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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Projeto de Lei quer proibir anonimato em sites no Brasil

Redação do IDG Now!
18-10-2010
(Agência Brasil)
Páginas deverão indicar o nome do responsável e endereço de contato. Reportagens deverão informar o nome e o registro do jornalista
Um Projeto de Lei (PL) que está em tramitação na Câmara dos Deputados prevê a proibição do anonimato em sites no Brasil. Eles deverão indicar o nome do responsável na página principal, além do endereço de contato. Em matérias jornalísticas, deverá ser informado o nome e o registro profissional do jornalista responsável. A proposta é de autoria do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e tem o código 7311/10.

De acordo com a PL, sites que produzam ou veiculem matérias jornalísticas próprias ou de terceiros, inclusive blogs, ficarão ainda submetidos a outros deveres, como comprovar a veracidade da informação prestada, assegurar o direito de resposta e observar meios éticos na obtenção da informação. A proposta proíbe preferências discriminatórias sobre raça, religião, sexo, preferências sexuais, doenças mentais, convicções políticas e condição social.

Segundo o autor do projeto, em uma rede não regulada, há muitos abusos. “O cidadão prejudicado não tem como fazer contato com os responsáveis por sítios que não disponibilizam endereço ou nome dos jornalistas responsáveis pelas matérias veiculadas”, afirma. “Nem mesmo o direito de recurso ao Poder Judiciário é possível, uma vez que a impossibilidade de identificar os responsáveis impede a caracterização da parte a ser acionada”.

Punição

De acordo com o projeto, em caso de descumprimento, os responsáveis pelos sites no Brasil ficarão sujeitos a multa entre 5 mil e 50 mil reais por cada infração. No caso da pessoa jurídica, também serão punidos com multa os administradores ou controladores, quando tiverem agido de má-fé.

Fonte:http://pcworld.uol.com.br/noticias/2010/10/18/projeto-de-lei-quer-proibir-anonimato-em-sites-no-brasil/

MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a difamação, manipulando dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.
Fonte:http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/2010/10/15/manifesto-de-professos-universitario-em-defesa-da-educacao-publica/

Chips made in Brasília

A primeira casa de projetos de circuitos integrados do Centro-Oeste fica na UnB e é financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia

Todos os eletrônicos que deixam a vida muito mais prática nos dias de hoje - do controle remoto até os poderosos computadores de um aeroporto, por exemplo - funcionam graças a pequenos circuitos integrados.

Peças de alguns milímetros quadrados que agrupam minúsculos transistores, eles são responsáveis pela coordenação das principais funções das máquinas.

Os chips têm valor inversamente proporcional ao seu tamanho - quanto menores, mais valiosos - e são a causa de um dos maiores problemas da balança comercial brasileira, que perde US$ 25 bilhões por ano com a importação dessas peças.

Para mudar esse quadro, é preciso fazer com que os chips sejam produzidos no Brasil, algo mais complicado do que parece.

A indústria de semicondutores exige investimento pesado em infraestrutura e capacitação.

Desde 2004, o governo federal tenta resolver o problema com a criação de design houses, casas de projetos financiadas através do programa CI Brasil, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A Universidade de Brasília (UnB) é sede de uma dessas casas, a DFChip, a primeira do Centro-Oeste. Dez pessoas trabalham na iniciativa desde julho passado, literalmente desenhando os circuitos integrados.

O trabalho é longo e delicado. Mesmo pequenos, os chips são responsáveis pela competitividade da indústria de eletrônicos, por isso recebem tanta atenção. Antigamente, os aparelhos funcionavam com grandes circuitos elétricos.

"Mas as empresas, por pressão do mercado, tiveram que melhorar seus produtos, aumentando a performance, diminuindo o tamanho e o consumo de energia. Para isso, desenvolveram os circuitos integrados", conta Mario Vergara, gerente técnico da DFChip.

