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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Radiotelescópio com 13.000 antenas vai buscar outras Terras

Radiotelescópio

Seu nome é insosso e diz pouco: Long Wavelength Array, algo como estrutura de comprimentos de onda longos, em tradução livre.

Então é melhor chamá-lo pela sigla, LWA, e lembrar que esse radiotelescópio inusitado vai captar ondas de rádio provenientes de planetas fora do nosso Sistema Solar - os chamados exoplanetas, ou planetas extrassolares.

O LWA será uma nova ferramenta em busca de outras Terras, planetas eventualmente com possibilidades de abrigar vida.

E que ferramenta... quando pronto, o LWA terá 13.000 antenas, agrupadas em 53 estações, colocadas estrategicamente ao longo de uma área de 400 quilômetros de diâmetro, no estado do Novo México, nos Estados Unidos.

A primeira estação, com 256 antenas, começará a operar no próximo mês, rastreando o céu de horizonte a horizonte em uma ampla faixa de frequências.

Descobertas além da imaginação

Com tantas antenas, o radiotelescópio LWA produzirá imagens de alta resolução de uma região do céu centenas de vezes maior do que a Lua cheia. Além de exoplanetas, o telescópio deverá captar também uma série de outros fenômenos cósmicos.

"Nós estaremos olhando para 'relâmpagos celestes' ocasionais," conta Joseph Lazio, um radioastrônomo do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. "Estes flashes podem ser qualquer coisa, de explosões na superfície de estrelas próximas, a morte de estrelas distantes, buracos negros explodindo, ou até mesmo as transmissões de outras civilizações."

O LWA vai operar na faixa de frequências de rádio de 20 a 80 megahertz, correspondendo a comprimentos de onda de 3,8 a 15 metros. Estas frequências representam uma das últimas e mais mal exploradas regiões do espectro eletromagnético.

"Como a natureza é mais esperta do que nós, é bem possível que venhamos a descobrir algo sobre o que nem imaginamos," disse Lazio.

fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=radiotelescopio-antenas-buscar-outras-terras&id=010130110201&ebol=sim

Nova falha grave afeta todas as versões do Windows

Código para explorar o bug de segurança já foi publicado, alerta a Microsoft; problema ocorre com o Internet Explorer em sites contaminados.

A Microsoft alertou que crackers divulgaram na web instruções de como explorar uma brecha de segurança previamente desconhecida (0-day) em todas as versões do Windows.

Essa falha é especialmente perigosa por sua capacidade de induzir os usuários a instalar malware ou software de acesso remoto.

O bug permite que crackers executem códigos Javascript caso o usuário visite um site malicioso usando o Internet Explorer. Muitas vezes, são sites confiáveis que foram infectados com código de malware por meio de uma técnica conhecida como injeção de SQL, e a infecção é feita sem que o usuário perceba.

A fabricante do Windows diz que já está trabalhando em um patch, mas que, enquanto isso, é possível instalar uma solução que protege a forma como o Windows lida com documentos no formato MHTML.

Leia também: Intel investe em tecnologia definitiva para barrar ataques 0-day
Trojan brasileiro impede que usuário atualize o antivírus

Andrew Storms, diretor de segurança da empresa nCircle, disse ao site Infosecurity que 2011 não começou bem para a Microsoft.

"No início de janeiro um técnico da Microsoft postou uma explicação de cinco bugs de segurança públicos que a empresa estava estudando", disse ele, acrescentando que apenas duas semanas, pouco depois, já existe outro erro para acrescentar à lista.

À primeira vista o alerta parece grave, porque afeta todas as versões do Windows. No entanto, de acordo com os experts, apesar de o código de exploração (exploit) ter sido divulgado, a realização de um ataque usando esse bug de cross-scripting ainda não é simples. No entanto, como em todo ataque do tipo, é só uma questão de tempo até os crackers começarem a utilizar o exploit.

Fonte:http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2011/01/31/nova-falha-grave-afeta-todas-as-versoes-do-windows/

Dicas para economizar tempo no GMail

Por Kristin Burnham, da CIO/EUA

Delegue acesso às suas mensagens e ignore conversas improdutivas com esse guia.

