua dependência de exportadores problemáticos ou instáveis", explica.
Para Bailey, no caso dos EUA, uma diversificação para além do petróleo tradicional poderia fazer com que, no longo prazo, houvesse menos justificativa e apoio político para interferências no Oriente Médio, por exemplo. "No entanto, isso não quer dizer que a região sairia de vez do radar americano, por causa da sua influência na formação de preços no mercado global de energia", diz.
Renascimento do petróleo promete mudar mapa geopolítico da energia
O fraturamento hidráulico é uma técnica de indução de rachaduras nas rochas que pode ter fortes efeitos colaterais ambientais - como terremotos, por exemplo. [Imagem: Mikenorton/Wikipedia]
Fraturamento hidráulico
Há algumas ressalvas importantes no que diz respeito a exploração desses combustíveis fósseis não convencionais. A primeira é a questão dos altos custos, que fazem com que a utilização de muitas dessas tecnologias só se justifique se os preços de seus produtos se mantiverem em um patamar relativamente elevado.
Um segundo porém é que o sucesso da exploração dessas novas fontes de petróleo e gás desanima a busca de fontes de energia renováveis e usos mais eficientes de energia. O petróleo não convencional é tão poluente quanto o convencional.
"E mesmo que o gás de xisto substitua o carvão e o petróleo, fontes de energia mais sujas, não deixa de ser uma fonte suja também, porque sua queima emite poluentes", explica Bailey. "Além disso, com o preço do gás caindo, a energia eólica ou solar hoje parece cada vez menos vantajosa."
No caso da exploração de gás de xisto, outro agravante é que ainda não há clareza sobre os riscos de contaminação do lençol freático pelos produtos químicos usados em sua exploração.
Também acredita-se que o gás liberado no processo de extração possa causar pequenas explosões subterrâneas e tremores.
Por causa dessas preocupações, a França foi o primeiro país a proibir as técnicas de fraturamento hidráulico, em julho de 2011, banindo até pesquisas nessa área.
Na Grã-Bretanha, grupos ambientalistas têm-se oposto a exploração de uma reserva em Lancashire, embora uma comissão no Parlamento tenha avaliado a técnica como segura. "Existe uma corrida por essas novas tecnologias por questões de conveniência econômica e interesses geopolíticos, mas isso não quer dizer que elas sejam sustentáveis do ponto de vista ambiental", diz Pires.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Robôs professores poderão ensinar humanos?


Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/05/2012

Robôs professores poderão ensinar humanos?
Você se arriscaria a dizer quem é o professor e quem é o aluno?[Imagem: Bilge Mutlu Lab]
Mestre Robô
Os cientistas conhecem muito bem as dificuldades de ensinar aos robôs mesmo as tarefas mais simples.
Isso tem levado alguns a tentar com que os robôs aprendam sozinhos, ou que aprendam com sua própria experiência ou até mesmo, quem sabe, lendo uma Wikipedia robótica.
Por isso não deixa de impressionar o objetivo a que se propuseram Bilge Mutlu e Michael Gleicher, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
Eles querem criar robôs capazes de ensinar aos seres humanos.
Pode parecer pretensioso pensar que os robôs já tenham alcançado um nível que os permita substituir um professor humano em uma sala de aula, mas os primeiros testes em robôs e personagens virtuais trazem algum entusiasmo, se não com uma aula ao vivo, pelo menos em instruções mais breves ou em aprendizado via computador.
Pedagogia robótica
Como é relativamente fácil dar a um robô o acesso a qualquer base de dados e a um número ilimitado de instruções, os pesquisadores se voltaram para algo que pode fazer a diferença: o comportamento dos robôs.
Segundo eles, robôs que olham e gesticulam como humanos são muito mais eficazes para passar informações, como já demonstraram em laboratório.
E, quando se trata de comunicação, às vezes é a nossa linguagem corporal que fala mais - especialmente os nossos olhos.
Robôs professores poderão ensinar humanos?
Outras pesquisas já demonstraram que robôs podem ser muito eficientes para ensinar crianças com deficiências cognitivas, sobretudo autismo. [Imagem: Neural Networks/23/966-972]
Para demonstrar isso, um pequeno robô amarelo recebe voluntários que entram no laboratório: "Oi, eu sou Wakamaru, prazer em te conhecer. Eu tenho uma tarefa para você: organize esses objetos sobre a mesa por categorias, colocando-os nas caixas."
Com alguns voluntários, o robô, muito naturalmente, olha em direção aos objetos enquanto fala. Com outros, o robô apenas olha diretamente para a pessoa.
Mutlu diz que os resultados são bastante claros: "Quando o robô usa o olhar como um humano o faria, as pessoas são muito mais rápidas em localizar os objetos que têm que mover."
Modelagem de comportamentos
E é principalmente assim, observando humanos, que os dois pesquisadores estão rastreando o papel do olhar, e as informações que o olhar humano transmite na comunicação, que eles planejam desenvolver algoritmos de controle que possam ser associados com as informações textuais que os robôs ou personagens virtuais têm que passar.
"São comportamentos que podem ser modelados e, em seguida, programados nos robôs para que eles, os comportamentos, possam ser usados pelo robô sempre que necessário, para se referir a algo e certificar-se de que as pessoas entendam a que o robô está se referindo," explica Mutlu.
A teoria está sendo testada em um agente virtual, este sim, capaz de dar aulas pelo computador.
Ao dizer "Olá. Hoje eu vou lhes falar um pouco sobre a história da China Antiga", o personagem "sabe" que há um mapa da China sendo projetado atrás de si e, de forma quase natural, vira-se, olha e aponta para o mapa, como se fosse a moça da previsão do tempo durante os telejornais.
Isso encorajou os dois pesquisadores a falarem em robôs em salas de aula, não como alunos, mas como professores.
"Nós podemos projetar tecnologias que realmente beneficiem as pessoas no aprendizado, na saúde e no bem-estar, e em trabalhos colaborativos," conclui Mutlu.