Além disso, os próprios chips melhoraram muito com o passar do tempo. "No início dos anos 1970, havia enormes computadores com uma capacidade irrisória. Já existiam microchips dentro dessas máquinas, mas eram muitos e faziam pouca coisa", explicaWagner Araújo, engenheiro de aplicação da design house da UnB. "Nos dias de hoje, com menos elementos em uma placa, é preciso menos energia para fazer o computador funcionar. Isso deixou o PC muito mais rápido também", completa.

Assim, projetar bons circuitos integrados é uma forma de ganhar mercado. O engenheiro de aplicação da DFChip cita o exemplo do iPad, o eletrônico com maior adesão na história, fora os telefones. "A Apple criou um chip sofisticado para o tablet e deve ter gasto algo entre US$10 milhões eUS$20 milhões.

Agora, imagine o retorno que a companhia não está conseguindo com as vendas", exemplifica.

Essa balança, porém, só fica equilibrada se, na hora de fabricar o circuito integrado, o volume for grande o bastante para valer os custos da produção. Para tornar o processo viável, as indústrias precisam fazer, no mínimo, 100 mil unidades do chip, por um período de três a cinco anos. A regra vale para qualquer tipo de semicondutor, dos mais simples aos mais complexos.

Um microchip de computador pode custar US$ 100; já os que vão em etiquetas de identificação por radio-frequência (RFID) custam US$ 0,10 ou US$ 0,20. "Qualquer circuito precisa de um chip hoje. E a indústria depende da evolução constante da tecnologia", reforça Wagner Araújo.

Investimento

Por que, afinal, desenhar um chip é tão caro? "Formar um projetista não é barato. Não há cursos de graduação específicos para isso no Brasil. Quem quer seguir a área precisa fazer mestrado ou doutorado, que, muitas vezes, são focados na atuação acadêmica", comenta Mario Vergana. "E a indústria ainda é incipiente, não adianta criar um currículo universitário se a pessoa não vai ter onde aplicar esse conhecimento", completa Wagner.

A arquitetura do semicondutor também custa um dinheirão. Os softwares utilizados para gerar os códigos são proprietários e a licença não sai por menos de US$ 200 mil ao ano, podendo chegar a US$ 1 milhão. Por conta disso, mesmo grandes empresas costumam terceirizar o projeto de chips.

É aí que entra a valorização das design houses. Os editais do Ministério da Ciência e Tecnologia (foram dois até agora) dão um prazo de dois anos para que as casas de projetos se estabeleçam. A ideia é que, depois desse período, elas consigam se firmar como empresas para atender indústrias nacionais e estrangeiras.

A DFChip ainda não tem uma "cara" específica. "Cada design house tem liberdade para definir sua área de atuação. Em geral, isso depende da região onde a casa está inserida. Se o Distrito Federal for forte em telecomunicações, provavelmente vamos projetar chips para essa indústria", explica Higor Santana, gerente de desenvolvimento empresarial do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDT) da UnB.

Além da DFChip, há outras 21 design houses espalhadas pelo país - 12 delas em órgãos públicos e a maioria nas regiões Sul e Sudeste.

Por enquanto, a casa de projetos de Brasília está atendendo apenas um cliente, uma empresa de São Paulo que trabalha em parceria com uma organização norte-americana.

Mas a intenção é ampliar a carteira de atendimentos. "A vantagem de uma design house é que nós conseguimos distribuir os custos entre vários clientes", afirma Higor. "Nosso maior desafio, contudo, é a cultura empresarial brasileira: aqui, as indústrias ainda têm resistência em adotar tecnologias de ponta", lamenta o gerente do CDT.

Para o engenheiro Wagner Araújo, as design houses do Brasil precisam investir em um mercado específico de chips, não tão sofisticado, mas não menos necessário, como o de identificação por RFID. "Eu acho que seria uma bobagem nós competirmos com projetistas que criam circuitos integrados para microprocessadores, por exemplo", opina. "Podemos, sim, capacitar o país, mas algumas coisas sempre vão ser importadas", diz.

