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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pesquisadora do IAD discute nova sala de aula e formas de ensinar menos tradicionais



A briga para mudar os espaços e a forma de ensinar, tão sacralizada, poderá ser grande, mas segundo Eliane Bettocchi, a mudança é iminente (Foto: Frederico Boza)
Ao imaginar uma escola, a maior parte das pessoas pensa em carteiras alinhadas diante de um quadro negro, onde estudantes sentam-se para acompanhar a explanação de um professor. Nas últimas décadas, pouco foi questionada essa forma de ensinar que, criada sob o arcabouço positivista do século XIX, perdura após a chegada do terceiro milênio. Por isso, atualmente uma série de pensadores têm procurado discutir a reformulação da tradicional “sala de aula”.
Entre eles está a professora Eliane Bettocchi, do Instituto de Artes e Design (IAD) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ela busca sustentar sua reflexão no pensamento pós-estruturalista de Michel Foucault, na arte conceitual de Marcel Duchamp e Joseph Beuys, e nas ideias sobre a organização de tempo e espaço de Fernando Hernández, articulando teorias a fim de propor a criação de um “hiperambiente” a ser utilizado como espaço de ensino. Segundo a professora, este seria um modelo a valorizar a interdisciplinaridade, a interatividade e o lúdico.
“O atual modelo de sala de aula confina, adestra, restringe. Não permite que os alunos sejam criativos e questionadores, transformando-os em apreensores de informações”, afirma Bettocchi. Para a professora, o espaço de ensino deve, em primeiro lugar, permitir uma relação afetiva entre aluno e local de aprendizagem. “Uma sala de aula pode ter mesas onde os alunos espalhem o material, ao invés das carteirinhas tão limitadas. Pode ter uma biblioteca ou um espaço de informática. Ela deve reunir ‘cantos de interesse’ dos alunos. Não ser um espaço estanque ou uniforme.”
Segundo a professora, tais ideias beneficiariam alguns campos do conhecimento prejudicados por espaços de educação fortemente formatados e hierarquizados. “No caso das artes, por exemplo, um ateliê é um espaço apropriado para o ensino. Mas não uma sala de aula, nos moldes utilizados pela maioria das escolas. É um espaço muito sacralizado, que não permite o encontro da aprendizagem com o lúdico, com o prazer do aluno em estar ali, aprendendo.”
Privilegiar o interdisciplinar e o lúdico
O ato de repensar os ambientes acadêmicos já rendeu resultados concretos como as reestruturações de laboratórios na UFJF, aprovadas por edital da Capes (foto: Frederico Boza)
Bettocchi lembra o começo de suas pesquisas, quando, ao trabalhar com alunos de uma escola pública, inovou e abriu mão das formas tradicionais de ensino. Ela apresentou aos alunos o Role Playing Game (RPG), jogo em que os participantes interpretam papeis e criam narrativas. “Vivenciamos, com esta inovação, uma melhoria muito grande no interesse dos alunos pela aula. Conseguimos despertar nos alunos a vontade de produzir textos, por exemplo. Desde então, trabalho assiduamente neste campo.”
A pesquisadora conta que, depois da experiência com o RPG, trabalhou na elaboração de materiais didáticos que privilegiassem a interatividade. Mais tarde, decidiu extrapolar a limitação do impresso e pensar no espaço, objeto de estudo desenvolvido atualmente na UFJF.
“Buscamos intensamente uma nova forma de pensar a sala de aula, por isso mantemos grupos de professores que pretendem reestruturar os espaços de ensino da universidade. Trabalhamos com a possibilidade de elaborar laboratórios interdisciplinares, em que docentes de diferentes campos de conhecimento desenvolvam projetos em conjunto.”
“Mudança é iminente”, afirma pesquisadora
Bettocchi afirma que esse esforço já rende aos professores resultados concretos na UFJF, tais como as reestruturações do Laboratório Multidisciplinar de Ensino de Ciências (LabMEC) do Instituto de Ciências Exatas (ICE) e do Núcleo de Educação em Ciência, Matemática e Tecnologia (NEC) da Faculdade de Educação (Faced), e à implantação do Laboratório Interdisciplinar de Linguagens (LILi) no Instituto de Artes e Design e na Faculdade de Letras. Todos são financiados pela Capes pelo edital Laboratórios Interdisciplinares de Formação de Educadores (LIFE) para atender às Licenciaturas.
O fortalecimento da interdisciplinaridade é um primeiro passo, segundo a pesquisadora, para a reformulação no espaço de ensino. Entretanto, ela prevê forte litígio entre a academia e as instituições que há muito tempo utilizam a tradicional sala de aula. “Vai ser uma briga grande, mas a mudança é iminente. As agências de fomento estão interessadas em novos espaços, que incluam uma sala de aula mais interdisciplinar, lúdica e interativa, e vão pressionar as instituições de nível superior a mudar. Com elas as escolas terão de se transformar. Afinal, não adianta mudar o ensino básico e não mudar a formação dos seus professores, que é responsabilidade das universidades”, conclui.
Fonte:http://www.ufjf.br/secom/2013/01/29/pesquisadora-do-iad-discute-nova-sala-de-aula-e-formas-de-ensinar-menos-tradicionais/

