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terça-feira, 12 de junho de 2012

Biolubrificantes: lubrificação com água é melhor que óleo


Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/06/2012

Biolubrificantes: melhor lubrificação sem óleo
O lubrificante à base de água é adequado para o resfriamento de máquinas-ferramenta, como tornos e fresas.[Imagem: Dirk Mahler / Fraunhofe]
Lubrificação contra o calor
Não é apenas o motor do seu carro que precisa de óleo lubrificante.
Inúmeros processos industriais dependem de fresas e tornos para cortar e esculpir peças de aço e ligas metálicas ainda mais duras.
Embora o trabalho seja desgastar o bloco bruto de metal, o lubrificante é tão importante aqui quanto o é quando o objetivo é evitar o desgaste.
Ocorre que, para fazer seu trabalho, a ferramenta - a ponta dura que desbasta o metal - não pode superaquecer-se, o que a destruiria em poucos segundos.
Hoje utiliza-se sobretudo o óleo mineral na maior parte dessas operações.
Segundo o Dr. Peter Eisner, do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, isso coloca algumas restrições nas operações, devido, entre outros fatores, à flamabilidade do óleo derivado de petróleo.
Mas ele e seus colegas já estão com a solução pronta.
Lubrificação à base de água
Eisner e seus colegas descobriram uma forma de usar água como base para o resfriamento das ferramentas, e sem adicionar um elemento corrosivo à equação.
A solução encontrada foi tornar a água mais viscosa com a adição de componentes biológicos, todos renováveis.
A equipe avaliou celuloses, amido e até polissacarídeos de origem bacteriana, até descobrir a fórmula ideal que permite usar apenas água com biopolímeros para lubrificar as máquinas-ferramentas.
O resultado é um biolubrificante, devidamente aprimorado com a adição de aditivos solúveis em água, que funcionam como agente anticorrosivo.
Água viscosa
Segundo o grupo, sua "água viscosa" é mais eficiente do que o óleo mineral, prolongando a vida útil das ferramentas e tornando a limpeza dos equipamentos e dos produtos finais mais fácil.
Além disso, a lubrificação à base de água é uma solução inteiramente renovável, sem os problemas ambientais associados com o descarte do óleo mineral usado.
O biolubrificante já foi licenciado para uma empresa alemã, e deverá chegar ao mercado nos próximos meses.

domingo, 10 de junho de 2012

Nosso papel não é a alfabetização hipertardia, artigo de Paulo Ghiraldelli Jr.




 
Paulo Ghiraldelli Jr é filósofo, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e autor de vários livros. Artigo publicado na Folha de São Paulo de ontem (7).

Não há nenhum complô do governo Dilma contra as universidades federais. As universidades federais entraram em greve não por uma decisão do governo em diminuir a qualidade do ensino por meio de arrocho salarial. Ao contrário, elas entraram em greve pela razão de que há uma despreocupação do governo Dilma em tomar cuidado para que as universidades federais não se transformem em grandes colégios.

Pela maneira como o nosso progresso se deu, acabamos por nos acomodar com a seguinte situação: se precisamos de pesquisa de ponta, parece que ficamos satisfeitos com o que faz a USP e a Unicamp. Se o nosso ensino médio público não funciona mais, parece que ficamos mais satisfeitos ainda em transformar toda a rede federal de ensino superior em um bom substituto para ele.

Desse modo, que o estado de São Paulo arque em manter universidades com o nome de universidades, pois aí as federais poderão ter professores mais bem pagos que os de ensino médio para fazer melhor o que o ensino médio fazia.

Não é que um governo sozinho tenha tomado essa decisão. Várias decisões de ordens diferentes foram tomadas nos governos FHC, Lula e agora Dilma. Todos colaboraram para que, no frigir dos ovos, esse fosse o resultado. Como resultado, o que está se configurando é exatamente isto: não é necessário que o professor de ensino superior federal tenha o salário que tinha, já que as federais não conseguiram despontar no ranking mundial.

Ora, não há razão de termos mais ciência nacional, filosofia feita em casa e tecnologia para nós mesmos se, no cômputo maior, vamos trabalhar com importações e, no miúdo e contingente, com a USP e a Unicamp. Esse pensamento não corre pela cabeça de ninguém individualmente. No entanto, é exatamente isso que aparece como a intenção que poderíamos imputar à política brasileira dos últimos 18 anos. Ninguém intencionou isso. Mas o resultado de intenções diversas e, talvez, até contrárias a essa situação está levando a ela.