Lei de Moore

A escala do desenvolvimento tecnológico foi prevista em 1965, por Gordon Moore, um dos fundadores da Intel. A chamada Lei de Moore diz que, a cada 18 meses, a capacidade dos chips dobra e o preço cai pela metade. A regra vale ainda hoje, embora especialistas anunciem que, em breve, a lógica do mercado será outra.
(Correio Braziliense, 18/10)

Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74126

Todos pela educação, artigo de Ricardo Young

"É absolutamente urgente que sejamos todos radicalmente pela educação pública de qualidade, hoje"

Ricardo Young é empresário. Foi candidato ao senado pelo PV-SP. Artigo publicado na "Folha de SP":

Este é o nome de um movimento da sociedade civil, do qual participo, que tem por objetivo contribuir para que todas as crianças e jovens brasileiros tenham acesso à educação pública de qualidade.

Este movimento se torna ainda mais fundamental depois que pesquisa do Ipea dá conta de que a população brasileira passará por um envelhecimento rápido nos próximos 20 anos.

Ao analisar dados sobre fecundidade e mortalidade, o Ipea estima que, a partir de 2030, só os grupos acima de 45 anos é que vão apresentar crescimento.

Em comparação com a Europa, único continente a enfrentar esse problema até agora, o movimento de passagem está acontecendo numa velocidade acelerada, exigindo atenção total dos políticos, do mercado e da sociedade para os impactos da mudança nas políticas públicas, no consumo e na vida de cada um.

Um país com população "mais velha" precisa de políticas públicas de renda e saúde abrangentes e efetivas para compensar a perda da capacidade de trabalho, além de fortes investimentos em habitação, infraestrutura e acessibilidade em focos diferentes dos que são feitos hoje, porque as necessidades serão diferentes.

Quem vai pagar esta conta? De onde sairá o dinheiro para as aposentadorias que garantam dignidade a estes brasileiros? O Brasil ainda vive um período de bônus demográfico, no qual há um contingente de população em idade ativa maior do que o de idosos e crianças. Este período deve durar mais uns 20 anos. Em condições normais, seria uma bênção. Mas, por não estarmos preparados, teremos um ônus difícil de ser superado, pois as pessoas em idade ativa hoje têm baixa escolaridade e quase 50% da população entre 15 e 19 anos não tem acesso ao ensino médio público.

Daqui a 20 anos, a população ativa hoje será a aposentada. Se neste período não realizarmos uma verdadeira revolução educacional que prepare de fato as pessoas para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, não seremos um país sustentável, pois a renda dos cidadãos ativos não suportará as necessidades básicas da população.

Na Europa, as aposentadorias são garantidas por uma população economicamente ativa altamente educada e capacitada, que ocupa postos de trabalho complexos com salários sobre os quais incide uma porcentagem que forma a poupança que paga as aposentadorias. Estes profissionais passaram por escolas, públicas na maioria, de alto nível. Por isso os salários melhores garantem uma população de "pirâmide invertida", mais idosos do que jovens.

É absolutamente urgente que sejamos todos radicalmente pela educação pública de qualidade, hoje. Esse é o compromisso que devemos cobrar dos políticos. A viabilidade do país depende disso.
(Folha de SP, 18/10)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74127

Brasil defende direito de quebrar patente de remédios

Países em desenvolvimento buscam diferenciar medicamentos falsificados de genéricos

Brasil, Índia e África do Sul juntaram forças para rejeitar pressões pela extensão de direitos de propriedade intelectual, e defenderam o uso efetivo de flexibilidades como licença compulsória, ou seja, quebra de patentes, para melhorar o acesso a remédios baratos.

A posição foi manifestada em concorrido seminário que os três países promoveram para a comunidade internacional, em Genebra, onde reuniram uma série de expositores para combater a "confusão jurídica" entre remédios falsificados e genéricos, atribuída a grandes laboratórios.