Se você é um dos 1193 milhões de usuários do GMail em todo o mundo, provavelmente usa o serviço - e seus add-ons - todo dia. Popular por sua capacidade de personalização, a Google constantemente adiciona novos recursos experimentais à seção “Labs” do serviço e também faz mudanças mais gerais que simplificam o fluxo de trabalho e ajudam os usuários a economizar tempo.

Aqui estão cinco dicas úteis do GMail, incluindo uma forma de acessar múltiplas contas ao mesmo tempo em um só navegador, agendar mudanças de fuso-horário e como ignorar seletivamente aquelas longas discussões por e-mail que nunca levam a nada.

1. Delegue acesso à sua conta do GMail

Se você tem duas contas do GMail, uma pessoal e uma profissional por exemplo, “deslogar” de uma e “logar” na outra várias vezes ao dia para checar mensagens pode ser entediante e gerar confusão. Mas há um novo recurso chamado “delegação de e-mail”, que já existia em contas Google Apps, que recentemente se tornou disponível a todos os usuários e pode ajudar a dividir a tarefa e resolver o problema.

Este recurso permite que alguém - sua secretária, por exemplo - tenha acesso à sua conta, permitindo que ela leia e responda às mensagens em seu nome, dividindo o trabalho. Para fazer isso, clique no link Configurações no canto superior direito da tela do GMail. Na aba Contas e Importação há uma nova seção chamada Permitir acesso à sua conta. Clique neste link e adicione um endereço de e-mail.

O GMail irá mandar uma mensagem de confirmação para este novo endereço. Assim que sua secretária aceitar o convite, ela poderá cuidar desta conta de e-mail para você. Note que você só pode delegar o acesso a um outro usuário do GMail.

2. Como ignorar discussões longas

Você provavelmente já passou pela situação de fazer parte de uma discussão por e-mail com 10 outras pessoas que sempre dão “responder a todos” e lotam a sua caixa de entrada com mensagens que não tem nada a ver com você. Uma forma fácil de fugir dela é um novo recurso do GMail conhecido como “Ignorar Inteligente”

Com ele, as conversas ignoradas só irão aparecer na sua caixa de entrada se uma nova mensagem tiver você, e só você, como destinatário, ou se seu endereço constar nos campos “Para” ou “Cc”. E uma vez que você habilita o Ignorar Inteligente, ele entra em ação em todas as versões do GMail: na web, no celular, etc.

Para habilitar o recurso, clique em Configurações, depois da aba Labs, procure Ignorar Inteligente na (longa) lista de complementos e clique em Ativar. Não se esqueça de clicar no botão Salvar Alterações no final da página. Quando você receber um e-mail que deseja ignorar, clique em Mais ações na barra ferramentas do GMail e clique em Ignorar.

3. Agende eventos em múltiplos fusos-horário

Pra quem viaja frequentemente, agendar eventos em múltiplos fusos-horário pode ser uma dor de cabeça. Mas com o recurso de Fuso Horário do Google Calendar você pode especificar em que fuso o evento irá ocorrer, em vez de ficar tentando adivinhar a diferença no tempo. Os eventos vão aparecer no calendário ajustados para o seu fuso atual.

No GMail, clique no link Agenda e em Criar Evento no canto superior esquerdo da página. Clique no link Fuso Horário e indique o fuso do local onde o evento irá ocorrer. Você também pode escolher fusos independentes para o início e o fim do evento para quando estiver em uma viagem internacional, por exemplo.

4. Avance automaticamente para a próxima conversa

Normalmente, quando você abre um e-mail e arquiva ou apaga ele, o GMail te manda de volta para sua caixa de entrada. Mas há um recurso no GMail Labs chamado “Avanço Automático” que em vez disso abre automaticamente a próxima mensagem, eliminando a necessidade de voltar para a caixa de entrada para isso.

Para habilitá-lo clique em Configurações e depois em Labs. Encontre o item Avanço Automático na lista e clique no botão Ativar ao seu lado, depois clique em Salvar Alterações no fim da página. Na aba Geral da tela de configurações você poderá escolher entre avançar para a próxima conversa, conversa anterior ou voltar para a lista de conversas.

5. Alterne entre duas contas do GMail no mesmo navegador

Se você tem ou gerencia múltplas contas do GMail, tradicionalmente tem de “deslogar” de uma para poder “logar” na outra, ou usar dois navegadores diferentes para poder acessá-las simultâneamente. Mas um novo recurso do GMail chamado “login múltiplo” acaba com este inconveniente.

