Translate

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Tirada primeira foto da sombra de um átomo


Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/07/2012

Tirada primeira foto da sombra de um átomo
O experimento terá aplicações na computação quântica e na biomicroscopia, além dos estudos de física atômica. [Imagem: Streed et al./Nature Communications]
Sombra atômica
Fotografar átomos e moléculas não é uma tarefa fácil - há quem garanta queátomos nunca foram fotografados de fato.
Além de serem muito pequenos, quase um vazio completo, é também muito difícil fazê-los ficar quietos.
Por isso, Erik Streed e seus colegas da Universidade de Griffith, na Austrália, usaram uma técnica para tirar uma foto da sombra de um átomo.
"Nós alcançamos o limite extremo da microscopia; você não pode ver nada menor do que um átomo usando luz visível," contou Dave Kielpinski, coautor da pesquisa.
"Nós queríamos investigar quantos átomos são necessários para gerar uma sombra e provamos que basta um."
Fotografando um átomo
Primeiro, um átomo de itérbio foi convencido a ficar quieto ao ser colocado de castigo no interior de uma câmera de vácuo, devidamente segurado por campos elétricos.
No coração do experimento está um microscópio de resolução extremamente alta, capaz de tornar a sombra escura o suficiente para que possa ser captada.
Tirada primeira foto da sombra de um átomo
Esta é a foto da sombra de um átomo de itérbio. [Imagem: Streed et al./Nature Communications]
A seguir o átomo é exposto a uma frequência específica da luz, produzindo a sombra em um anteparo, sombra esta que é então coletada por um sensor digital.
"Se mudarmos a frequência da luz que projetamos sobre o átomo em apenas uma parte em um bilhão, a imagem não pode mais ser vista," explica o pesquisador.
Computação quântica e biomicroscopia
O Dr. Erik Streed afirma que, além de permitir um melhor entendimento da física atômica, seu experimento poderá ajudar a explorar acomputação quântica.
Os benefícios também são óbvios para a microscopia, inclusive para a biomicroscopia, sobretudo pelas informações sobre a quantidade de luz que cada átomo deve absorver a fim de criar uma sombra.
"Nós podemos agora prever quanta luz é necessária para observar processos no interior das células, sob condições ótimas de microscopia, sem ultrapassar os limites e matar a célula," disse Streed.
Bibliografia:

Absorption imaging of a single atom
Erik W. Streed, Andreas Jechow, Benjamin G. Norton, David Kielpinski
Nature Communications
Vol.: 3, Article number: 933
DOI: 10.1038/ncomms1944