O relator especial da ONU sobre direito à saúde, Anand Grover, disse que muitas patentes estão expirando, valendo dezenas de bilhões de dólares de negócios, poucas entram no mercado e assim a indústria farmacêutica promoveria "uma campanha agressiva contra genéricos".

"Remédios falsificados são um problema sério. Ninguém está aqui para promover venda de falsificados, mas também não está aqui para promover a venda de nenhum medicamento em prejuízo do direito humano à saúde", afirmou a embaixadora brasileira Maria Nazareth Farani Azevedo.

A posição brasileira é de combater remédio falsificado como um crime contra a saúde pública, e não contra o direito privado, disse Erika Veiga, representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência diz ter feito mais de 53 mil apreensões entre janeiro e agosto. Em 2009, fez retenção de 235 mil toneladas de medicamentos sem registro.

A Índia vê mais "esforços simultâneos" para torpedear as flexibilidades do Acordo de Trips (propriedade intelectual) da Organização Mundial do Comércio (OMC), com "comércio unilateral e pressões políticas sendo exercidas sobre os países que exercem flexibilidades como licença compulsória". Para participantes, se isso prevalecer, países em desenvolvimento podem "dar adeus" a sua industria farmaceutica nacional.

Para a organização Médicos Sem Fronteiras, que atua em mais de 70 países, o preço de medicamentos é central para se combater falsificados, "a concorrência é importante, como é importante a produção de genéricos".

Certos participantes não escondiam a surpresa com o preço de genéricos no Brasil, considerado bastante caro para um país que procura exercer liderança na área. Nos países europeus, os genéricos representam 50% das unidades farmacêuticas, em média, e em valor representam 18%. No Brasil, os genéricos têm 20% do mercado e fazem 18% em valor, mostrando que a diferença de custo com os medicamentos de marca é insignificante.

Num artigo de quatro páginas publicado na "Resenha de Imprensa" da OMC, o acadêmico americano Robert Naiman conclama o Brasil a ser mais incisivo e efetivo para liderar o acesso a remédios essenciais. "Se o Brasil promovesse fortemente a produção de genéricos alternativos, isso resultaria em preços mais baixos para o país e mais baixos para outros países", afirma.

A Interfarma, a entidade que representa a indústria farmacêutica, considera ultrapassada a "suposta guerra de genéricos", notando que a indústria quer fazer um mix de remédios de marca, genéricos e similares, e quer garantir o produto seguro e eficaz.
(Assis Moreira)
(Valor Econômico, 18/10)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74137

Ciência em ação

Aulas de robótica, comuns no ensino superior, passam a fazer parte da grade curricular das escolas; objetivo é despertar em crianças e jovens o gosto pela ciência e incentivar neles o empreendedorismo

O ensino da robótica desperta a curiosidade para a área da ciência e tecnologia.

Como interesse não tem idade, não é mais preciso esperar até a universidade para aprender a fazer robôs.

Hoje, muitas escolas dão aulas de robótica para crianças a partir dos 9 anos. No colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida (zona oeste de SP), os alunos têm aula de aventuras robóticas.

O objetivo, diz a escola, é desenvolver neles liderança e empreendedorismo. O professor Fernando Fontes explica sua metodologia: os alunos são divididos em grupos de três; a cada aula, eles têm uma missão. Há sempre um líder, um construtor e um programador.

"A missão de hoje é se adaptar a situações problemáticas para não ficar desesperado", diz Guilherme Pessoto, 10, o programador do dia, ao tentar montar um robô de pequenas dimensões.

Em sua equipe, Lucas Terui, 10, o construtor, diz que gosta de resolver problemas sozinho, sem o professor. Para alunos um pouquinho mais velhos, do 6º ao 9º ano de duas escolas públicas de sua região, a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) desenvolve um treinamento para a olimpíada de robótica que a instituição promove para os ensinos fundamental e médio.