Este recurso permite que você se mantenha logado simultâneamente em até duas outras contas, com uma aba do navegador para cada uma. Mas note que, no momento, este recurso só funciona em um navegador no desktop.

Para habilitá-lo, acesse a página de sua conta Google em www.google.com/accounts e clique no link editar em frente à opção Login múltiplo. Você terá de marcar algumas opções para comprovar que leu e entendeu como o recurso funciona. Quando terminar, volte à página de sua conta Google e clique no link editar em frente ao campo Endereços de e-mailpara adicionar outras contas que deseja usar simultâneamente.

Fonte:http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2011/02/03/dicas-para-economizar-tempo-no-gmail

Brasil e Argentina assinam acordo para massificar banda larga

O acordo garante o desenvolvimento integrado de políticas na área do acesso à internet e a novas tecnologias.

Os governos do Brasil e da Argentina assinaram hoje (31), em Buenos Aires, um plano de ação conjunta para cooperação bilateral com objetivo de massificar o acesso à internet em banda larga até 2015 nos dois países, por meio da melhoria na qualidade de conexão e ampliação da disponibilidade do serviço.

Ao lado da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, a presidenta brasileira, Dilma Rousseff, afirmou que fez questão de eleger o país vizinho como destino para a primeira viagem internacional por considerar que Brasil e Argentina são cruciais para transformar “o século 21 em século da América Latina”.

O acordo assinado prevê a implantação de dutos para a passagem de cabos e fibra ótica entre os dois países, a integração das estatais de telecomunicações brasileira e argentina (Telebras e Arsat), a associação estratégica na produção de equipamentos e a troca de informações sobre programas e políticas na área industrial que ampliem o acesso a equipamentos.

Os dois países também devem desenvolver em conjunto conteúdos digitais e interativos e trabalhar em parceria para definir mecanismos de financiamento e acesso a crédito para projetos estratégicos na área sejam públicos ou privados.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que integra a comitiva presidencial que está na Argentina, destacou que o acordo garante o desenvolvimento integrado de políticas na área do acesso à internet e a novas tecnologias.

Também foi estabelecida a intenção de criar um Conselho de Alto Nível, que será integrado, do lado brasileiro, pelo Ministério das Comunicações e do lado argentino, pelo Ministério do Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços e pela Comissão de Planejamento e Coordenação Estratégica do Plano Nacional de Telecomunicações Argentina Conectada.

PNBL

Nas negociações para o acordo, verificou-se que o Plano Nacional de Banda Larga do Brasil e o Plano Nacional de Telecomunicações Argentina Conectada são complementares e representantes dos dois países manifestaram interesse em compartilhar experiências e desenvolver estratégias conjuntas nas áreas de política de telecomunicações, interconexão e inclusão digital. O Plano prevê que os custos relacionados às suas atividades ficam a cargo de cada país.

O acordo pretente ainda promover o intercâmbio de experiências em áreas de interesse mútuo. Na implementação do Plano, prevê-se que cada parte designará a instituição coordenadora de cada país que ficarão responsáveis pela interlocução e convocação de encontros técnicos.

Foram identificadas as seguintes áreas de cooperação:

- Interconexão – trocar experiências com planos de fibra ótica a cargo dos operadores nacionais de ambos os países com incumbência de desenvolver redes estatais; incorporar aos projetos regionais de integração física entre os dois países a implantação de dutos para a passagem de cabos e fibra ótica; coordenar esforços no projeto de transposição de cabo óptico do Oceano Atlântico; implementar Ponto de Troca de Tráfego na região da fronteira até 2013.

- Regulação – trocar informações em matéria de legislação, normas jurídicas e técnicas sobre espectro e padronização das comunicações nos dois países.

- Política Industrial – estabelecer associação estratégica na produção de equipamentos e trocar informações sobre programas e políticas na área industrial que visem tornar acessíveis aos cidadãos brasileiros e argentinos equipamentos de acesso à internet. Envidar esforços no sentido de interconectar a ARSAT e a TELEBRÁS, as duas estatais argentina e brasileira.

- Inclusão Digital – intercambio de experiências exitosas na área de inclusão digital nos dois países.