O regime de trabalho de dedicação exclusiva do professor universitário deve ser preservado. Não se pode jogar fora a rede universitária federal como rede universitária. Ela não pode e não deve ser uma nova rede de alfabetização hipertardia, como ocorreu com as faculdades particulares criadas no boom do ensino superior gerado pela ditadura militar.

Vivemos o desprestígio do professor universitário porque já se sente que ele deixará de ser um produtor para ser um reprodutor de conhecimento. É um efeito colateral do tipo de desenvolvimento que estamos tendo.

Um subproduto desse desenvolvimento é a busca de desenvolvimento pessoal de cada brasileiro sem que isso signifique ampliação de cultura. Pode significar conquista de diploma, mas não um salto para se transformar em um indivíduo melhor. Esse sonho do brasileiro de "se fazer pela educação" foi o sonho dos da classe média ou mesmo dos trabalhadores até 1970 ou 1980. Não é mais o que o brasileiro pensa.

A presidente Dilma faria muito se pudesse retardar essa desgraça, até que a sociedade, talvez por sorte, venha a acreditar que vale a pena ter bons professores universitários e que para tal se deve pagá-los com um salário que, na entrada dos anos 1990, não era ruim. Pois, se a sociedade voltar a pensar assim, então o mecanismo normal do parlamento democrático, suscetível à população, funcionará em favor da universidade.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Pesquisadores brasileiros consolidam diretrizes para boas práticas científicas




 
Preocupação com fraudes e plágios é crescente e um de seus reflexos é a criação de uma comissão no CNPq e de um código na Fapesp para reforçar a cultura de integridade em projetos e pesquisas.

Em setembro de 2011, um caso de fraude na Holanda chocou a comunidade científica internacional. Diederik Stapel, agora um ex-professor de psicologia social, aparentemente teria forjado dados de várias pesquisas e inventado informações publicadas em cerca de 30 revistas científicas, entre elas a Science. O fato, que envolveu as universidades de Tilburg e Groningen, poderá custar o título de doutor ao pesquisador.

Investigações e punições como essa tendem a se tornar cada vez mais corriqueiras no meio científico. Não necessariamente porque o número de fraudadores ou plagiadores vem aumentando, mas sim devido a um incremento na atenção sobre as más práticas, de acordo com Paulo Sérgio Beirão, diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em outubro do ano passado, o CNPq definiu um conjunto de diretrizes para promover a ética na publicação de pesquisas científicas e estabelecer parâmetros para investigar eventuais condutas reprováveis. Para isso, foi constituída a Comissão de Integridade na Atividade Científica do CNPq, da qual Beirão é coordenador, para difundir informações sobre pesquisa ética. Atualmente, o CNPq lida com 21 mil bolsistas e está examinando, sob sigilo, quatro denúncias de fraude em pesquisas científicas no Brasil.

Diferenças - Beirão explica detalhes do funcionamento da comissão. "Assim que uma denúncia é recebida, ela é checada e verificada pelos técnicos, que dão uma primeira avaliação quanto a sua pertinência. Temos que ter cuidado de não cair no denuncismo", pontua. Em seguida, há uma avaliação prévia e a partir daí a comissão vai considerar as medidas que deverão ser tomadas. Só depois disso os supostos realizadores de más práticas serão notificados - com oportunidade de defesa.

O texto proposto pela comissão tipifica quatro condutas ilícitas: falsificação, fabricação de resultados (caso do pesquisador da Holanda), plágio e autoplágio - definido como a republicação de resultados científicos já divulgados como se fossem novos, sem explicitar a publicação prévia. Também condena a inclusão de autores que só emprestaram equipamentos ou dinheiro, sem colaborar intelectualmente com o artigo científico.

Como todos os projetos apresentados no CNPq têm cópias no conselho, fica mais fácil verificar um plágio, por exemplo, antes mesmo de a bolsa ser concedida. As punições para os delitos mais graves incluem a suspensão de bolsas e, eventualmente, a exigência de devolução do dinheiro investido pelo CNPq na pesquisa. As diretrizes básicas para a integridade na atividade científica estão disponíveis no link www.cnpq.br/web/guest/diretrizes.

Beirão conta que a comissão do CNPq reúne integrantes de "representatividade e idoneidade reconhecidas" e de diferentes áreas de conhecimento. "O que é um plágio ou autoplágio numa área pode ser visto de forma diferente, ter peculiaridades em outra. Os softwares simplesmente varrem tudo e veem as semelhanças. Mas, por exemplo, na área experimental, ao descrever um método, pode haver muita redundância e é normal porque você está usando um mesmo método e a descrição pode se parecer com a de outra pessoa", ressalta.