Segundo André Marcato, coordenador do curso de engenharia elétrica da UFJF e responsável pelo Projeto de Popularização de Ciência e Tecnologia, a meta é aproximar os alunos de escolas públicas da universidade.

"Queremos despertar nos estudantes o interesse pela tecnologia", diz Marcato.

No programa, além de desenvolverem programação de computadores e robótica, os alunos aprendem conceitos básicos da engenharia eletrônica -como sensores de proximidade, luz e tato-e da mecânica -criar uma artefato do robô,por exemplo.

Já os graduandos dos cursos de engenharia da Escola Politécnica da USP continuam a se dedicar aos estudos com robôs na faculdade.

Mas, agora, os projetos têm mais complexidade. A equipe ThundeRatz, com mais de 20 membros, possui robôs que, somados, chegam ao valor de R$ 30 mil. Além da participação nas competições de robótica, desenvolvem projetos técnicos e científicos apenas com a ajuda de um orientador.

Os robôs Lenhador (R$ 20 mil), Hypnos (R$ 9.000) e Hockey (R$ 700) são os atuais objetos de trabalho dos futuros engenheiros. Os membros do ThundeRatz acreditam que a participação na equipe ajuda na busca de um emprego, uma vez que aliam a experiência como conhecimento técnico. Flavio Tonidandel, coordenador do departamento de ciência da computação da FEI (Fundação Educacional Inaciana), diz que o Brasil produz artigos, teses, mas desenvolve pouca tecnologia. "É como se fosse muita teoria e pouca prática."
(Thiago Azenha)
(Folha de SP, 18/10)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74138

O melhor da ciência inútil

Ig Nobel premia com 10 trilhões de dólares (zimbabuanos) autores de façanhas como estudar a felação dos morcegos e provar a Lei de Murphy segundo a qual a torrada cai sempre com a manteiga para baixo

Em plena temporada do Nobel, o seu inverso: o Ig Nobel. Há 19 anos que ele existe, premiando pesquisas e façanhas científicas irrisórias, portanto pândegas e irrelevantes. Ou, como define quem o instituiu, pesquisas que provocam o riso e só depois a reflexão, acima de tudo sobre o alcance de sua desimportância. Ensinar pombos a diferençar um quadro de Picasso de um quadro de Monet, por exemplo. Tão inútil façanha já rendeu um Ig Nobel de Comportamento Animal a um trio de psicólogos americanos.

Foi uma ideia - o prêmio, não a columbófila experiência - de um sujeito chamado Marc Abrahams. Se existisse o Nobel do Bom Senso, seria injusto concedê-lo a outro cientista. Abrahams estudou matemática aplicada em Harvard e dedicou os melhores anos de sua vida a catar e tornar públicas as maiores tolices do mundo acadêmico, através de uma organização, Annals of Improbable Research (Anais da Pesquisa Improvável), que antecedeu de muitos anos a denúncia das "imposturas intelectuais" feita pela dupla Sokal-Bricmont.

Os galardões de 2010 foram entregues no dia 30 de setembro, em cerimônia realizada no Teatro Sanders da Universidade de Harvard, mas a série de palestras tradicionalmente embutida no evento - desta feita centrada no tema "bactéria" - continuou rolando, com, entre outras sumidades, o ficcionista e quadrinista Neil Gaiman.

Sempre prestigiada por cientistas premiados com o outro Nobel, é uma festa de gozação e confraternização, a que muitos comparecem com aqueles óculos e bigodes à Groucho Marx ou um barrete de bufão. A cada ano a recompensa em dinheiro ganha mais zeros, acompanhando a inflação, cortesia tão ou mais irrelevante que as pesquisas laureadas, pois a moeda adotada é o dólar zimbabuano. Cada ignobelizado embolsou um cheque de Z$ 10 trilhões.