Entenda como os físicos procuram o Bóson de Higgs


Com informações do Berkeley Lab e Nature - 03/07/2012

Como os físicos procuram o Bóson de Higgs
Simulação do canal de dois fótons, um dos dois maiores candidatos para ter sido percorrido pela partícula que pode ser - mas pode não ser - o Bóson de Higgs.[Imagem: CERN]
Pode não ser o Bóson de Higgs?
Na madrugada desta quarta-feira, 04h00 no horário de Brasília, o CERN, a organização por trás do maior colisor de partículas do mundo, o LHC, anunciará seus tão esperados resultados sobre o tão esperado Bóson de Higgs.
Os dados foram coletados pelos dois maiores detectores do LHC, o (A Toroidal LHC Apparatus) e o CMS (Compact Muon Solenoid).
Tudo indica que serão anunciados "fortes indícios" da existência da Partícula de Deus.
Contudo, qualquer que seja o sigma alcançado pelos resultados - é necessário superar 5 para ser considerado uma descoberta - tudo o que os físicos poderão dizer será: "Há algo lá."
Mas será mesmo o Bóson de Higgs? Pode ser. E pode não ser.
Mas por que, com tanto alvoroço, e depois de tantas pesquisas, eles não conseguirão ter certeza?
Para entender isso, é necessário ter ao menos uma vaga ideia do que seja o Bóson de Higgs, a Partícula de Deus, e como os físicos tentam encontrá-la.
Por que as partículas têm massa?
Um bóson de Higgs é uma excitação, uma ressonância - uma representação fugaz, elusiva - do campo de Higgs, que se acredita estender por todo o espaço e dar massa a todas as outras partículas.
No instante do Big Bang, era tudo uma coisa só, um estado de simetria, que durou praticamente tempo nenhum, tendo sido imediatamente quebrada.
Partículas de matéria, chamadas férmions, emergiram desse mar de energia (massa e energia sendo intercambiáveis), incluindo os quarks e os elétrons, que iriam, muito mais tarde, formar os átomos.
Juntamente com eles vieram partículas carreadoras de força, chamadas bósons, que iriam ditar as inter-relações entre todas as partículas. Todos os bósons tinham massas diferentes - em alguns casos, massas muito diferentes.
Usando os conceitos de campo de Higgs e Bóson de Higgs, o Modelo Padrão da Física explica porque os quarks, prótons, elétrons, fótons, e um enorme zoológico de outras partículas têm as massas específicas que eles apresentam hoje.
Como reconhecer o Bóson de Higgs
Estranhamente, no entanto, o Modelo Padrão não consegue prever a massa do próprio Bóson de Higgs - isso só pode ser feito experimentalmente.
E é isso que os cientistas do LHC e do finado colisor Tevatron, nos Estados Unidos, estão tentando fazer.
O problema é que está muito longe de ser simples saber quando o Bóson de Higgs terá sido realmente encontrado.
Qualquer partícula que contenha tanta energia quanto o Bóson de Higgs dura apenas uma fração minúscula de um segundo, antes de se desfazer em outras partículas - um processo chamado decaimento -, cada uma com energia menor.
E mesmo estas resultantes decaem em partículas com energia ainda menor, até finalmente deixarem um rastro que os detectores ATLAS ou CMS conseguem enxergar - ou inferir.
Como os físicos procuram o Bóson de Higgs
Esquema do detector interno do experimento ATLAS. [Imagem: CERN]
Canais de decaimento
De acordo com o Modelo Padrão, o Bóson de Higgs pode decair em pelo meia dúzia de diferentes padrões de trilhas, ou canais.
A probabilidade de cada caminho varia.
Por exemplo, há uma baixa probabilidade de que um Bóson de Higgs com massa equivalente a 100 bilhões de elétron-volts (100 GeV) de energia vá decair em um par de bósons W, portadores da interação fraca.
No entanto, se sua massa for de 170 GeV, a probabilidade de seu decaimento por este canal seria muito elevada.
Mas as medições anteriores, incluindo as feitas no ano passado pelo LHC, e asanunciadas ontem pelo Tevatron, já excluíram muitas massas possíveis para um Bóson de Higgs dentro do Modelo Padrão.
Com base nisso, espera-se detectar algum sinal por volta de 125 ou 126 GeV.
Esses dois canais envolvidos, chamados de canal de dois fótons e canal de quatro léptons, certamente não são as rotas de decaimento mais prováveis.
Segundo Beate Heinemann, dos Laboratórios Berkeley, "a probabilidade que um Bóson de Higgs de 125 GeV decaia em dois raios gama é de cerca de dois décimos de um por cento, e a probabilidade de que ele decaia em quatro múons ou elétrons é ainda menor."
Ou seja, os físicos encontraram um sinal em um lugar muito improvável.
Encontrar a música no ruído
A chave de tudo - de todas as interpretações das todas as medições de todos os canais dos detectores ATLAS e CMS - é o ruído de fundo.
Mesmo que os canais de dois fótons e quatro léptons tenham uma probabilidade baixa, eles são relativamente livre de ruídos, sinais produzidos por detritos de outras partículas que obscurecem as evidências em outros canais.
As rotas mais prováveis para o decaimento de um Bóson de Higgs com massa próxima a 125 GeV seria o de um quark bottom e um antiquark bottom, ou um par de bósons W, ou um par de partículas tau - mas todos eles são muito mais difíceis de detectar.
"Pacotes de prótons cruzam na frente uns dos outros 20 milhões de vezes por segundo dentro do detector ATLAS, com uma média de 20 colisões em cada cruzamento," explicou Heinemann.
Filtros eletrônicos selecionam automaticamente os eventos, reduzindo-os para cerca de 100.000 por segundo, apontados como de possível interesse.
Softwares sofisticados reduzem ainda mais a seleção, para algumas centenas de eventos por segundo, que são então gravados e armazenadas para estudos posteriores.
Vários físicos criticam essas técnicas, dizendo que o LHC está jogando fora dados demais, que poderiam conter alguma coisa interessante.
"Nós tentamos manter tudo o que alguém poderia pensar que poderia ser interessante," defende Heinemann.
Ou seja, o problema não é só saber o que, mas também onde procurar - ainda que isso lembre a lenda na qual o herói perdeu a agulha dentro de casa, mas resolveu procurá-la lá fora por estar mais claro.
Há algo lá
É com base nessa seleção, de dois canais de baixa probabilidade, mas mais fáceis de entender, que os cientistas tiraram suas conclusões que serão anunciadas na madrugada desta quarta-feira.
Analistas consideram difícil que o fator sigma 5, necessário para estabelecer uma descoberta, tenha sido superado.
Mas ainda que seja, o que eles terão realmente observado, será o Bóson de Higgs?
Difícil responder, mas virtualmente impossível de responder com certeza.
A revista Nature publicou ontem uma reportagem cujo título é: "Físicos encontram nova partícula, mas será o Higgs?"
"Ok, há algo lá - uma ressonância," disse Martinus Veltman, da Universidade de Michigan, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1999. "Agora nós teremos que descobrir se ela tem todas as propriedades que se supõe que o Bóson de Higgs tenha."

terça-feira, 3 de julho de 2012

Hora de investir na educação científica



 
Em entrevista, o acadêmico Alberto Passos Guimarães destaca a importância estratégica de priorizar a educação científica e discute os principais desafios para que os estudantes brasileiros tenham maior interesse pela área.

As perspectivas para o Brasil, no campo da economia, são animadoras. E uma das razões para isto é a série de fatores que pode impulsionar o crescimento do País, entre eles, a realização dos dois maiores eventos esportivos do planeta (a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio) e as possibilidades de exploração de petróleo na camada pré-sal. No entanto, segundo especialistas, um dos desafios que precisarão ser enfrentados é o do avanço na área educacional, para oferecer a qualificação necessária à mão de obra para que seja possível impulsionar este desenvolvimento. E, dentro deste objetivo, existe outro ainda mais estratégico: formar profissionais capazes de tornar o Brasil um produtor de novas tecnologias.