Código - Por sua parte, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou em setembro do ano passado seu próprio Código de Boas Práticas, que tem como objetivo reforçar na comunidade científica paulista uma cultura sólida de integridade ética da pesquisa mediante um conjunto de estratégias.

As diretrizes estabelecidas no documento são destinadas a pesquisadores que recebem bolsas e auxílios da Fapesp, além de instituições-sede das pesquisas e periódicos que contem com apoio da Fundação para publicação. A construção do código teve seu embrião em um levantamento feito pelo membro da coordenação adjunta da Diretoria Científica da Fapesp Luiz Henrique Lopes dos Santos, professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Seu estudo resultou no artigo 'Sobre a integridade ética da pesquisa', disponível no site da Fapesp.

Ele conta que a comunidade científica internacional (cujas diretrizes inspiraram parte do código) começou a discutir com mais frequência o assunto há cerca de cinco anos e em 2010 a Fapesp solicitou o estudo que deu origem ao documento. "Havia uma preocupação grande com sentimento de impunidade", conta, lembrando que houve um caso de má prática quatro anos atrás. "Precisamos ter rigor, mas também temos que garantir que o procedimento de investigação seja justo, equilibrando regras e justiça", pondera.

O código da Fapesp traz o chamado "tripé da ética": educação, prevenção e investigação/sanção. Beirão lembra que o ideal é não deixar a fraude ou plágio sequer acontecer, pois "pode causar um ônus para o avanço do conhecimento, atrasá-lo e desperdiçar recursos". No caso da Fapesp, um exemplo de "educação" de boas práticas seria incentivar as instituições científicas que recebem financiamento da Fapesp a organizar periodicamente treinamentos e cursos que abordem o tema. Mais detalhes estão no link www.fapesp.br/boaspraticas.

Encontro - No fim de maio, a UFRJ, a USP e a PUC-RS sediaram o 2º Encontro Brasileiro de Integridade em Pesquisa, Ética na Ciência e em Publicações (Brispe, em inglês), que contou com palestrantes nacionais e internacionais e propôs discussões sobre questões éticas para instituições de pesquisa, agências de fomento e periódicos estrangeiros. Beirão conta que, durante o evento, foram divulgados diversos números sobre o tema e chamou a atenção o fato de que mais artigos publicados estejam sendo retirados de circulação - um indício de más práticas.

"Como não temos comparação confiável com o passado, não temos as proporções, mas o que se pode dizer é que problemas de más condutas em ciência sempre existiram, são da natureza humana. A vantagem é que hoje temos mecanismos de detecção e até há um estímulo para que isso aconteça, então as falsificações acabam aparecendo mais", alega.

Beirão lembra que as universidades federais, por exemplo, têm seus próprios procedimentos para evitar as más práticas, que não necessariamente são os mesmos do CNPq. E Santos afirma que a Fapesp parte do princípio que as responsáveis por preservar as boas práticas são as instituições. "Mas a Fapesp pode também investigar e punir, a bolsa pode ser suspensa e dependendo da gravidade, cancelada".

Santos acha que a preocupação com o tema "ainda é incipiente", mas que o código da Fapesp e a comissão do CNPq vão contribuir para as mudanças de pensamento. "É preciso envolver os pesquisadores no problema. Há mau-caráter em todo lugar", afirma, acrescentando que atualmente a Fapesp tem "sete ou oito casos" em análise.

"É o tipo de problema que as agências preferiam acreditar que não existia, porque a gente gostaria que não existisse. No entanto, chegou-se a uma situação que não se pode ignorar e está havendo uma mudança", conclui Beirão.

(Clarissa Vasconcellos - Jornal da Ciência)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Unesp lança biblioteca digital


Acervo disponível para consulta na internet reúne livros, revistas, jornais, documentos históricos e reproduções de obras de arte (Unesp)
Notícias