Por falar em fiasco econômico (na ditadura de Mugabe um quilo de açúcar custa milhares de dólares nacionais), o Ig Nobel de Economia de 2009 coube justamente aos gênios das finanças que destruíram a moeda daquele país africano. O deste ano ficou com os magos da agiotagem dos grupos Goldman Sachs, AIG, Lehman Brothers, Bear Stearns e Magnetar, pelo que fizeram e continuam fazendo nos arredores de Wall Street.

O Ig Nobel de Química foi para três pesquisadores (um do MIT) que estudaram os possíveis efeitos de um vazamento de óleo nas águas profundas do Mar da Noruega, cujos resultados foram vendidos à BP, aquela petrolífera que emporcalhou o Golfo do México. O de Física premiou três neozelandesas da Universidade de Dunedin, pela tese de que a maneira mais segura de se evitar escorregões no gelo acumulado nas ruas durante o inverno é calçar as meias sobre as botas. Solas de lã sem dúvida oferecem muito mais estabilidade, mas e a sensação de ridículo?

No campo da biologia comportamental, o destaque foi a experiência que Gareth Jones fez com morcegos, na Universidade de Bristol, na Inglaterra. Segundo dr. Jones, os morcegos prolongam a duração de suas cópulas praticando a felação - se é que entendi direito sua descoberta, trazida a público pela revista New Scientist. Abrahams autentica todas as suas premiações em apêndices e notas de rodapé. A experiência das meias foi publicada no New Zealand Medical Journal.

Três psicólogos britânicos da Universidade de Keele compartilharam o Ig Nobel da Paz. Tentaram provar cientificamente que praguejar, xingar e dizer palavrões não só acalma o ser humano como lhe aumenta a tolerância à dor. O mesmo japonês, Toshiyuki Nakagaki, que em 2008 ficara com o Ig Nobel de Ciência Cognitiva ao demonstrar o agudo senso de direção dos fungos ameboides no interior de um labirinto, voltou este ano para pegar o Ig Nobel de Planejamento de Transporte. Agora seus fungos "provaram" possuir um sistema de conexão mais eficiente que o do metrô de Tóquio.

A cientista ucraniana Elena Bodnar foi outra que também bisou sua presença na festa da Annals of Improbable Research. Não veio receber outro prêmio, apenas anunciar que já estava à venda o invento que em 2009 lhe proporcionou o Ig Nobel de Saúde Pública: um sutiã que se transforma em máscara contra gases - e tem o mesmo tom de rosa do flamingo de plástico para jardim que assegurou a Don Featherstone o Ig Nobel de Arte de 1996. O fenicopterídeo de Featherstone já tinha, então, quatro décadas de breguice; só lhe faltava a chancela de uma renomada instituição.

O físico inglês que se arvorou em dar respaldo científico a uma das Leis de Murphy ("A torrada sempre cai com o lado da manteiga para baixo") também recebeu o seu Ig Nobel de Física com atraso. Já o zoólogo que escreveu um livro sobre como identificar cada um dos insetos que se esborracham nos para-brisas de automóveis e caminhões esperou apenas alguns meses para abiscoitar o Ig Nobel de Entomologia.

Como a bebida afeta a memória dos peixinhos de aquário? Em que doses regulares o álcool pode curar a ejaculação precoce canina? Que efeitos sobre as aranhas tem o sangue dos esquizofrênicos? Por que os ratos podem ser ensinados a preferir Mozart a Schoenberg? Qual a utilidade do chulé? Sem as limitações categóricas da Academia Sueca, a academia de Marc Abrahams contempla todas as áreas do conhecimento humano. Do ambientalismo à tecnologia, da administração de empresas à zoologia, sempre atrás de especulações que justifiquem a fama da pesquisa científica como "a falta do que fazer metida a besta".