Nessa linha, é fundamental investir na popularização do acesso à ciência. Países que se destacaram como produtores de inovações tecnológicas, em geral, têm um contingente significativo de seus jovens diretamente interessados em atuar com produção científica, quadro bem diferente do Brasil, nos dias de hoje.

Para o diretor-adjunto do Instituto Ciência Hoje, o acadêmico Alberto Passos Guimarães Filho, o ideal é começar este incentivo ainda na infância. Segundo ele, há duas boas estratégias para alcançar este objetivo. Uma delas é por meio das atividades realizadas no ambiente escolar. Outra é aproveitar os vários outros espaços, como institutos que atuam com Ciência, museus, parques, entre outros.

Em ambos os casos, ele argumenta que é fundamental usar um trunfo: a curiosidade natural que o público infantil possui. Com os adolescentes e jovens, por sua vez, o trabalho deve ir além de instigar a curiosidade do aluno e mostrar que a Ciência é uma aventura sem fim. "É importante mostrar como os astrônomos, os arqueólogos, os paleontólogos, os antropólogos, os físicos, realizam um trabalho de detetive para buscar as explicações para os fenômenos, para os fatos da natureza e da sociedade", salientou Alberto Passos Guimarães.

Avançar na educação científica no Brasil depende de resolver outros problemas ainda mais crônicos. Entre estes desafios, está o de melhorar a qualidade do ensino, na educação básica, em disciplinas que servem de base para quem deseja seguir carreira científica, como Química, Física e Matemática. Segundo o diretor-adjunto do Instituto Ciência Hoje, para avançar no trabalho com estas matérias, é essencial, entre outras ações, melhorar a qualificação dos professores e dotar as escolas de infraestrutura mais apropriada, com a criação de laboratórios e instalação de bibliotecas, por exemplo.

Nesta entrevista, Alberto Passos Guimarães também destaca o papel que os laboratórios têm para o ensino de Ciências, explica de que forma os professores podem fazer um bom trabalho mesmo sem ter estes espaços, comenta sobre a falta crônica de professores nas disciplinas da mais ligadas ao trabalho com as Ciências e ressalta a contribuição trazida por programas de iniciação científica.

Folha dirigida - Que ações poderiam ser colocadas em prática para despertar o gosto pela ciência entre as crianças?
Alberto Passos Guimarães - Podemos considerar dois tipos de ações: aquelas realizadas dentro da escola, isto é, as que fazem parte do ensino formal, e as ações desenvolvidas em outros espaços. Num e noutro caso, para despertar o gosto pela ciência, é necessário fazer uso de um trunfo extraordinário, que é a natural curiosidade das crianças. Essa curiosidade, no entanto, não será aproveitada se as atividades com as quais as crianças tiverem contato forem apresentadas de maneira burocrática e desinteressante.

E em relação ao público jovem: como despertar este interesse?
Guimarães - O mesmo se aplica ao público jovem, a forma de apresentar a ciência deve não apenas fazer uso da curiosidade dos estudantes, mas buscar mostrar a ciência como uma aventura instigante e sem fim. Mostrar como os astrônomos, os arqueólogos, os paleontólogos, os antropólogos, os físicos, realizam um trabalho de detetive para buscar as explicações para os fenômenos, para os fatos da natureza e da sociedade. Mostrar que o conhecimento que esses pesquisadores conseguem registrar em seus trabalhos é, apesar de precioso, provisório e sujeito a contínuas revisões e contestações: a ciência é uma construção que nunca é concluída.

Por que, em geral, os estudantes têm mais dificuldades com as matérias relacionadas, de alguma forma, à ciência, como as disciplinas de física, química e matemática?
Guimarães - Esta constatação baseia-se na realidade do Brasil. Não é necessariamente uma situação vivida em todos os países. Na minha opinião, as causas não devem ser buscadas nas qualidades intrínsecas destas disciplinas, mas sim na realidade do treinamento dos seus professores, na qualidade (ou na existência) dos laboratórios, das instalações, das bibliotecas, etc.

Boa parte das escolas brasileiras não tem laboratórios de ciências. De que forma isto prejudica o trabalho nas instituições de ensino?
Guimarães - É muito difícil fazer os alunos compartilharem os prazeres da observação e da experimentação, momentos fundamentais na atividade da ciência, sem contar com um laboratório no qual possam ver e sentir os fenômenos, sejam eles físicos, químicos ou da esfera da Biologia, por exemplo. O laboratório permite de maneira imediata a percepção do aspecto lúdico da atividade cientifica. Ao observar os fenômenos, ou ao medir propriedades quantitativas, por exemplo, os estudantes passam a compreender que ciência não é apenas aquilo que está nos livros, já pronto, mas sim é uma atividade que se constrói com a observação e a experimentação.

O professor pode trabalhar as ciências de forma interessante, mesmo sem laboratórios específicos? Como?
Guimarães - Os professores de ciência devem sempre estimular as crianças a observar o mundo com os olhos da indagação científica. Os professores podem levar as crianças aos museus, fazer passeios em parques nos quais se pode observar a natureza, e finalmente, podem empregar materiais como livros, vídeos e revistas que sejam mais instigantes e estimulantes. Havendo possibilidade de acesso à internet, os estudantes podem ver imagens, vídeos, fazer simulações, etc.