Europa faz exercício de guerra cibernética


Europa faz exercício de guerra cibernética


Com informações da BBC - 01/05/2012
Guerra com cavalos, vírus e vermes
Pesquisadores europeus deram detalhes de um exercício de guerra realizado no último mês de Março na Estônia.
A operação Locked Shields (escudos fechados, em tradução livre) não envolveu explosões, tanques, aviõesou armas.
O que se fez foi tentar prever as consequências de um novo tipo de conflito, uma guerra cibernética.
Na operação, uma equipe de especialistas atacou outras nove equipes, espalhadas por toda a Europa.
A equipe de ataque usou várias técnicas, incluindo vírus e vermes no estilo "cavalo de Troia", para tentar extrair dados das equipes inimigas.
O tipo de ataque mais comum, geralmente associado ao termo guerra cibernética, é o DDoS (distribuição de negação de serviço, na sigla em inglês), em que servidores recebem um número de acesso grande demais para sua capacidade, fazendo-os sair do ar.
Mas os ataques DDoS são relativamente primitivos quando comparados com as últimas armas digitais.
Por isso os especialistas europeus decidiram ver como se saem em casos de ataques feitos por "inimigos" bem treinados.
Guerra virtual com danos reais
Já há algum tempo que se considera que a guerra cibernética deixou de ser ficção.
As coisas ficaram mais preocupantes depois que o vírus Stuxnet atacou uma central nuclear do Irã, mostrando que as ameaças virtuais podem causar danos reais.
Ano passado, a empresa Symantec detectou uma segunda versão do Stuxnet, chamado Duqu, que estaria pronto para ataques fábricas.
Embora ninguém tenha assumido a autoria do vírus e do ataque, o dedo da suspeição caiu sobre os governos dos Estados Unidos e de Israel. O jornal New York Times publicou uma reportagem que mostrava alusões ao Velho Testamento no código do vírus.
Assim, cresceu o temor de que a Guerra da Web, se e quando acontecer, possa gerar danos físicos, prejudicando a infraestrutura e até causando mortes.
"Eles podem causar blecautes, e não apenas cortando o fornecimento de energia, mas danificando de forma permanente geradores que levariam meses para serem substituídos. Eles podem fazer coisas como causar explosões em oleodutos ou gasodutos. Eles podem fazer com que aeronaves não decolem", afirmou Richard A. Clarke, especialista em segurança cibernética dos presidentes americanos Bill Clinton e George W. Bush, sem dizer especificamente a quem ele se refere por "eles".
Sistemas Scada
No centro do problema estão interfaces entre os mundos físico e digital conhecidas como sistemas Scada - Supervisory Control and Data Acquisition, Controle de Supervisão e Aquisição de Dados.
Estes controladores computadorizados assumiram uma série de tarefas que antes eram feitas manualmente. Eles fazem de tudo, desde abrir as válvulas de oleodutos até monitorar semáforos.
Em breve estes sistemas serão comuns nas residências, controlando coisas como o aquecimento central ou o fornecimento de energia.
O detalhe é que estes sistemas usam o ciberespaço para se comunicar com os computadores de controle, receber suas tarefas e relatar problemas.
Caso hackers consigam entrar nestas redes, em tese eles conseguiriam também o controle da rede elétrica, do fornecimento de água, dos sistemas de distribuição para indústria ou supermercados e outros sistemas ligados à infraestrutura.
Em uma demonstração, realizada em 2007, o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos atacou e praticamente destruiu um grande gerador a diesel através de seus dispositivos Scada.
Uma das razões da maior vulnerabilidade dos sistemas Scada é que eles não são programados por especialistas em segurança, mas pelos próprios engenheiros envolvidos em sua fabricação.
O feitiço e o feiticeiro
Os especialistas já apontam para uma diferença da eventual guerra cibernética em relação às guerras "convencionais".
Se as armas cibernéticas se espalharem, os alvos serão, na maioria, ocidentais, e não "países exóticos e distantes", que têm pouca dependência da internet.
Isto significa que as velhas regras de defesa militar, que favoreciam países poderosos e tecnologicamente mais avançados como os Estados Unidos, podem não se aplicar mais.