Este ano até um Ig Nobel de Gestão foi providenciado. Três economistas da Universidade da Catânia, no sul da Itália, racharam a oferenda por conta da recauchutagem que deram no Princípio de Peter. "Todo empregado tende a ser promovido até o seu nível de incompetência", reza o princípio. Já que é assim, os italianos desenvolveram a tese de que a melhor maneira de aumentar a eficiência de uma empresa é promover competentes e incompetentes, aleatoriamente. E se a prática confirmá-la?
(Sérgio Augusto)
(O Estado de SP, 17/10)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74140

Sobre a importância da ciência, artigo de Marcelo Gleiser

"Apenas uma sociedade que é versada na ciência pode escolher qual vai ser o seu destino de forma responsável"

Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College (EUA). Artigo publicado na "Folha de SP":

Parece paradoxal que, no início deste milênio, durante o que chamamos com orgulho de "era da ciência", tantos ainda acreditem em profecias de fim de mundo. Quem não se lembra do bug do milênio ou da enxurrada de absurdos ditos todos os dias sobre a previsão maia de fim de mundo no ano 2012?

Existe um cinismo cada vez maior com relação à ciência, um senso de que fomos traídos, de que promessas não foram cumpridas. Afinal, lutamos para curar doenças apenas para descobrir outras novas. Criamos tecnologias que pretendem simplificar nossas vidas, mas passamos cada vez mais tempo no trabalho. Pior ainda: tem sempre tanta coisa nova e tentadora no mercado que fica impossível acompanhar o passo da tecnologia.

Os mais jovens se comunicam de modo quase que incompreensível aos mais velhos, com Facebook, Twitter e textos em celulares. Podemos ir à Lua, mas a maior parte da população continua mal nutrida.

Consumimos o planeta com um apetite insaciável, criando uma devastação ecológica sem precedentes. Isso tudo graças à ciência? Ao menos, é assim que pensam os descontentes, mas não é nada disso.

Primeiro, a ciência não promete a redenção humana. Ela simplesmente se ocupa de compreender como funciona a natureza, ela é um corpo de conhecimento sobre o Universo e seus habitantes, vivos ou não, acumulado através de um processo constante de refinamento e testes conhecido como método científico.

A prática da ciência provê um modo de interagir com o mundo, expondo a essência criativa da natureza. Disso, aprendemos que a natureza é transformação, que a vida e a morte são parte de uma cadeia de criação e destruição perpetuada por todo o cosmo, dos átomos às estrelas e à vida. Nossa existência é parte desta transformação constante da matéria, onde todo elo é igualmente importante, do que é criado ao que é destruído.

A ciência pode não oferecer a salvação eterna, mas oferece a possibilidade de vivermos livres do medo irracional do desconhecido. Ao dar ao indivíduo a autonomia de pensar por si mesmo, ela oferece a liberdade da escolha informada. Ao transformar mistério em desafio, a ciência adiciona uma nova dimensão à vida, abrindo a porta para um novo tipo de espiritualidade, livre do dogmatismo das religiões organizadas.

A ciência não diz o que devemos fazer com o conhecimento que acumulamos. Essa decisão é nossa, em geral tomada pelos políticos que elegemos, ao menos numa sociedade democrática. A culpa dos usos mais nefastos da ciência deve ser dividida por toda a sociedade. Inclusive, mas não exclusivamente, pelos cientistas. Afinal, devemos culpar o inventor da pólvora pelas mortes por tiros e explosivos ao longo da história? Ou o inventor do microscópio pelas armas biológicas?

A ciência não contrariou nossas expectativas. Imagine um mundo sem antibióticos, TVs, aviões, carros. As pessoas vivendo no mato, sem os confortos tecnológicos modernos, caçando para comer. Quantos optariam por isso?

A culpa do que fazemos com o planeta é nossa, não da ciência. Apenas uma sociedade versada na ciência pode escolher o seu destino responsavelmente. Nosso futuro depende disso.
(Folha de SP, 17/10)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74139

iPhone e iPad podem transmitir doenças, diz especialista

Segundo o pesquisador australiano Peter Collignon, o compartilhamento desses aparelhos representa um sério risco à saúdePor Macworld/Reino Unido

Equipamentos eletrônicos com interface sensível ao toque, como iPhone, iPad e iPod Touch podem representar um risco à saúde. É o que afirma um especialista em doenças infecciosas.