- Conteúdos Digitais Interativos – trocar experiências de plataformas e ferramentas na área de tecnologia da informação, além de, entre outros, desenvolver a produção conjunta de conteúdos digitais e interativos; instalar centros de armazenamento e processamento de dados como forma de internalizar o tráfego de dados em seus territórios.

- Concertação Política – Participar de forma coordenada nos fóruns internacionais sobre sociedade da informação, em especial nos temas relativos à governança na internet.

- Pesquisa - buscar coordenação entre as instituições de capacitação na área de telecomunicações e interconectar as redes de pesquisa e desenvolvimento.

- Financiamento – trabalhar coordenadamente na definição de mecanismos de financiamento e acesso a crédito para projetos estratégicos na área, sejam públicos ou privados.



(*) Com informações da Agência Brasil e do Ministério das comunicações.

Fonte:http://computerworld.uol.com.br/telecom/2011/01/31/brasil-e-argentina-assinam-acordo-para-massificar-banda-larga/

Exercícios para melhorar a memória

1/2/2011

Agência FAPESP – Exercícios físicos aeróbicos podem diminuir a perda de memória em idosos e prevenir o declínio cognitivo associado com o envelhecimento, indica estudo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

A pesquisa, feita nos Estados Unidos, verificou que um ano de exercícios físicos moderados foi capaz de aumentar o tamanho do hipocampo em adultos mais velhos, levando a uma melhoria na memória espacial. De acordo com estudos anteriores, o hipocampo diminui com a idade, o que afeta a memória e aumenta o risco de demência.

Arthur Kramer, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, e colegas examinaram os cérebros de 60 adultos saudáveis com idades entre 55 e 80 antes, durante e após o período de um ano de exercícios.

Os pesquisadores observaram que os participantes que caminharam por 40 minutos, três vezes por semana, tiveram um aumento de em média 2,12% no volume do hipocampo esquerdo e de 1,97% no direito. O grupo que praticou apenas exercícios de alongamento teve diminuição média de 1,40% no hipocampo esquerdo e de 1,43% no direito no período.

Testes de memória espacial foram conduzidos antes, com seis meses e após um ano. Aqueles que integraram o grupo de exercício aeróbico apresentaram melhoria nas funções de memória, que os cientistas apontam estar associado com o aumento no hipocampo.

O grupo que praticou atividade física aeróbica também teve aumento em diversos biomarcadores associados com a saúde cerebral, como no fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês), uma pequena molécula envolvida na memória e na aprendizagem.

“Os resultados do estudo são particularmente interessantes por indicarem que mesmo pequenas quantidades de exercícios em adultos mais velhos e sedentários podem levar a melhorias substanciais na memória e na saúde cerebral”, disse Kramer, que dirige o Instituto Beckman na Universidade de Illinois.

O artigo Exercise training increases size of hippocampus and improves memory (doi/10.1073/pnas.1015950108), de Arthur Kramer e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1015950108.

Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/13385/exercicios-para-melhorar-a-memoria.htm

Parceria tenta melhorar aulas de ciências no país

Governo fará convênio com instituto de Israel para pesquisa e treinamento

A israelense Zahava Scherz veio ao Brasil com uma tarefa nada fácil: ensinar professores a melhorarem as aulas de ciências. Diretora do Instituto Davidson, um braço do prestigioso Instituto Weizmann de Ciência, que fica em Israel, ela é uma das autoras do método conhecido como LSS (Learning Skills for Science ou aprendizado de habilidades para a ciência).

Depois de uma palestra ministrada por ela na USP, na sexta-feira (28/1), a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação, afirmou que pretende assinar convênio com o Weizmann.

A troca de experiências possibilitada pela parceria terá dois focos: melhorar o ensino de ciências nas escolas brasileiras - com programas como o LSS, entre outros- e fomentar pesquisas.

O principal objetivo do LSS é fazer com que estudantes de educação básica desenvolvam habilidades de investigação e se interessem pela carreira de cientistas.

A primeira escola a adotar o método na América Latina é o colégio judaico Renascença, em São Paulo. Em 2011, alunos do 6º ano do fundamental seguirão o programa. Leia entrevista de Scherz:

- O que é o LSS?