Asfalto vegetal pode ser a solução para estradas de terra


Materiais Avançados

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/01/2013

Bioasfalto vegetal pode ser a solução para estradas de terra
Wilson Smith se entusiasma com a coesão e a dureza apresentada pela mistura de poeira de estrada e lignina. [Imagem: KSU]
Bioasfalto
O asfalto parece ser a melhor solução do mundo quando se é forçado a viajar por uma estrada de terra.
Mas Wilson Smith, estudante da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, defende que nenhum dos dois é o ideal: nem o asfalto é a solução para todas as estradas, e nem tampouco há que se resignar a viajar por estradas poeirentas e esburacadas.
Por isso ele decidiu trabalhar com um material de origem vegetal, na tentativa de criar uma alternativa que melhore as condições de tráfego das estradas não pavimentadas.
Smith está trabalhando com a lignina, o material que dá rigidez às células vegetais, para fazer um composto que possa dar rigidez à terra solta e aos pedregulhos das estradas vicinais.
Bioasfalto
O que torna a lignina um material particularmente valioso para essa aplicação é o seu comportamento adesivo quando é umedecida, com capacidade para agregar os materiais do solo, gerando uma coesão e criando uma espécie de "bioasfalto".
Isto torna a estrada de terra menos poeirenta, mais lisa e com uma menor necessidade de manutenção, sobretudo no período das chuvas.
A lignina está presente em todas as plantas, sendo rejeito de culturas comerciais, como no caso do bagaço da cana-de-açúcar, da palha de milho e de outros resíduos da agricultura, assim como da indústria do papel, o que a torna um material sustentável e renovável.
Depois de diversos experimentos, Smith selecionou cinco diferentes concentrações de lignina no solo, que se mostraram mais promissoras - 2%, 4%, 6% e 9% - e que agora estão sendo avaliadas na resistência da coesão do solo e, portanto, da diminuição da erosão da estrada.
Testes de campo
Com os bons resultados dos testes iniciais, a coordenadora do grupo, Dra Dunja Peric, selecionou novos estudantes para avaliar o uso do material em outras condições, o que inclui a secagem prévia e a aplicação direta da lignina no solo.
"Nós queremos fazer uma análise exaustiva de como a coesão varia quando você muda a concentração de lignina, a quantidade de água e a compactação," disse Smith. "Isso vai determinar, em estudos de campo, qual a porcentagem de lignina produz a maior estabilização do solo."
O grupo programou uma apresentação dos resultados da sua pesquisa para meados de Fevereiro, quando eles esperam fazer parcerias para os testes de campo, o que não deverá ser difícil, já que o Kansas é um estado agrícola, com quase dois terços das estradas sem pavimentação.
Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bio-asfalto-vegetal-estradas-terra&id=010160130129&ebol=sim