Como o senhor avalia a formação dos professores que atuam no ensino de ciências no Brasil?
Guimarães - Não saberia fazer um juízo abrangente da formação de professores no Brasil, mas sei que essa formação tem muitos problemas. Existe consenso de que a profissão de professor não tem o prestígio que deveria ter, o que se mede, entre outras coisas, pelos salários recebidos por este profissional. Um dos elementos do problema é que os melhores estudantes no Brasil não desejam ser professores, o que é o oposto do que acontece nos países nos quais o desempenho dos estudantes em ciência é o mais elevado.

Disciplinas como física, matemática e química, ou seja, as que estão relacionadas à área de ciências, são justamente aquelas em que há maior falta de profissionais no mercado. De que forma isso prejudica o ensino de ciências nas escolas?
Guimarães - O personagem central no ensino é o professor: se ele não tem motivação, instrumentos e qualificação permanente, o ensino não poderá atingir um patamar de qualidade com o qual todos anseiam. As deficiências aqui atingem principalmente os professores de Ciências.

Programas de iniciação científica, com concessão de bolsas de estudo ou outros incentivos para os estudantes, ajudariam a incentivar mais o envolvimento de alunos com a ciência?
Guimarães - Os programas de iniciação científica são muito importantes para estimular os estudantes de nível superior a se interessar pelas ciências, mas não resolvem o problema que aflige os níveis anteriores da escola.

E no ensino superior: a iniciação científica já está consolidada ou seu alcance ainda é muito restrito?
Guimarães - A iniciação científica já desempenha um papel muito importante no sistema universitário brasileiro e é um grande êxito, pois estimula os estudantes a se dedicar às disciplinas cientificas, e principalmente permite a eles participar e contribuir nos projetos de pesquisa, portanto conhecendo a ciência em construção nos grupos de pesquisa do País. O CNPq atualmente tem cerca de trinta mil estudantes de iniciação científica.

O Instituto Ciência Hoje comemora 30 anos. Pode nos falar um pouco sobre os trabalhos desenvolvidos por ele?
Guimarães - O Instituto Ciência Hoje é o órgão da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) dedicado à divulgação científica e à educação científica. As principais publicações do Instituto Ciência Hoje são duas revistas de divulgação científica - a revista Ciência Hoje, revista pioneira no Brasil, criada há trinta anos, e a revista Ciência Hoje das Crianças.

Quais os objetivos destas publicações? Há outras formas de divulgação colocadas em prática pelo Instituto?
Guimarães - Em ambas as publicações busca-se fazer com que o cientista, o pesquisador brasileiro, dirija-se diretamente ao seu leitor, adulto ou criança. Outra marca dessas duas publicações é que elas retratam as atividades científicas tanto nas Ciências ditas Exatas, como nas Ciências Humanas e Sociais. O Instituto Ciência Hoje atua também na internet, com um portal específico, que divulga noticiário cientifico atualizado diariamente, e através do qual podem ser consultadas as suas publicações.

O Instituto Ciência Hoje tem alguma ação voltada para o fomento à educação científica?
Guimarães - O Instituto está envolvido ainda com a atividade de educação científica, através do Programa Ciência Hoje de Educação Científica (PCHAE). O Programa atua em vários municípios brasileiros, treinando e motivando professores de Ciências para o emprego de métodos mais atraentes de ensino, baseados no uso da publicação Ciência Hoje das Crianças.

Pode nos dar algumas informações sobre o alcance deste programa? Quantos estudantes já foram atendidos pelo projeto, por exemplo?
Guimarães - Já passaram por esse programa mais de 400 mil estudantes. O Programa Ciência Hoje de Educação Científica recebeu, em 2012, das mãos da presidente Dilma Rousseff, o prêmio dos Objetivos do Milênio, concedido a 20 iniciativas - de um total de mais de 1.600 candidaturas apresentadas - pela sua relevante contribuição para a educação científica no Brasil.

(Folha Dirigida - Caderno de Educação - 28/6)

Ciência: "Partícula de Deus" pode ter sido descoberta


Cientistas encontraram evidência da existência da partícula subatômica considerada uma das matérias-primas básicas da criação do universo

02 de Julho de 2012 | 13:30h


divulgação
Universo
Físicos do Laboratório Nacional Acelerador Fermi, vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, anunciaram nesta segunda-feira (02/07) que encontraram a mais forte evidência até agora da existência de um corpo subatômico conhecido como "Partícula de Deus" ou "Bóson de Higgs". De acordo com a Reuters, a evidência surgiu com subprodutos da colisão de partículas no acelerador chamado de Tevatron. A pista, porém, ainda precisa de provas que a comprovem.

Uma vez que os mesmos subprodutos da colisão que indicam a existência da partícula também podem vir de outras partículas subatômicas, os físicos só poderão excluir outras explicações se tiverem confiança de 550 para 1, ou seja, de que há menos de 0,2% de chance de que os escombros da colisão não são do bóson de Higgs. Por convenção internacional, as probabilidades precisam ser mais próximas a 0,14%.