O programa foi desenvolvido nos anos 1990 pelo departamento [de educação em ciência do Davidson] e foi "descoberto" pela Inglaterra nos anos 2000. Eles decidiram adotar e iniciaram um programa de colaboração. Nós os ajudamos a adaptar o programa para a realidade inglesa. Hoje nós temos um programa para estudantes de 14 a 16 anos e outro para os de 16 a 18 anos, com material para estudantes, professores e um site, em inglês.

A ideia principal é que, para ser cientista e bom cidadão no futuro, é preciso não só ter conhecimento de ciência, mas ter várias habilidades, de investigação e de aprendizado. No entanto, geralmente, no sistema educacional, as habilidades não são ensinadas explicitamente. Diz-se que, se for dada oportunidade ao estudante, ele desenvolverá as habilidades. É como se você levasse alguém a uma piscina e esperasse que ele aprendesse a nadar.

Nossa ideia é que temos que ensinar as habilidades de aprendizado e investigação de maneira explícita, não como uma disciplina diferente, mas integrada ao currículo de ciências.

- Quais são as habilidades ensinadas?

As habilidades ensinadas são: retenção da informação, escutar e assistir a vídeos científicos, leitura crítica e eficiente de publicações científicas, descrição de dados, escrita científica e apresentação do conhecimento.

Nós brincamos o tempo todo com atividades que sejam desafiadoras, mas não frustrantes. Essas atividades são muito baseadas em fontes de internet, artigos e vídeos de especialistas, e têm de ser integradas ao currículo. É por isso que não se pode apenas traduzir o programa para outra língua, é preciso adaptá-lo ao currículo do país.

- O programa pode ser usado em que idade?

Eu acredito que deva começar na 3ª série e continuar até o ensino médio.

- Há uma preocupação específica com os alunos que têm mais dificuldades?

O programa é bastante modular. No site britânico, todas as atividades estão em três níveis: fácil, intermediário e desafiador.

- Na opinião da sra., a preparação para as feiras e competições de ciências deve ser uma prioridade das escolas?

Tudo o que agrega motivação e curiosidade aos estudantes é importante. Nas feiras de ciências, você pode ver que os alunos ficam muito orgulhosos do que fazem, e isso é muito importante para motivar os estudantes para as ciências. Outra coisa são as olimpíadas, em que há competições muito duras, e isso eu não sei se deve ser para todos os estudantes, mas é uma outra maneira de desafiar os melhores alunos.
(Fabiana Rewald)
(Folha de SP, 30/1)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76174

Educação: a hora e a vez das crianças, artigo de Isaac Roitman

"Na educação das crianças menores de 6 anos em creches e pré-escolas, as relações culturais, sociais e familiares devem ser valorizadas, garantindo os direitos das crianças ao bem-estar, à expressão, ao movimento, à segurança e à brincadeira"

Isaac Roitman é professor aposentado da Universidade de Brasília, coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Artigo publicado no "Correio Braziliense":

Durante a campanha, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, afirmou: "A primeira infância será prioridade absoluta do meu governo". Eleito, tomou uma decisão pioneira no país, criando a Secretaria da Criança, nomeando como seu titular Dioclécio Campos Junior, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O atual presidente dessa entidade, Eduardo da Silva Vaz, enviou carta ao governador apoiando a iniciativa dizendo: "2011 já chega trazendo uma ótima notícia para as crianças da capital, que certamente repercutirá em todo o país. Receba os entusiasmados parabéns dos pediatras do Brasil. Conte conosco e com os nossos projetos na jornada que ora se inicia".

Essa será uma oportunidade para que o Distrito Federal possa ser o paradigma do Programa Nacional de Educação Infantil (Pronei), que é destinado à expansão rápida e ao funcionamento de creches e pré-escolas. O programa pretende garantir desde a nutrição saudável como a prática de atividades educativas apropriadas. Essa será a base da democracia no país - a oportunidade de uma educação de qualidade para todas as crianças brasileiras.

Os trabalhos conduzidos pelo professor James Heckman, Prêmio Nobel de Economia, e pelo professor Flávio Cunha, da Fundação Getulio Vargas, permitem afirmar que não há investimento mais seguro, nem de retorno econômico mais garantido para a sociedade, do que aquele realizado em saúde e educação da primeira infância. Em dezembro de 2009 Heckman, participou do seminário internacional Educação na Primeira Infância, promovido pela Academia Brasileira de Ciências e pela Fundação Getulio Vargas.