06/06/2012
Agência FAPESP – A Universidade Estadual Paulista (Unesp) acaba de lançar sua Biblioteca Digital, que reúne livros, periódicos e outros materiais pertencentes ao sistema de bibliotecas e aos centros de documentação da instituição.
De acordo com a Unesp, graças a parcerias com a Biblioteca Nacional, o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, foi possível também reproduzir parte do acervo dessas instituições.
A Biblioteca Digital da Unesp está dividida em quatro grandes núcleos: “Hemeroteca”, “Livros”, “História de São Paulo” e “Artes Visuais”. As obras foram agrupadas conforme o assunto e relevância, formando diferentes coleções. Há arquivos sobre “A Linguagem Matemática”, “Entomologia”, “Filósofos” e “Polêmicas Oitocentistas”, entre outras.
A “Hemeroteca” reúne publicações periódicas, sendo possível pesquisar por título ou por palavras. O núcleo “Livros” traz obras selecionadas dos acervos das bibliotecas da Unesp e de suas coleções especiais.
Já o núcleo sobre “História de São Paulo” dá acesso a documentos importantes para a reconstrução da trajetória paulista. Ele é inaugurado com a coleção “Documentos Interessantes para a história e costumes de São Paulo”, publicada pelo Arquivo do Estado de São Paulo.
“Artes Visuais” divulga imagens digitais de obras de arte públicas – arquitetura, escultura, pintura – para uso didático, sem fins lucrativos. As imagens em alta definição podem contribuir tanto para pesquisadores como para professores em todos os níveis, com o uso em conteúdos programáticos da história da arte.
Mais informações: http://unesp.br/bibliotecadigital

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Invento com jeitinho brasileiro vira capa de revista científica


Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/06/2012

Invento com jeitinho brasileiro vira capa de revista científica
Com US$2,00 os brasileiros substituíram um equipamento de US$25.000,00, abrindo caminho para a popularização da espectrometria de massas. [Imagem: Schwab et al./Analyst]




Jeitinho inovador
Parece que o jeitinho brasileiro funciona também na ciência.
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um equipamento de alta tecnologia usando recursos inacreditavelmente simples.
Jesuí Vergilio Visentainer, da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, liderou o desenvolvimento de uma fonte de ionização e dessorção de amostras para análise por espectrometria de massas.
Trocando em miúdos, é um dispositivo inédito, sensível e portátil, que promete simplificar a análise dos componentes químicos presentes em uma amostra de material.
Um equipamento desse tipo custa hoje cerca de US$25.000,00.
Jesuí resolveu o problema com US$2,00.
O aparelho foi construído com uma lata de ar comprimido, uma mangueirinha de soro, uma agulha de injeção e um capilar de sílica.
A inovação brasileira foi considerada tão marcante e criativa que mereceu a capa da revista científica Analyst, da Royal Chemical Society.
Invento com jeitinho brasileiro vira capa de revista científica
O invento brasileiro será capa da edição de Junho da revista Analyst. [Imagem: RSC/Analyst]
Espectrometria das massas
espectrometria de massa, até poucos anos atrás, era considerada uma técnica de elite, cara e complicada.
Aos poucos, graças a avanços em instrumentação e ao desenvolvimento de técnicas revolucionárias de ionização, a técnica já está disponível em laboratórios de quase todo o mundo.
Com a inovação brasileira, a espectrometria de massa poderá se transformar em "espectrometria das massas", popularizando-se de vez.
"A ideia é ver o dispositivo disseminado, e não apenas em laboratórios de análises. Uma dona de casa poderia verificar se o tomate está contaminado, e o marido, se o vinho e a cerveja são de qualidade. Costumo brincar que a espectrometria de massas é um canivete suíço," diz o professor Marcos Eberlin, da Unicamp, que coordenou o estudo.
Patente e mercado
Jesuí cita ainda o exemplo das competições esportivas, onde o aparelho poderá ser usado para a realização de exame antidoping.
O material a ser analisado é recolhido através do equipamento e pulverizado em um espectrômetro portátil - o exame ficaria pronto em cerca de 30 minutos.
Um pedido de patente do equipamento foi feito conjuntamente pelas universidades de Maringá e Campinas, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Segundo o professor Jesuí, já há empresas interessadas em produzi-lo.
Bibliografia:

Easy dual-mode ambient mass spectrometry with Venturi self-pumping, canned air, disposable parts and voltage-free sonic-spray ionization
Nicolas V. Schwab, Andreia M. Porcari, Mirela B. Coelho, Eduardo M. Schmidt, Jose L. Jara, Jesui V. Visentainer, Marcos N. Eberlin
Analyst
Vol.: 137, 2537-2540
DOI: 10.1039/C2AN16312H