Na quarta-feira (04/07), físicos do CERN, o laboratório acelerador de partículas localizado na fronteira entre Suíça e França, devem anunciar seus próprios achados sobre a pesquisa da partícula.

O que é o Bóson de Higgs?

Segundo teorias da Física, Higgs é uma partícula subatômica considerada uma das matérias-primas básicas da criação do universo. Diferente dos átomos, feitos de massa, as partículas de Higgs não teriam nenhum elemento em sua composição. Elas são importantes porque dão respaldo a uma das mais aceitas teorias acerca do universo - a do Modelo Padrão, que explica como outras partículas obtiveram massa. Segundo essa tese, o universo foi resfriado após o Big Bang, quando uma força invisível, conhecida como Campo de Higgs, formou-se junto de partículas associadas, os Bósons de Higgs, transferindo massa para outras partículas fundamentais.

A caça ao Higgs é uma das razões que levaram à construção do imenso acelerador de partículas Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), do Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), na Suíça. A primeira vez que se falou da partícula foi em 1964, quando seis físicos, incluindo o escocês Peter Higgs, apresentou uma explicação teórica à propriedade da massa. O Modelo Padrão é um manual de instruções para saber como funciona o cosmos, que que explica como as diferentes partículas e forças interagem. Mas a teoria sempre deixou uma lacuna - ao contrário de outras partículas fundamentais, o Higgs nunca foi observado por experimentos.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Senado aprova troca de dívida de universidades por bolsa




 
O plenário do Senado aprovou ontem (27) a troca de uma dívida de R$ 15 bilhões das universidades particulares por 560 mil bolsas no Programa Universidade para Todos (ProUni). O projeto agora segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

A proposta foi incluída na Câmara em uma medida provisória que tinha como objeto principal permitir a Eletrobras assumir o controle acionário da Centrais Elétricas de Goiás (Celg). "Isso significa um aumento em 30% do número de vagas de bolsas nas universidades privadas do País", destacou o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM). A MP beneficia cerca de 500 instituições, especialmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina - o que explica o empenho das bancadas dos dois estados e, especialmente, da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que é catarinense.

A ideia de incluir o projeto na MP 559 - que recebeu com o adendo a votação do Regime de Contratação Diferenciada (RDC) para obras do PAC - foi da Casa Civil, para acelerar a tramitação. As instituições poderão trocar 90% das dívidas por bolsas integrais de ensino; os outros 10% terão de ser pagos à União.

A seleção será feita pelo sistema do ProUni, com os mesmos critérios de nota mínima a partir do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o mesmo recorte de renda (até 3 salários mínimos de renda familiar). As 560 mil vagas não serão oferecidas de uma vez, mas em 15 anos, com um ano de carência. Isso porque, em alguns casos, o valor da dívida é tão alto que a quantidade de bolsas inviabilizaria a operação da instituição.

Apesar de endividadas, a negociação com as instituições não foi fácil. O principal problema foi estender as bolsas a todos os cursos, pois os reitores queriam apenas oferecer as vagas naqueles que são menos concorridos. O programa, batizado de Proies, permitirá que as universidades saiam do cadastro de inadimplentes do governo. Com isso, será possível resgatar os créditos a que têm direito com o Financiamento Estudantil (Fies).

PNE - O Senado deve manter a fixação da meta de 10% do PIB para investimento em educação pública nos próximos dez anos. Líderes governistas avaliam que, após a votação da proposta com esse porcentual na Câmara, seria impopular alterá-la. A proposta foi aprovada anteontem (26), no Plano Nacional de Educação (PNE), em comissão especial pelos deputados e, como tem caráter terminativo, segue para o Senado.
(O Estado de São Paulo)

Pós-graduados ganham 107% a mais




 
Dados do Censo 2010 registram a discrepância salarial entre profissionais com mestrado e doutorado e os demais.

O salário médio dos profissionais com mestrado e doutorado no Brasil está 107% acima do recebido por quem terminou apenas o curso de graduação. No caso dos doutores, o ganho é 152% superior. No dos mestres, 89%. Os dados - obtidos com base no Censo 2010 do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no fim de abril - mostram que é grande a discrepância salarial entre graduados e pós-graduados.

A maior distância está entre dirigentes de serviços de educação (remuneração 130% acima da média para mestrado e doutorado), seguido por tradutores, intérpretes e linguistas (114%), analistas financeiros (107%) e dirigentes de recursos humanos (106%). O abismo é menor entre os gerentes de hotéis (3%), engenheiros eletricistas (4%), geólogos e geofísicos (10%), agentes de seguros (10%) e dirigentes de pesquisa e desenvolvimento (13%).

"Não é uma surpresa. Afinal, quem chega até o doutorado realiza mais quatro ou seis anos de estudo, e tem, de fato, habilitações superiores e capacidade de atuar em um campo mais abrangente, com mais responsabilidade e visão estratégica", ressalta Marcelo Paixão, professor do Instituto de Economia da UFRJ.

O que chama a atenção, porém, na opinião do professor, é o tamanho da disparidade. "O ideal seria garantir remuneração adequada para todos. Claro que respeitando a hierarquia para quem tem mestrado ou doutorado, mas com leques salariais menos abertos", opina Paixão.