Segundo Heckman, cada dólar investido na educação da primeira infância dará retorno de nove doláres para a sociedade. Sobre o sistema educacional brasileiro ele assim se manifestou: "Colocar mais crianças na escola, como tem feito o Brasil, é bom. Melhorar a qualidade do ensino é ainda melhor. Mas essas duas iniciativas, por mais bem executadas que sejam, não chegarão a fazer muita diferença se não for tomado um cuidado extra: investir também nas crianças de até 3 anos de idade, a chamada primeira infância. Um programa de primeira infância de qualidade para a população carente é uma condição necessária para avançarmos em direção a uma sociedade mais educada, igualitária e, sobretudo, menos violenta".

O professor Aloísio Araújo, da Fundação Getulio Vargas, coordenador do seminário, defende a prioridade da educação para crianças de até 3 anos, baseado nos estudos de neurociência que mostram que o cérebro se forma muito cedo. Segundo ele, se a criança não recebe certos estímulos nessa fase em que se estabelecem as conexões neurais, ela dificilmente vai recuperar isso depois. Atividades apropriadas podem ser conduzidas no ambiente familiar, transformando os pais no primeiro e no professor favorito. Esses deverão receber orientação adequada independentemente da classe social.

Na educação das crianças menores de 6 anos em creches e pré-escolas, as relações culturais, sociais e familiares devem ser valorizadas, garantindo os direitos das crianças ao bem-estar, à expressão, ao movimento, à segurança e à brincadeira. A orientação pedagógica para essas crianças devem ter origem nelas mesmas, conhecendo o que produzem e ouvindo-as.

A nova Secretaria da Criança no Distrito Federal poderá desempenhar papel importante no estabelecimento de políticas públicas para a educação da primeira infância. Os resultados positivos que, certamente, serão obtidos, após criteriosa avaliação poderão ser expandidos para todo o Brasil. As futuras gerações de brasileiros serão os beneficiados dos acertos que temos a oportunidade de fazer agora pelas crianças do Distrito Federal. Boa sorte e longa vida para a recém-criada Secretaria da Criança.
(Correio Brasiliense, 31/1)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76173

Quinze milhões de alunos estudam em escolas sem biblioteca no país

Segundo Censo Escolar, 70% dos estudantes não têm laboratório de ciências

Na volta às aulas, milhões de alunos de todo o país vão estudar este ano em escolas onde não há laboratório de ciências, biblioteca, laboratório de informática ou quadra de esportes.

O Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC) mostra que, no ano passado, 27 milhões de estudantes de ensino fundamental e médio (70% do total) frequentavam estabelecimentos sem laboratório de ciências. A inexistência de bibliotecas era realidade para 15 milhões (39%), enquanto 9,5 milhões (24%) estavam matriculados em escolas sem laboratório de informática, e 14 milhões (35%), em unidades sem quadra esportiva.

Os dados foram divulgados pelo MEC em dezembro e consideram tanto a rede pública quanto a privada. No ensino médio, menos da metade das escolas tinha laboratório de ciências. Nas séries finais do ensino fundamental, a situação era mais grave: só 23% delas estavam equipadas. Nas séries iniciais do fundamental, apenas 7% dos estabelecimentos tinham laboratório de ciências.

"Os alunos possivelmente terão prejuízo na formação"

Falando em nome do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a secretária de Mato Grosso, Rosa Neide Sandes de Almeida, diz que as deficiências na infraestrutura prejudicam a aprendizagem. Ela culpa a falta de investimentos em governos anteriores, tanto em nível federal quanto estadual e municipal, mas ressalva que a situação começou a mudar na última década:

- Os alunos possivelmente terão um prejuízo significativo na sua formação. Isso com certeza tem consequências para o nível de escolaridade que a gente oferece à nossa população. O Brasil ainda está fazendo o dever de casa em aspectos primários da escola - diz Rosa Neide.

A falta de infraestrutura preocupa a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC). O coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da SBPC, Isaac Roitman, considera a situação vergonhosa e defende o lançamento de um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) específico para recuperar escolas e formar professores. Até hoje, nenhum brasileiro foi agraciado com o prêmio Nobel.