Kinect vai guiar atracação de satélites no espaço


Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/05/2012

Kinect vai guiar atracação de satélites no espaço
Um mecanismo de atracação autônomo e simples como esse poderá ser usado no futuro para a construção de estruturas maiores no espaço, usando os nanossatélites como "tijolos" para a criação de equipamentos mais sofisticados. [Imagem: SSTL]
Nanossatélites
Engenheiros da Universidade de Surrey e da empresa SSTL (Surrey Satellite Technology Ltd) planejam enviar um XBOX Kinect para o espaço.
tecnologia do controlador da Microsoft, que já está sendo emcontroles remotos sensoriais e até em projeções quase holográficas, agora será usado para controlar a navegação de satélites artificiais.
O projeto consiste em usar o Kinect para conduzir uma manobra de atracação de dois nanossatélites.
Também conhecidos como cubesats- ou formados pela união de várioscubesats - os nanossatélites são satélites artificiais pequenos e baratos. Com um tamanho médio de uma caixa de sapatos, eles são também muito leves, o que significa que seu lançamento é barato, podendo compartilhar o mesmo foguete com outras missões.
A NASA inaugurou recentemente uma categoria ainda menor, ospicossatélites, cubos com cerca de 10 centímetros de lado. Eles viajam a bordo de um rack que, quando chega ao espaço, faz a ejeção dos picossatélites.
Celular e Kinect no espaço
Os engenheiros ingleses estão apostando no uso espacial de tecnologias já disponíveis no mercado, com vistas a baixar ainda mais o custo da exploração espacial.
Seu primeiro projeto, anunciado em Janeiro do ano passado, está preparando o lançamento de um nanossatélite controlado por um telefone celular - o celular escolhido foi um Google Nexus One.
O lançamento do Strand-1 (Surrey Training Research and Nanosatellite Demonstration) está atrasado - agora previsto para o final de 2012 -, mas seus criadores já anunciaram o próximo projeto.
A missão Strand-2 deverá levar ao espaço um par de nanossatélites, quase idênticos ao Strand-1 - cada um deles mede 30 centímetros de comprimento.
O objetivo é ambicioso: fazer uma atracação dos dois nanossatélites no espaço, algo que até hoje só foi realizado por missões espaciais de grande porte.
Kinect vai guiar atracação de satélites no espaço
O Strand-1 irá ao espaço, possivelmente neste ano, controlado por um celular Google Nexus One. [Imagem: SSTL]
Localização espacial
O controlador Kinect será usado para detectar a aproximação dos dois satélites no espaço, guiando-os até a atracação.
Os gêmeos Strand-2 serão lançados no mesmo foguete, mas ficarão ligeiramente separados quando atingirem a órbita.
Após a fase inicial de checagem dos sistemas, os dois nanossatélites receberão um comando para executar o procedimento de acoplamento de forma autônoma.
Quando estiverem bem próximos, o sistema de atracação baseado no Kinect irá fornecer aos satélites a informação de sua localização espacial 3D, para que eles possam se alinhar e se encaixar.
A acoplagem usará um mecanismo eletromagnético. Isso significa que o procedimento poderá ser repetido várias vezes, com os dois satélites separando-se, fazendo manobras e acoplando-se novamente.
Construção e limpeza no espaço
Um mecanismo de atracação autônomo e simples como esse poderá ser usado no futuro para a construção de estruturas maiores no espaço, usando os nanossatélites como "tijolos" para a criação de equipamentos mais sofisticados.
"Pode parecer exagero, mas nossos nanossatélites de baixo custo poderão se atracar para construir estruturas modulares grandes e sofisticadas, como telescópios espaciais. Ao contrário das grandes missões espaciais atuais, elas poderiam ser reconfiguradas conforme os objetivos da missão mudam, e atualizadas em órbita com as últimas tecnologias disponíveis," afirmou o Dr. Chris Bridges, líder do projeto.
Outra possibilidade de uso da atracação seria atuar como "satélite gari", capturando grandes satélites artificiais que chegam ao fim da vida útil e guiando-os para que se queimem na reentrada na atmosfera, limpando o entorno da Terra do lixo espacial.