Entre os profissionais de educação, o abismo na remuneração de quem tem diploma de mestrado ou doutorado e só de graduação atinge um dos níveis mais altos: 93% no caso dos professores de universidades e do ensino superior, 104% para os professores do ensino fundamental e 72% para professores do ensino médio. Sendo que a proporção de mestres e doutores dentro de cada categoria varia de forma significativa: 54%, 2% e 7%, respectivamente.

Para Ana Heloisa Lemos, coordenadora do MBA "Gestão e recursos humanos" da PUC-Rio, não é difícil entender o porquê de haver tão poucos professores dos níveis de ensino fundamental e médio com títulos de pós-graduação. "Isso está associado à péssima remuneração para quem leciona no ensino de base. Quando um profissional conquista uma qualificação de mestre ou doutor, é natural que ele migre para o ensino superior, onde vai encontrar melhores condições de trabalho".

Ainda segundo Ana Heloisa, o fato de 54% do corpo docente de nível superior ser mestre ou doutor é um reflexo das exigências do mercado: prestar concurso para ingressar no quadro fixo de uma universidade pública, por exemplo, exige diploma de PhD. "E é importante que seja assim, porque pressupõe uma qualificação do professor. Não é apenas pelo diploma".

Isso ajuda também a compreender o círculo vicioso que aprisiona a educação de base no Brasil: salários baixos, educadores pouco qualificados e ensino de má qualidade. "Se os professores de ensino fundamental e os de ensino médio fossem melhor remunerados no Brasil, talvez não houvesse essa 'fuga de talentos'", pondera a coordenadora da PUC-Rio.

Heloisa lembra ainda que no setor público a valorização de profissionais pós-graduados é explícita, com adicionais de salário para quem obtém grau de mestre ou doutor. "Na esfera privada, isso não ocorre de maneira tão direta. Mas, no meio empresarial, ser mestre também é um diferencial, que confere mais status e acesso a cargos gerenciais", diz a coordenadora.

Henrique Heidtmann Neto, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (Ebape), destaca que a competitividade no cenário corporativo atual leva as organizações, sejam públicas, privadas ou do terceiro setor, a melhorar seus sistemas organizacionais para se adaptar ao modelo de economia que exige um profissional que saiba pensar sistemas complexos.

"Com isso, as instituições vêm procurando profissionais com habilidades técnicas e a competência de pensar, não apenas de fazer. Os programas de mestrado, sejam acadêmicos ou profissionais, e doutorado aprofundam e desenvolvem esse tipo de competência", afirma Heidtmann.

Para o professor da FGV, profissionais que passaram por esta experiência de pós-graduação estão em contato com pesquisas recentes desenvolvidas em suas áreas e aprendem com a teoria, o que faz com que sejam mais valorizados. "O esforço de passar de dois a quatro anos pesquisando e em contato com a academia agrega valor ao profissional, tornado seu 'passe' mais caro".

Outros países - Os dados também chamam a atenção para a pequena população no Brasil que tem um diploma de pós-graduação no currículo - 784.746 - contra 12.679.009 com nível superior concluído. O que também é insuficiente, segundo Marcelo Paixão, do IE/UFRJ.

"Em um país com 200 milhões de habitantes, ter apenas 16% de população universitária é pouco. Países como Coreia, China e Índia têm programas muito mais agressivos para colocar as pessoas na pós-graduação", destaca Paixão, que vê no programa "Ciência sem Fronteiras", do governo federal, uma tentativa de melhorar a situação. "Porém, é algo muito concentrado nas áreas de tecnologia e biomédica, o que acaba sendo uma visão pobre. As ciências humanas também têm importância para o desenvolvimento de um país".
(O Globo)

O ABC das greves, artigo de Sidney Jard




 
Sidney Jard é cientista político e ex-chefe de gabinete da reitoria da UFABC. Atigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (28).

Em editorial publicado no dia 6 de junho, o jornal O Estado de São Paulo chamou a atenção para a preocupante situação da greve nas universidades federais brasileiras, que tem sido tratada, em linguagem orwelliana, como um "não movimento" pelo Ministério da Educação (MEC), pelas entidades sindicais pró-governo e pela mídia partidária oficial. Até a publicação do referido texto, eram 51 federais paralisadas num universo de 59 instituições, entre elas a recém-criada Universidade Federal do ABC (UFABC).

A adesão da UFABC à greve das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) revestiu o movimento dos professores universitários de nova simbologia. A "universidade do século 21", como foi batizada pelos seus idealizadores, foi a primeira instituição universitária criada no processo de expansão do ensino superior brasileiro promovido pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Um modelo a ser seguido pelas demais instituições criadas no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Com sede no "coração da indústria brasileira", a UFABC foi, nos seus primeiros anos de atividade, a menina dos olhos do então presidente da República. O próprio projeto de criação da universidade, apresentado ao Congresso Nacional em julho de 2004, ressalta que se tratava da reparação de uma injustiça histórica com o ABC paulista, palco de fulgurantes lutas pela redemocratização do País - movimento que pôs lado a lado o professor universitário Fernando Henrique Cardoso e o operário sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, que, anos mais tarde, utilizariam essa mesma herança política para pleitear e ocupar o cargo de principais mandatários da Nação.