- Deveria ser prioridade para quem pensa no futuro do Brasil - disse Roitman, por e-mail.

O consultor do movimento Todos pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Mozart Neves Ramos, critica a falta de padrões mínimos para o funcionamento de escolas. Segundo ele, o poder público deveria estabelecer critérios e fazer a certificação das escolas.

Em maio, o CNE aprovou parecer definindo padrões de qualidade para a rede pública, o que exigiria aumentar investimentos em educação. O parecer só vale se for homologado pelo ministro Fernando Haddad, o que ainda não ocorreu. Segundo o MEC, o texto permanece em análise.

- A gente não pode oferecer escola de qualquer jeito. É preciso dizer quais são os insumos que se espera que uma escola tenha - diz Mozart.

Ele chama a atenção para outro ponto: não basta ter laboratórios e bibliotecas, é preciso que professores e alunos utilizem os recursos:

- O pior de tudo é que, mesmo nas escolas que têm laboratórios, eles são pouco usados - diz Mozart.

Em escola no DF, computadores sem uso

O Distrito Federal, unidade da Federação que lidera rankings de avaliação do MEC, não foge à realidade revelada pelo censo. O Centro de Ensino Fundamental Fercal, na cidade-satélite de Sobradinho, não tem biblioteca nem laboratório de informática. A escola recebeu 20 computadores do MEC no ano passado, mas dez máquinas permanecem nas caixas, e as demais não são usadas.

O vice-diretor Samuel Wvilde diz que a rede elétrica não suporta o funcionamento simultâneo dos computadores. Há um projeto de reconstrução da escola. Os livros de literatura ficam guardados junto com o material esportivo. O resto do acervo foi transferido para outra escola, onde está sem uso. O centro atende a 1,1 mil alunos de ensino médio e dos anos finais do fundamental.

A Escola Classe Engenho Velho, com 420 alunos, não tem biblioteca nem laboratório de informática. A vice-diretora Susan Fernandes conta que o MEC já ofereceu computadores três vezes, mas a doação foi recusada porque o prédio não tem sala disponível. Os livros de literatura ficam guardados em caixas, que são levadas pelos professores para as salas de aulas.

O MEC informa que investiu R$ 774 milhões na compra e distribuição de computadores capazes de beneficiar 30 milhões de alunos, entre 2004 e 2010.
(Demétrio Weber)
(O Globo, 30/1)

Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76172

Universidades procuram pesquisador estrangeiro

Programas de apoio visam melhor interação científica com outros países

Mais de 300 programas (12%) de pós brasileiros têm qualidade comparável à de centros de excelência do mundo (conceitos 6 e 7), de acordo com a avaliação da Capes. Outros 20% (conceito 5) precisam de representatividade internacional para alcançar notas superiores.

"A internacionalização é essencial para que as universidades brasileiras atinjam o padrão de qualidade das melhores em pesquisa", afirma Vahan Agopyan, pró-reitor de pós-graduação da USP.

Além de intercâmbios para os pós-graduandos brasileiros e recepção de alunos estrangeiros, há muito o que fazer para chegar ao exterior.

As ações necessárias vão desde o aperfeiçoamento do inglês de professores e pesquisadores para publicarem artigos em revistas internacionais até a tradução de sites para inglês e espanhol.

"Muitos programas não mantêm atualizados nem sequer seus sites", diz o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz.

De olho nas melhores universidades do mundo, USP e Unicamp têm planos para a internacionalização.

A USP pretende aumentar o número de convênios firmados com instituições de ponta que prevejam pesquisa conjunta e intercâmbio de alunos e professores.

"O objetivo é que, até 2014, cada programa de pós tenha um convênio internacional efetivo", estipula Agopyan.

Com esse espírito, a USP criou em 2009 o primeiro programa internacional de pós, o doutorado Biologia Celular e Molecular Vegetal da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), conveniado a duas instituições americanas.

Agora pretende abrir outros dois no primeiro semestre deste ano. "São da área de ciências exatas, um na capital e outro em São Carlos", adianta Agopyan.

Hoje, menos de 4% dos alunos são estrangeiros. O mesmo ocorre na Unicamp, que tem meta de subir essa taxa para 10% até 2015.