Pistola aplica medicamentos em pó pela pele sem dor


Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/06/2012

Pistola aplica medicamentos em pó pela pele e sem dor
Ao contrário das molas e sistemas de ar-comprimido, a pistola usa um mecanismo baseado na força de Lorentz, uma superposição da força elétrica com a força magnética. [Imagem: MIT BioInstrumentation Lab]
Pistolas de injeção
Cientistas do MIT, nos Estados Unidos, criaram um novo sistema de injeção de medicamentos que consegue aplicar até remédios em pó.
O equipamento injeta o medicamento na pele por pressão, sem a utilização de agulhas.
A eliminação das agulhas é algo desejável tanto para o paciente - que não sofre dor e fica livre das possibilidades de infecção - quanto para os profissionais de saúde - que se livram dos riscos do procedimento.
As pistolas de injeção de medicamentos por pressão foram praticamente abandonadas devido a problemas de contaminação e lacerações na pele, já que elas possuíam diversos bicos injetores.
Além disso, os sistemas de aplicação existentes não podem ser utilizados na maioria dos casos, sobretudo porque a quantidade de medicamento aplicado é baixa. Além disso, em alguns casos, a quantidade do remédio ou vacina que chega ao tecido correto fica por volta dos 10%.
Já o novo equipamento alcança um índice de eficácia de 80%.
Picada de mosquito
A nova pistola desenvolvida no MIT produz apenas um único furo na pele, com a dimensão do furo causado por uma picada de mosquito, eliminando o risco das lacerações.
Mas sua grande vantagem é a possibilidade de controle na dosagem e na profundidade de aplicação.
Por exemplo, o aparelho pode ser configurado para a aplicação de doses diferentes para crianças e adultos, ou ser reconfigurado de acordo com o medicamento a ser aplicado e a profundidade que ele deve alcançar.
Força de Lorentz
Ao contrário das molas e sistemas de ar-comprimido, a pistola usa um mecanismo baseado na força de Lorentz, uma superposição da força elétrica com a força magnética.
O atuador consiste em um pequeno ímã circundado por uma bobina de cobre, tudo ligado ao pistão que corre no interior da ampola.
Quando a corrente elétrica é aplicada, ela interage com o campo magnético, produzindo uma força que impulsiona o pistão com força e alta velocidade - praticamente à velocidade do som.
A velocidade do disparo pode ser controlada dosando-se a corrente elétrica aplicada ao dispositivo. Pode-se variar não apenas a tensão e a corrente, mas a forma da onda, com o que se consegue um nível de controle muito grande.
O protótipo ainda depende de um computador, que deve fornecer ao equipamento o "perfil de onda" correto para cada paciente.
Apesar de não terem problemas de ferimentos, os pesquisadores confirmaram em seus experimentos que cada tipo de pele exige dosagens diferentes da energia para aplicar a quantidade desejada de medicamento.
Remédio em pó pela pele
A equipe está desenvolvendo agora um segundo protótipo, onde ondas de alta frequência são usadas para fazer o aparelho vibrar, em vez de dar um tranco único.
Com isso é possível aplicar medicamentos em pó, que são "fluidizados" e aplicados como se fossem um líquido.
Isto poderá permitir, por exemplo, eliminar o grande problema da conservação das vacinas, que precisam ser mantidas refrigeradas até o momento da aplicação, sob pena de perderem a eficácia.
Vacinas em pó seriam muito bem-vindas para campanhas em locais remotos, ao eliminar a necessidade da refrigeração.
Bibliografia:

Needle-free jet injection using real-time controlled linear Lorentz-force actuators
Andrew Taberner, N. Catherine Hogan, Ian W. Hunter
Medical Engineering & Physics
Vol.: In Press
DOI: 10.1016/j.medengphy.2011.12.010