sábado, 28 de abril de 2012

As pessoas não conseguem mais ler textos longos


INTERNET & LITERATURA

As pessoas não conseguem mais ler textos longos

Por Fábio de Oliveira Ribeiro em 17/04/2012 na edição 690
A geração superficial, de Nicholas Carr, 384 pp., Editora Agir; R$ 49,90
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Por força de um texto lido neste Observatório (“Internet e o comércio da distração”) assumi o compromisso de, assim que pudesse, retirar A geração superficial, de Nicholas Carr, de uma pilha de livros novos num canto de estante para ler com calma. A obra é interessante porque mescla história do livro e das ideias sobre o mesmo com constatações acerca das transformações produzidas na leitura, no mercado editorial e no próprio livro em decorrência das novas tecnologias da informação.
Apoiando-se na obra de outros autores, Carr defende a tese de que, assim como o livro impresso mudou a forma dos homens pensarem e se comunicarem, a internet também está fazendo isto. No primeiro caso, em virtude da concentração exigida pela leitura do livro, teria havido um ganho intelectual, cultural e civilizacional. No segundo, em razão da interatividade da internet, estaria ocorrendo um prejuízo cognitivo porque as pessoas não conseguem mais ler textos longos (os links produzem dispersão, a consulta dos e-mails e perfis sociais durante a leitura também etc...).
Carr afirma que já está ocorrendo um crescimento da compra de e-books e um declínio das vendas de livros impressos. Após fazer uma longa digressão sobre o que ocorreu com os jornais norte-americanos (que fecharam, faliram, reduziram sua circulação ou simplesmente migraram para a internet), o autor sustenta que o livro como produto cultural estaria condenado à desaparecer ou a se transformar num produto produzido em pequena escala e consumido por uma pequena elite de leitores.
Argumentos não são desprezíveis
A perspectiva adotada por Nicholas Carr sobre o futuro do livro é diametralmente oposta à de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière. Na obra Não contem com o fim do livro (editora Record), Eco e Carrière defendem a tese de que o livro não morrerá. Umberto Eco afirma, por exemplo, que “você não pode fazer uma colher melhor que uma colher. Designers tentaram melhorar, por exemplo, o saca-rolhas, com sucessos bem modestos e, por sinal, a maioria nem funciona direito. Philippe Starck tentou inovar do lado dos espremedores de limão, mas o dele (para salvaguardar certa pureza estética) deixa passar os caroços. O livro venceu seus desafios e não vemos como, para o mesmo uso, poderíamos fazer algo melhor que o próprio livro. Talvez ele evolua em seus componentes, talvez as páginas não sejam mais de papel. Mas ele permanecerá o que é”. Carrière lembra com pertinência que “...nunca tivemos tanta necessidade de ler e escrever quanto em nossos dias. Não podemos utilizar um computador se não soubermos ler e escrever. E, inclusive, de uma maneira mais complexa do que antigamente, pois integramos novos signos, novas chaves. Nosso alfabeto expandiu-se. É cada vez mais difícil aprender a ler. Empreenderíamos um retorno se nossos computadores fossem capazes de transcrever diretamente o que dizemos. Mas isto é outra questão: podemos nos exprimir com clareza sem saber ler e escrever?”
Sou leitor de livros há quase 40 anos. Não os dispensaria mesmo que caíssem em desuso. Prefiro usar transporte público justamente para poder ler um livro por algum tempo todos os dias. Tendo naturalmente a concordar com Umberto Eco, de quem já li vários livros, inclusive. Mas os argumentos fáticos e teóricos apresentados por Nicholas Carr não são desprezíveis.