Segundo o professor Peter Collignon, da Universidade Federal da Austrália, suas pesquisas encontraram um alto nível de agentes infecciosos na superfície de dispositivos com telas touchscreen, o que representa grande possibilidade de transmissão de doenças.

Em entrevista ao The Sydney Morning Herald, ele afirmou que se centenas de pessoas compartilharem a mesma tela ou teclado esse risco passa a ser alto. Esse tipo de coisa pode acontecer, por exemplo, em lojas de produtos no qual os aparelhos ficam em demonstração e são manuseados com grande rotatividade. Já para uso pessoal, sem compartilhamento, não deve haver problema.

“Germes que podem ser transmitidos por nossas mão podem gerar de gripe a doenças que são resistentes a vários remédios”, destaca Collignon. Uma investigação promovida anteriormente pelo New York Daily News reforça a teoria. A publicação avaliou quatro iPads utilizados em lojas da Apple, sendo que dois deles continham vários tipos de agentes patológicos, responsáveis pela transmissão de doenças.

Logicamente, esse problema não é um “privilégio” dos produtos da Apple. Qualquer equipamento que seja manuseado por centenas de pessoas corre esse risco. Mas por serem tão populares, os iPhones e iPads compartilhados chamam mais a atenção dos especialistas.
Fonte:http://macworldbrasil.uol.com.br/noticias/2010/10/15/iphone-e-ipad-podem-transmitir-doencas-diz-especialista/

Testes ajudam memória

18/10/2010

Agência FAPESP – Testes de memorização não mostram apenas como está a capacidade de retenção de informação na memória. Segundo um estudo publicado na revista Science, eles ajudam efetivamente a lembrar e podem melhorar o processo de aprendizagem.

De acordo com a pesquisa, um dos motivos principais para isso parece ser que as pessoas dão a elas mesmas “pistas mentais” mais eficientes quando são testadas do que quando estão estudando.

Mary Pyc e Katherine Rawson, do Departamento de Psicologia da Universidade Kent State, nos Estados Unidos, chamam essas pistas de mediadores, os quais podem ser palavras, frases ou conceitos que ligam uma pista a seu alvo, isto é, o que está se tentando lembrar.

Segundo as pesquisadoras, mediadores usados durante testes têm maiores chances de serem lembrados e usados efetivamente do que aqueles empregados quando se está apenas estudando.

O estudo avaliou mais de 100 estudantes do ensino superior, aos quais foram apresentados 48 pares de palavras em suaíli (idioma banto) e em inglês, como “wingu-cloud” (“nuvem”).

Inicialmente, os pesquisadores solicitaram aos voluntários que sugerissem mediadores – que parecessem ou soassem semelhantes à palavra em suaíli e fossem relacionadas semanticamente com o alvo em inglês. No caso, um exemplo foi “wing” (“asa”).

Os estudantes submetidos a um teste em meio ao processo de memorização apresentaram melhor aproveitamento no teste final do que os demais. E, durante o primeiro teste, pedir aos participantes que lembrassem de seus próprios mediadores escolhidos ajudou ainda mais na melhoria do aproveitamento.

“Fazer testes práticos – especialmente aqueles que envolvem tentativas de recuperar algo da memória – pode aumentar drasticamente as chances de lembrar uma determinada informação posteriormente. Levando-se em conta que, até hoje, centenas de experimentos foram conduzidos para estabelecer os efeitos dos testes na aprendizagem, é surpreendente que saibamos tão pouco sobre por que eles melhoram a memória”, disse Katherine.

O artigo Why Testing Improves Memory: Mediator Effectiveness Hypothesis (doi: 10.1126/science.1191465), de Mary Pyc e Katherine Rawson, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/12918/testes-ajudam-memoria.htm