Tecnologias podem viabilizar carvão mineral nacional


Com informações do CNPq e MCTI - 01/06/2012

Tecnologias podem viabilizar carvão mineral nacional
O primeiro combustor brasileiro é voltado ao desenvolvimento de processos de conversão de carvão mineral e biomassas em energia térmica.[Imagem: Cientec]
Redes do carvão
O carvão mineral é um dos principais itens da pauta de importação brasileira.
Por isso o governo considera estratégico investir no desenvolvimento de tecnologias para uso do carvão mineral nacional, tanto na siderurgia quanto na geração de térmica de eletricidade.
A Rede Nacional de Combustão, criada em 2002, tem por objetivo promover o desenvolvimento científico e tecnológico no campo de combustão, gaseificação e outras formas de conversão energética.
Ela reúne 25 instituições, entre universidades, centros de pesquisa e empresas.
Já a Rede Carvão, criada em 2006, tem cerca de 40 participantes e objetiva alavancar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação na produção, o uso limpo e a eficiência energética do carvão mineral com foco nas aplicações para geração de energia, siderurgia, carboquímica, fertilizantes e uso rejeitos e resíduos.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação já investiu cerca de R$ 55 milhões nas duas redes, o que inclui infraestrutura laboratorial, formação de recursos humanos, promoção da pesquisa e cooperação internacional - com destaque para a criação de um novo centro de pesquisa - o Centro de Tecnologia do Carvão Limpo (CTCL) -, em Criciúma (SC).
Tecnologias para o carvão
As duas redes, juntamente com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), estão agora tentando uma integração, com a troca de experiências e um aumento da colaboração entre as instituições.
Durante o encontro, foram apresentadas diversas pesquisas realizadas pelas instituições participantes em temas como limpeza de gases por plasma, modelagem e simulação de combustão em geradores de vapor e desenvolvimento de gaseificadores com diversas tecnologias e utilizando diversos combustíveis.
Foram apresentadas também tecnologias de uso de combustão mista com resíduos sólidos, oportunidade gerada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.
"É fundamental que se unam esforços de pesquisa para validar tecnologias que possibilitem o aproveitamento sustentável do carvão, que é uma riqueza nacional, tendo um potencial energético cerca de 3,5 vezes maior do que o do petróleo", avaliou a coordenadora do evento, a professora Maria Luiza Indrusiak.
O coordenador da Rede Carvão, Carlos Sampaio, relatou que há seis anos não existiam alunos interessados no tema, e que a primeira reunião da rede teve a participação de 25 pesquisadores.
Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sampaio lembrou que, em contraponto, o primeiro congresso da rede, realizado em 2011 em Gramado (RS), teve a participação de 370 pessoas, das quais grande parte eram estudantes em áreas correlatas à de carvão mineral, além de palestrantes de dez países.
Combustão de carvão mineral
O primeiro combustor brasileiro, voltado ao desenvolvimento de processos de conversão de carvão mineral e biomassas em energia térmica. foi inaugurado nesta semana no município de Cachoeirinha (RS).
Em escala piloto, o equipamento funciona com a técnica de fluidização rápida.
Considerada como uma evolução do leito fluidizado, a tecnologia é promissora para o aproveitamento das variedades de carvão mais comuns no Rio Grande do Sul, do tipo sub-betuminoso, com alto teor de cinzas.
A fluidização baseia-se na circulação de sólidos juntamente com um fluido (gás ou líquido), impedindo a existência de gradientes de temperatura, de pontos muito ativos ou de regiões estagnadas.
Isto proporciona um maior contato superficial entre sólido e fluido, favorecendo a transferência de massa e calor.
Esta tecnologia é considerada de baixo impacto ambiental por apresentar redução das emissões de compostos nitrogenados (NOx) como também de facilidade na remoção de compostos sulfurosos (SOx).
Carvão mineral limpo
A intenção da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) é apresentar soluções para a geração termoelétrica a carvão mineral que sejam ambientalmente adequadas, viabilizando as atividades da cadeia desde a prospecção das minas até o aproveitamento das cinzas.
A unidade piloto realizará testes avaliando o comportamento dos carvões nacionais sob diversas condições, fornecendo informações importantes para o meio científico e industrial, além de representar uma grande ferramenta no desenvolvimento de novos processos.
Os resultados poderão ser importantes para as empresas que necessitem de calor industrial ou de geração de energia elétrica.
A Cientec, vinculada ao governo do estado, tem o único Laboratório na América Latina capacitado para estudos para a utilização ambientalmente adequada de carvão mineral.

