Com informações do CNPq e MCTI - 01/06/2012

O primeiro combustor brasileiro é voltado ao desenvolvimento de processos de conversão de carvão mineral e biomassas em energia térmica.[Imagem: Cientec]
Redes do carvão
O carvão mineral é um dos principais itens da pauta de importação brasileira.
Por isso o governo considera estratégico investir no desenvolvimento de tecnologias para uso do carvão mineral nacional, tanto na siderurgia quanto na geração de térmica de eletricidade.
A Rede Nacional de Combustão, criada em 2002, tem por objetivo promover o desenvolvimento científico e tecnológico no campo de combustão, gaseificação e outras formas de conversão energética.
Ela reúne 25 instituições, entre universidades, centros de pesquisa e empresas.
Já a Rede Carvão, criada em 2006, tem cerca de 40 participantes e objetiva alavancar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação na produção, o uso limpo e a eficiência energética do carvão mineral com foco nas aplicações para geração de energia, siderurgia, carboquímica, fertilizantes e uso rejeitos e resíduos.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação já investiu cerca de R$ 55 milhões nas duas redes, o que inclui infraestrutura laboratorial, formação de recursos humanos, promoção da pesquisa e cooperação internacional - com destaque para a criação de um novo centro de pesquisa - o Centro de Tecnologia do Carvão Limpo (CTCL) -, em Criciúma (SC).
Tecnologias para o carvão
As duas redes, juntamente com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), estão agora tentando uma integração, com a troca de experiências e um aumento da colaboração entre as instituições.
Durante o encontro, foram apresentadas diversas pesquisas realizadas pelas instituições participantes em temas como limpeza de gases por plasma, modelagem e simulação de combustão em geradores de vapor e desenvolvimento de gaseificadores com diversas tecnologias e utilizando diversos combustíveis.
"É fundamental que se unam esforços de pesquisa para validar tecnologias que possibilitem o aproveitamento sustentável do carvão, que é uma riqueza nacional, tendo um potencial energético cerca de 3,5 vezes maior do que o do petróleo", avaliou a coordenadora do evento, a professora Maria Luiza Indrusiak.
O coordenador da Rede Carvão, Carlos Sampaio, relatou que há seis anos não existiam alunos interessados no tema, e que a primeira reunião da rede teve a participação de 25 pesquisadores.
Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sampaio lembrou que, em contraponto, o primeiro congresso da rede, realizado em 2011 em Gramado (RS), teve a participação de 370 pessoas, das quais grande parte eram estudantes em áreas correlatas à de carvão mineral, além de palestrantes de dez países.
Combustão de carvão mineral
O primeiro combustor brasileiro, voltado ao desenvolvimento de processos de conversão de carvão mineral e biomassas em energia térmica. foi inaugurado nesta semana no município de Cachoeirinha (RS).
Em escala piloto, o equipamento funciona com a técnica de fluidização rápida.
Considerada como uma evolução do leito fluidizado, a tecnologia é promissora para o aproveitamento das variedades de carvão mais comuns no Rio Grande do Sul, do tipo sub-betuminoso, com alto teor de cinzas.
A fluidização baseia-se na circulação de sólidos juntamente com um fluido (gás ou líquido), impedindo a existência de gradientes de temperatura, de pontos muito ativos ou de regiões estagnadas.
Isto proporciona um maior contato superficial entre sólido e fluido, favorecendo a transferência de massa e calor.
Esta tecnologia é considerada de baixo impacto ambiental por apresentar redução das emissões de compostos nitrogenados (NOx) como também de facilidade na remoção de compostos sulfurosos (SOx).
Carvão mineral limpo
A intenção da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) é apresentar soluções para a geração termoelétrica a carvão mineral que sejam ambientalmente adequadas, viabilizando as atividades da cadeia desde a prospecção das minas até o aproveitamento das cinzas.
A unidade piloto realizará testes avaliando o comportamento dos carvões nacionais sob diversas condições, fornecendo informações importantes para o meio científico e industrial, além de representar uma grande ferramenta no desenvolvimento de novos processos.
Os resultados poderão ser importantes para as empresas que necessitem de calor industrial ou de geração de energia elétrica.
A Cientec, vinculada ao governo do estado, tem o único Laboratório na América Latina capacitado para estudos para a utilização ambientalmente adequada de carvão mineral.