Se, por um lado, é notória a influência de intelectuais vinculados à Academia Brasileira de Ciências (ABC) na elaboração do projeto pedagógico da nova instituição, por outro, é igualmente digna de nota a atuação decisiva das chamadas "lideranças locais" na efetivação do projeto político da universidade. Assim, o "ABC" da UFABC representa a convergência, no mundo universitário, de duas grandes utopias: a utopia científica e tecnológica da Academia Brasileira de Ciências; e a utopia do desenvolvimento econômico e social das sete cidades que integram a famosa região metropolitana de São Paulo. O "ABC das ciências" e o "ABC das lutas".

Mas foram necessários apenas cinco anos para a utopia ufabceana defrontar o realismo machadiano do ensino superior brasileiro. Em reiteradas visitas institucionais, acompanhando o então presidente da República, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad afirmava, com convicção - mais política do que científica -, que a UFABC seria a melhor universidade do Brasil, superando a Universidade de São Paulo (USP), sua própria casa, como ele gostava de salientar. No entanto, o discurso ministerial parecia revelar o esquecimento de uma lição básica de sociologia: atentar para "as condições de que se rodeia a ciência como vocação", como diria o velho mestre Max Weber.

Essas condições são particularmente preocupantes nas novas universidades federais. Jovens aspirantes à carreira científica foram convertidos em gestores das instituições universitárias recém-criadas. Inúmeras reuniões administrativas, relatórios técnicos, a abertura de editais e o acompanhamento de licitações fazem parte do cotidiano dos professores das novas Ifes, entre outras funções de caráter burocrático. Não por acaso, os protagonistas da atual paralisação são os recém-doutores contratados para as novas universidades ou para os campi em expansão de instituições já consolidadas, particularmente aquelas que ainda carecem de condições materiais mínimas para o desenvolvimento dos requisitos constitucionais elementares de uma universidade: ensino, extensão e pesquisa.

Não bastassem as burocráticas condições de desenvolvimento das atividades científicas, o processo de expansão do ensino superior brasileiro - um dos principais feitos do agora candidato à Prefeitura de São Paulo - não foi acompanhado por uma política efetiva de reestruturação e valorização da carreira universitária.

O resultado é que atualmente, descontada a inflação, os professores iniciantes recebem, comparativamente, menos do que recebiam no final do primeiro mandato de outro ilustre Fernando, que também parece ter-se esquecido dos ensinamentos clássicos da sociologia durante o exercício do poder, ao menos no que se refere às condições externas que cingem a prática acadêmica.

Assim, de Fernando a Fernando e de descaso em descaso, chegamos à atual situação da profissão docente nas universidades federais: uma das carreiras do serviço público de maior reconhecimento social e de menor remuneração salarial. Retrato escandalosamente weberiano da proletarização do trabalho científico.

Talvez esta seja uma excelente oportunidade para o atual ministro da Educação, professor Aloizio Mercadante, recém-doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), corrigir o equívoco dos seus antecessores e implementar um plano de reestruturação da carreira docente à altura do imperativo de expansão do ensino público, gratuito e de qualidade nas universidades federais brasileiras.

Após um mês de paralisação, é um erro o MEC e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão continuarem apostando no cansaço da categoria e no poder desmobilizador das lideranças sindicais pró-governo sem, mais uma vez, atentar para as condições externas que revestem a vocação científica, "no sentido material do termo". Mas, como dizia Weber, ciência e política são duas vocações, definitivamente.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Greve atinge 95% das instituições federais, diz sindicato



Docentes preparam, para hoje, atos em frente às sedes do Banco Central em várias cidades.

A greve dos professores chegou ontem (27) à adesão de 95% das instituições federais de ensino, segundo dados do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), indicados pelo G1. Das 59 universidades, 56 têm professores parados. A paralisação dos servidores técnico-administrativos atinge 34 dos 38 institutos federais de ciência e tecnologia.
Os grevistas reivindicam, entre outros fatores, a criação de um plano de carreira única e aumento do piso salarial. Os docentes preparam, para esta manhã (28), atos em frente às sedes e subsedes do Banco Central em várias cidades brasileiras.
Fonte: Da Redação

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Nanopartículas de ouro destroem moléculas de DNA


Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/06/2012

Nanopartículas de ouro destroem moléculas de DNA
Os ligantes com carga positiva fizeram seu trabalho de levar as nanopartículas de ouro até as moléculas de DNA, mas os ligantes hidrofóbicos causaram a aglomeração das nanopartículas, rasgando a molécula de DNA.[Imagem: Yaroslava Yingling/NCSU]
Nanopartículas funcionalizadas
Uma pesquisa que não deu certo levantou possibilidades entusiasmantes de um lado, mas acendeu luzes de alerta do outro.
Os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriram que nanopartículas de ouro juntam-se para desconstruir a dupla hélice das moléculas de DNA - elas literalmente "rasgam" o DNA, destruindo a molécula.
O experimento tinha como objetivo criar pacotes de material para uso em terapias genéticas. As nanopartículas de ouro são as mais pesquisadas para todo o tipo de terapias no corpo humano, incluindo os chamados medicamentos inteligentes, porque elas são inertes.
Como de costume, as nanopartículas de ouro, com aproximadamente 1,5 nanômetro de diâmetro cada uma, receberam um revestimento com moléculas orgânicas, os chamados ligantes, que permitem que elas se dirijam para os pontos onde são necessárias.
Uma parte dessas moléculas ligantes tem carga positiva, enquanto o restante tem a propriedade da hidrofobicidade, ou seja, elas são repelidas pela água.
A seguir, as nanopartículas funcionalizadas foram mergulhadas em uma solução com moléculas de DNA.
Rasgando o DNA
As moléculas positivamente carregadas, como previsto, fizeram com que as nanopartículas aderissem às moléculas de DNA, que são sempre negativas - elas precisam fazer isso para levar a "carga genética", o material que irá alterar os genes que se deseja.
"Mas nós descobrimos que o DNA estava na verdade sendo desdobrado pelas nanopartículas de ouro," conta o Dr. Anatoli Melechko, líder da pesquisa.
O que ocorreu foi que as moléculas hidrofóbicas embaraçaram-se umas nas outras. Conforme esse embaraçamento fazia com que as nanopartículas se aglomerassem, o conjunto crescia e ia desfazendo a hélice do DNA.
Bioeletrônica
O mecanismo é promissor para alguns campos emergentes, como o origami de DNA, que permite a construção de nanoestruturas complexas.
A eletrônica baseada no DNA, que pesquisa formas de usar moléculas de DNA como molde para a criação de circuitos nanoeletrônicos, também poderá ser beneficiada.
Recentemente, pesquisadores criaram bits genéticos usando moléculas de DNA e umcomponente eletrônico com sangue humano, além de ter demonstrado que aeletrônica analógica imita reações em células vivas.
Perigo das nanopartículas
Por outro lado, as nanopartículas de ouro, por serem inertes, são as preferidas para experimentos com medicamentos inteligentes e outras formas de uso da nanotecnologia no interior do corpo humano.
Para isso, elas precisam ser funcionalizadas, recebendo revestimentos de moléculas orgânicas, como aconteceu neste experimento - embora não necessariamente com as mesmas moléculas.
Mas os resultados lançam preocupações sobre as interações das nanopartículas com as células vivas, devido a um potencial de destruição do DNA.
Em suma, o experimento que estava sendo conduzido, de terapia genética, mostrou exatamente como não se deve fazer as coisas.
"Ficou claro que precisamos ajustar os ligantes, a carga e a composição química desses materiais para garantir que a integridade estrutural do DNA seja mantida," admitiu Yaroslava Yingling, membro da equipe.
Bibliografia:

Weakly Charged Cationic Nanoparticles Induce DNA Bending and Strand Separation
Justin G. Railsback, Abhishek Singh, Ryan C. Pearce, Timothy E. McKnight, Ramón Collazo, Zlatko Sitar, Yaroslava G. Yingling, Anatoli V. Melechko
Advanced Materials
Vol.: Article first published
DOI: 10.1002/adma.201104891

domingo, 24 de junho de 2012

Ciência: tempo pode parar e congelar a humanidade, segundo pesquisadores


Cientistas acreditam que universo tem se acelerado mais rápido do que o nosso tempo, o que poderia paralisar toda a galáxia

20 de Junho de 2012 | 14:00h



Tempo
Há quem diga que o tempo passa rápido em bons momentos e bem devagar em situações não muito confortáveis. Mas, essa questão vai além e levanta um ponto preocupante. Pesquisadores da Universidade do País Basco e da Universidade de Salamanca, ambas na Espanha, acreditam que o tempo como conhecemos hoje está desacelerando e que, algum dia, irá parar por completo.

De acordo com o jornal The Telegraph, os astrônomos resolveram elaborar relatórios para explicar por que o universo parece estar em mudanças constantes e aceleradas. Para isso, analisaram supernovas - corpos celestes que surgem após a explosão de outras estrelas - distantes no espaço.

Após testes mais aprofundados, os cientistas perceberam que as partículas emitidas por essas estrelas se movem mais veloz do que aquelas que estão mais próximas do planeta Terra. Alguns acreditam que esse fenômeno é explicado pela "energia escura", uma espécie de força gravitacional que tende a acelerar a expansão das galáxias. Daí a teoria: se essas partículas se movimentarem cada vez mais rápido, nosso tempo não seria capaz de acompanhá-las, causando a paralisação.

No entanto, os pesquisadores Jose Senovilla, Marc Mars e Raul Vera não confiam nessa hipótese, pois, na verdade, o tempo está se desacelerando de forma tão imperceptível aos seres humanos que, no futuro, irá simplesmente parar. "Assim como uma fotografia, tudo o que conhecemos estará congelado para sempre", diz o professor Senovilla.

Mesmo que essa notícia possa estimular a mente das pessoas, os cientistas afirmam que isso só vai acontecer daqui alguns bilhões de anos. Apesar de absurda, a ideia, na visão de Gary Gibbons, cosmólogo da Universidade de Cambridge (Inglaterra), não deve ser descartada. "Acreditamos que o tempo surgiu durante o Big Bang. Se ele nasceu por conta própria, também pode desaparecer", disse.

E aí, qual sua opinião sobre o assunto? Concorda com a teoria dos pesquisadores?