O objetivo de ambas é ficar entre os grandes centros de pesquisa e colocar as universidades públicas paulistas entre as cem melhores do mundo. No ranking da THE (Times Higher Education), feito em 2010, nenhuma das duas instituições apareceu entre as 200 melhores.

"Muitas áreas de pesquisa são mais fortes no exterior, não podemos nos distanciar dos centros de ponta", diz Euclides Mesquita Neto, pró-reitor de pós da Unicamp.
(Folha de SP, 30/1)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76171

Capes deve descredenciar cursos com avaliação ruim

Presidente do órgão diz que programas de pós-graduação regulares precisam melhorar desempenho: "Ou muda ou vai fechar"

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela pós-graduação, vai exigir mais qualidade dos mestrados e doutorados no país. Cursos que recebem nota 3 na avaliação trienal da Capes - pontuação mínima, hoje, para continuar funcionando - deverão ser fechados, caso não consigam melhorar seu desempenho.

O presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, diz que as novas regras serão definidas até março. Ele defende o descredenciamento de mestrados e doutorados que tirem nota 3, considerada regular, em três avaliações trienais consecutivas - portanto, num período de nove anos. Hoje, a Capes descredencia de imediato cursos que recebam notas 1 e 2. A escala vai até 7.

- Ou muda ou vai fechar - diz Guimarães, convencido de que uma boa pós-graduação não pode ficar estagnada. - O certo é que o curso comece com 3 e vá a 7.

Levantamento realizado pela Capes mostra que 141 programas de pós-graduação obtiveram sempre nota 3 nas últimas três avaliações, divulgadas em 2004, 2007 e 2010. Quando um programa reúne mestrado e doutorado, ele recebe uma nota única, válida para ambos. Estão nessa lista 14 programas de instituições do Rio de Janeiro, sendo dois da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), um da Universidade Federal Fluminense (UFF) e três do Instituto Militar de Engenharia (IME).

Universidades prestigiadas como a USP (Universidade de São Paulo), a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a Universidade de Brasília (UnB) também estão na lista. Se for considerada somente a última avaliação, estão lá a UFRJ, a Uerj, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Guimarães quer passar um pente-fino nos 141 cursos aprovados com nota mínima nas últimas três avaliações. A ideia é que comissões de especialistas façam inspeções nos próximos meses, indicando à Capes quais providências devem ser tomadas - o que poderia até incluir a antecipação da próxima avaliação para fins de descredenciamento. Segundo ele, as visitas devem começar pelas instituições mais prestigiadas, pois elas deveriam dar o exemplo.

- Não se justifica que uma instituição como a USP, a Unicamp ou a UFRJ tenha um curso 3. Alguma coisa está errada - afirmou o presidente da Capes.

Os novos critérios serão discutidos pelo Conselho Técnico-Científico da Educação Superior, que reúne representantes de 46 áreas do conhecimento e terá nova composição em março. Para Guimarães, há mestrados e doutorados de boa qualidade que perdem fôlego e acabam caindo nas avaliações. Outros recebem a nota mínima 3 no ato de criação e não progridem.

Nos dois casos, segundo ele, há falhas da instituição. Guimarães diz que é compreensível que universidades sem tradição de pós-graduação tenham cursos com nota mínima. Isso vale para instituições novas ou que só criaram cursos de doutorado nos últimos anos. Mas ele não vê desculpa no caso de universidades prestigiadas, sobretudo em áreas do conhecimento com tradição de pesquisa:

- Ter um curso 3 na Física só é desculpável se for em instituição nascente. Passou uma avaliação, duas, três cinco, a culpa já é da instituição.

A última avaliação trienal mostrou, porém, que mesmo instituições de ponta têm cursos reprovados com notas 1 e 2. Em 2010, a Capes descredenciou 61 programas (2% do total avaliado), alguns deles oferecidos por USP, Unicamp, Unifesp, Uerj, UFF, PUC-Rio e Fiocruz.

A Capes quer mexer também na avaliação dos cursos de ponta, que recebem repetidas vezes notas 6 e 7 - consideradas muito boas em nível internacional. Guimarães defende que esses programas de mestrado e doutorado sejam avaliados a cada cinco e não mais três anos. Nas últimas três avaliações, 168 programas obtiveram notas 6 e 7, sendo que 44 só receberam 7 - oito deles do Rio.
(Demétrio Weber)
(O Globo, 31/1)
Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76170