Hoje finalizei a leitura do capítulo 6 do livro A geração superficial ao voltar para casa de ônibus. Lia e meditava sobre a leitura que havia feito de Não contem com o fim do livro, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière. Ao meu lado, pouco depois que sentei e comecei a ler sentou-se uma adolescente, que mais adiante informou-me ter 17 anos de idade.
Garota multimídia
A moça sentou, escolheu uma música no seu smartphone Samsung, conectou-se à internet e pegou um livro da bolsa (Para Sempre, de Alyson Noel, sobre o qual nada posso dizer). Leu uma página e meia escutando música e navegando na internet. Depois fechou o livro e continuou a ler e a navegar na net por uns quinze minutos. Então, reabriu o livro e voltou a ler meia página, sempre escutando música e navegando na internet. O livro ficou no seu colo o resto do trajeto, ela completamente absorta na música e na sua atividade virtual, qualquer que fosse ela.
A princípio, a atitude desta garota me chamou bastante a atenção porque parecia confirmar o fenômeno que Nicholas Carr aborda no seu livro: distração, leitura fragmentada, incapacidade de se concentrar no livro por muito tempo etc... Quando ela desligou o smartphone e guardou o livro percebi que ela ia descer e puxei conversa.
“Você é uma garota multimídia, não?” “Por que?”, respondeu-me com um sorriso. “Porque você escuta música, lê um livro e navega na internet tudo ao mesmo tempo.” “É verdade.” “Você consegue prestar atenção a tudo ao mesmo tempo?” “Sim, estou acostumada a fazer isto.” “Do que você gosta mais, de navegar na internet ou de ler o livro?” “De ler o livro”, respondeu-me com ênfase e segurança.
Questão em aberto
Esta pequena amostra comportamental que colhi no ônibus sugere muitas coisas. A primeira e mais óbvia é que a adolescente afirmou gostar mais de ler o livro do que de navegar na internet, apesar de ter ficado muito mais tempo escutando música e navegando na internet do que lendo. A segunda é a total impossibilidade que tenho de medir a veracidade ou inveracidade da afirmação que ela fez de que consegue prestar atenção a tudo ao mesmo tempo. A terceira, mais importante, eu prestei atenção à conduta da adolescente enquanto lia o livro de Nicholas Carr e procurava confrontá-lo mentalmente com o que havia lido na obra de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière.
A minha própria conduta neste estudo de caso parece confirmar a tese de Carr. Mas no entanto também a contradiz. Minha dispersão existiu, sim, mas não foi improdutiva. O que eu fiz foi colher impressões laterais sobre uma conduta que dizia justamente respeito ao livro que estava lendo naquele momento. Esta minha atitude (desleixada, pelos padrões adotados por Carr) me ajudou a compreender melhor e mais profundamente o assunto de que trata o livro. E assim como eu li e prestei atenção à conduta de outra passageira, devemos admitir que as pessoas podem muito bem ler um livro e compartilhar sua leitura na internet com outros leitores ou colher informações sobre o mesmo em websites literários. Resumindo, o que determina a profundidade e o aproveitamento da leitura não é necessariamente a concentração absoluta sobre o livro.
Nem o livro vai desaparecer, como diz Eco e Carrière, nem a internet vai produzir necessariamente uma geração superficial como afirma Nicholas Carr. Pelo menos para mim a superficialidade dos internautas vai continuar uma questão em aberto.
***
[Fábio de Oliveira Ribeiro é advogado, Osasco, SP]