Microscópio quântico faz "mágica" com ondas de matéria


Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/05/2012

Chapéu mágico de Schrodinger permitirá construir microscópio quântico
Este gráfico mostra uma onda de matéria atingindo o chapéu de Schrodinger. A onda no interior do contêiner é amplificada, mas ela nunca pode ser vista, parecendo que algo está saindo do nada.[Imagem: G. Uhlmann/UW]
Amplificador de ondas
Cientistas idealizaram um amplificador de ondas - de luz, som, ou qualquer outra onda - que, ao mesmo tempo, isola essas ondas do seu entorno, literalmente mantendo-as invisíveis.
Ou seja, você vai ver o resultado ampliado, mas nunca conseguirá ver a onda original.
"Você pode isolar e ampliar o que quer ver, e tornar o resto invisível," explica Gunther Uhlmann, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, ressaltando que o efeito de amplificação é muito forte.
O Dr. Uhlmann faz parte da mesma equipe que afirma ser possível criar uma fenda espacial eletromagnética, que, apesar do nome, terá grande utilidade nas TVs com imagens 3D e na geração de imagens para auxiliar cirurgias.
O que o grupo está propondo agora é "manipular ondas de matéria" - as ondas a que eles se referem são a descrição matemática das partículas na mecânica quântica.
Vai funcionar "para qualquer fenômeno ondulatório descrito ou pelas equações de Helmholtz ou pelas equações de Schrodinger, ou seja, ondas polarizadas no eletromagnetismo, ondas de pressão na acústica ou ondas de matéria na mecânica quântica," garantem Uhlmann e seus colegas.
Microscópio quântico
Essa manipulação das ondas permitirá a construção de um microscópio quântico, capaz de capturar as tão faladas ondas que descrevem partículas como elétrons e fótons.
Um equipamento assim poderá dar um novo impulso à ciência do mundo atômico e subatômico.
Mas um microscópio quântico também será de grande utilidade em coisas muito práticas, como a observação dos processos eletrônicos - fundamentalmente elétrons em movimento - no interior de processadores e de folhas fazendo fotossíntese.
Chapéu de Schrodinger
Os autores chamam seu sistema de "chapéu de Schrodinger", uma referência ao famoso "gato de Schrodinger" da mecânica quântica, que pode estar vivo e morto ao mesmo tempo, pelo menos até que você olhe para ele.
A referência se justifica porque, embora amplifique muito a onda e mostre o resultado, a onda original ficará contida no interior de um "escudo de invisibilidade", aparentemente criando algo que parece sair do nada.
"Em certo sentido, você está fazendo mágica, porque parece que uma partícula está sendo criada do nada. É como tirar algo do seu chapéu," justifica Uhlmann.
Essas "partículas emergentes" são na verdade quasipartículas, que os físicos chamam de quasmons.
As ondas de matéria no interior do chapéu de Schroedinger também podem ser "contraídas", o que equivale a torná-las invisíveis ao mundo exterior, embora Uhlmann acredite que "esconder objetos já microscópicos não é algo tão interessante.
Ver para crer
Se tudo lhe parece familiar e muito parecido com as pesquisas relacionadas com os mantos da invisibilidade e os metamateriais, está absolutamente certo.
A construção do microscópio quântico deverá se basear exatamente nesses materiais artificiais.
Com a publicação da demonstração matemática de que o projeto é viável - o que inclui considerações sobre sua construção usando materiais sólidos -, os cientistas esperam agora encontrar parceiros para construir um protótipo.
"Nós esperamos que seja factível, mas em ciência você não sabe ao certo até que você o faça," disse o pesquisador.
Bibliografia:

Schroedinger's Hat: Approximate Electromagnetic, Acoustic and Quantum Amplifiers Via Transformation Optics
Allan Greenleaf, Yaroslav Kurylev, Matti Lassas, Leonhardt Ulf, Gunther Uhlmann
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: To appear in PNAS
http://www.math.washington.edu/~gunther/publications/Papers/SchrodingerHat.arxiv.pdf

Comboio de veículos sem motorista roda 200 km na Espanha


Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/05/2012

Comboio de veículos sem motorista roda 200 km na Espanha
O primeiro caminhão era dirigido por um motorista, enquanto o segundo caminhão e os três automóveis vinham atrás, seguindo o líder de forma automática, sem motorista. [Imagem: Volvo]
Frota inteligente
Enquanto o Google começa a rodar com seu carro sem motorista nos EUA, na Espanha um comboio inteiro acaba de fazer com sucesso sua primeira jornada.
A empresa Volvo colocou nada menos do que dois caminhões e três carros rodando juntos, testando um sistema de comunicação veículo a veículo que permite que o comboio atue de forma autônoma e coordenada.
O primeiro caminhão era dirigido por um motorista, enquanto o segundo caminhão e os três automóveis vinham atrás, seguindo o líder de forma automática, sem motorista.
Isto representa um passo adiante em relação ao conceito de carro sem motorista, uma vez que, além de andar por contra própria, os veículos precisam se comunicar uns com os outros para que o movimento seja coordenado.
Siga o líder
O comboio percorreu 200 quilômetros de estradas normais na Espanha, como parte do projeto Sartre (Safe Road Trains for the Environment).
Fruto de um consórcio de empresas e universidades, com financiamento da União Europeia, o projeto pretende colocar carros sem motorista nas estradas em dez anos, na tentativa de evitar os acidentes automobilísticos.
Este é o primeiro teste da técnica "siga o líder" em estradas - a estrada estava com trânsito normal, não tendo sido fechada para o teste.
"Nós percorremos 200 quilômetros em um dia e o teste ocorreu sem qualquer incidente. Estamos realmente entusiasmados," disse Linda Wahlstrom, que coordenou o experimento.
Comunicação veículo a veículo
O sistema de navegação e comunicação veículo-a-veículo inclui câmeras, radares, sensores a laser e comunicação por rádio.
Os veículos no comboio usam o sistema para "imitar" o comportamento do veículo-líder através de um controle autônomo, acelerando, brecando e virando exatamente da mesma forma que o líder.
O comboio rodou a 85 km/h, mantendo uma distância de seis metros uns dos outros. Em pistas fechadas, o sistema já foi testado com sucesso com intervalos entre os carros de cinco a 15 metros.